sábado, 27 de julho de 2013

Verdades universais

Existem verdades universais?

Fiz esta pergunta a mim mesmo em 2001. Esta foi a décima pergunta, de uma série de outras tantas, quando de um momento difícil em que passei pela minha vida, e que me levou a procurar saber o que é a verdade, ou verdades.

Esta é uma pergunta que não é fácil de responder. Quem é que pode assegurar que há pelo menos uma única verdade que seja aceita por toda a humanidade, sem levantar dúvidas ou questionamentos?

Esta é ainda uma pergunta eminentemente filosófica, e faz parte daquilo que é o núcleo da filosofia, uma pergunta filosófica por excelência, e portanto, não fui evidentemente o primeiro a formulá-la, nem seria o primeiro a respondê-la, já que mentes mais preparadas que a minha já tentaram isso antes. Ora, se eu ainda tinha dúvida da existência de verdades universais, era sinal de que ninguém ainda havia dado uma resposta conclusiva, porque se existisse uma única verdade que fosse universalmente aceita pela humanidade, eu saberia qual seria esta verdade, porque também faço parte da humanidade, e não estaria questionando a existência desta mesma verdade.

Mas, na época em que fiz a pergunta, eu não sabia que esta era uma pergunta relativa à teoria do conhecimento, um ramo da filosofia que é dos mais espinhosos e difíceis. Controversa, a verdade não se deixa capturar tão facilmente por perguntas repetidamente feitas, seja no passado, por sábios vários, seja na atualidade, por jovens céticos, tal como eu era na época em que formulei minha dúvida.

Mas, não sendo um estudioso da filosofia, eu não buscava uma resposta necessariamente filosófica, ou uma resposta que atendesse aos padrões exigidos pelos filósofos. Eu me contentaria com uma resposta que me permitisse ter segurança a respeito da existência de enunciados que eu pessoalmente pudesse crer que fossem verdades, e que fossem enunciados que pudessem servir de guias para a condução de minha vida. Eu precisava de algum ponto de apoio sobre o qual me firmar para poder seguir minha vida sabendo que não estava sendo enganado, não estava perdendo o meu tempo e não estava remando meu barco com base em uma mapa errado. Era somente segurança que eu queria para poder continuar a me aventurar pela vida, e nada mais.

Eu não pude responder esta pergunta com um sim ou com um não. Mas eu pensei que caberia a mim mesmo buscar as minhas verdades. Tendo já vivido três décadas sem nunca ninguém ter  dito a mim que tal enunciado era definitivamente a verdade, não poderia imaginar que esse fato viesse um dia a ocorrer. E mesmo que alguém viesse e me dissesse uma série de frases, ou mesmo uma única delas e jurasse ser esta uma verdade, eu ainda assim não acreditaria nesta pessoa. A verdade, seja ela qual fosse, teria de ser a minha verdade, não importando o que pensasse o resto do mundo. 

Mas eu não sabia de nada que fosse verdadeiramente meu, no sentido de eu ter adquirido um conhecimento, refletido sobre ele e julgado digno de ser chamado verdadeiro e ser incorporado àquilo que eu poderia chamar minha base de apoio para a condução de minha vida. Enfim, eu vivia como que em um lamaçal cognitivo, em uma espécie de areia movediça intelectual. Não podia confiar mais no conhecimento dos livros, mas não podia abrir mão de pontos de apoio intelectual para continuar a acreditar que poderia seguir conduzindo minha vida.

A resposta à pergunta foi a assunção de um compromisso comigo mesmo de que eu deveria olhar todo o conhecimento que parecesse verdadeiro e de uma forma que eu ainda não era capaz de saber, eu deveria passar esse pretenso conhecimento verdadeiro por um crivo, um filtro, que o testaria em sua veracidade segundo meus próprios padrões de confiança, e que somente após ser aprovado pelo meus testes, pudesse ser aceito como verdadeiro para mim, e incorporado ao meu cabedal de verdades conscientemente aceitas.

Não era uma tarefa fácil, porque o mundo está cheio de conhecimento que seus criadores julgam serem verdadeiros, e eu ainda nem fazia ideia de como eu poderia testar cada conhecimento que eu julgasse que devesse ser testado, mas, de qualquer forma, assumi que, existindo ou não verdades universais, era preciso que houvesse as minhas verdades, universais ou não, absurdas ou óbvias, provisórias ou definitivas, secretas ou públicas.

Eu não poderia ser absolutamente cético com relação a tudo que estava escrito no mundo.

Entremeio a trilhões de frases escritas por milhões de pessoas, as verdades estariam ali, escondidas, esperando pacientemente para serem lidas e testadas por mim.

Alguma verdade haveria de existir, disso eu não tinha dúvidas.

Mas eu tinha mais perguntas a fazer, e as fiz.

Questionando a verdade

Por que devemos questionar a verdade?

Esta é uma pergunta séria, e foi a nona pergunta que fiz dentre uma série de perguntas difíceis em um determinado momento de minha vida, nos idos de 2001.

Por que eu questionava a verdade em 2001?

Eu questionava a verdade em 2001 porque eu até então havia sido um crédulo.

Um crédulo em tudo aquilo que vinha em forma de palavras impressas no papel, nos jornais, nas revistas, nos livros de literatura, nos livros didáticos, nos livros científicos e agora, naquele momento, nos livros de autoajuda.

Eu vivia um paradoxo.

De um lado, havia os ensinamentos dos livros. De outro, os meus sucessivos fracassos em implementar esses ensinamentos.

Um livro de autoajuda me dizia que meu problema não era a falta de ensinamentos, mas minha inércia em aplicá-los em minha vida real. Outro dizia que meu maior obstáculo não estava no mundo exterior, mas dentro de mim mesmo. Outro ainda pedia que eu fosse perseverante, e o estudasse dia após dia, mês após mês, ano após ano. E eu, que sempre fui um aluno estudioso, disciplinado e cumpridor dos meus deveres, sabia que estudo, disciplina, cumprimento do dever, proatividade, perseverança e autoanálise não eram suficientes para trazer grandes avanços na vida, porque de fato eu obtivera muito pouco avanço na vida fazendo tudo aquilo que me era ensinado dizendo o que eu deveria fazer.

Ora, se eu não estava avançando, não seria na verdade o contrário? Que garantia eu tinha de que os livros estavam mesmo dizendo a verdade?

E se os livros de administração, de economia, de sociologia, de psicologia, de autoajuda, as revistas de negócios, estivessem, todas, não mentindo, mas corroídas de ensinamentos apenas pretensamente verdadeiros? E se tudo fosse apenas propaganda se passando por verdades definitivas? Que garantias eu tinha?

Eu não poderia passar o resto de minha vida seguindo lições de livros nos quais eu não confiasse. Eu não poderia ser cobaia de experimentos de tentativa e erro de teorias de pessoas que eu sequer conhecia.

Eu admitia minha parte da culpa em minha vida estagnada na qual vivia em 2001, mas ao mesmo tempo admitia que sempre fora uma pessoa disciplinada, estudiosa e atenta àquilo que deveria ser feito. Se as coisas não estavam dando certo, parte da culpa poderia estar não em mim, o aluno, mas nos livros, os professores.

Essa desconfiança foi se consolidando com o passar dos anos, desde que eu me formara na faculdade, em 1996, e em 2001 eu já via os livros da época da faculdade como praticamente inúteis para minha vida pessoal. E se os livros de autoajuda fossem todos bem intencionados, mas cheios de teorias falhas e sugestões ineficazes?

Eu respondi à nona pergunta dizendo que devemos questionar a verdade porque não podemos nos dar ao luxo de sermos cobaias de teorias, sugestões e conselhos de pessoas que não pagarão o preço de seus erros. 

Eu não queria ser nem cobaia, nem um trouxa.

Não me passou pela cabeça acusar os livros de autoajuda de estarem mentindo intencionalmente, mas não descartei a hipótese de haver mentiras intencionais nos livros em geral, com o intuito os mais dissimulados possíveis, e horrorizou-me a possibilidade de eu, disciplinadamente, estar me passando por um idiota.

Decidi que eu precisava saber mais sobre esta besta indomável: a verdade.

Reavaliando minha filosofia de vida

Eu disse no post anterior que não podemos nos rebelar contra as montanhas. Elas são o que são, elas são a pura realidade e nossa rebeldia em relação a elas não muda nada, a não ser trazer para dentro de nós uma eterna e amarga sensação de derrota. 

Assim, diante de uma vida sem perspectivas, e incapazes de fazer algo a respeito, só nos resta, nesse momento, nos conformarmos com aquilo que é, com a realidade dos fatos, com a dureza do presente, que se estende diante de nós aparentemente tão e sempre imutável.

Dando continuidade à minha série de perguntas difíceis, e tendo já respondido sete delas, abordo aqui a oitava pergunta, decorrente das sete anteriores.

Eu disse no post anterior que diante de uma realidade que nos é desfavorável e que não muda, se quisermos seguir em frente com nossa vida sem grandes perdas é preciso que façamos uma mudança interior. Diante das montanhas, precisamos mudar nosso modo de pensar.

Tendo pensado assim, tendo chegado a esta conclusão, fiz minha oitava pergunta:

Por que necessitamos de uma reavaliação filosófica contínua?

Mas, antes, pergunto, apenas para nos situarmos melhor em relação ao assunto: o que é uma reavaliação filosófica contínua?

Nós, seres humanos, em geral somos animais extremamente adaptáveis a diferentes circunstâncias externas e internas. Esta adaptabilidade é um trunfo, mas nem todas as pessoas são igualmente flexíveis. Algumas pessoas mudam suas vidas, mas a dor da mudança impõe um sofrimento que quase anula os benefícios da própria mudança. Em geral não mudamos porque queremos, e sim porque a não mudança representa uma ameaça ao nosso modo de vida. Então, somos forçados a mudar, mas, apesar de nos livrarmos daquilo que nos ameaçava, acabamos caindo em uma nova situação que nos é dolorosa, porque é nova e desconfortável. Evidentemente, nem todos sofrem, mas em geral grandes mudanças não são necessariamente agradáveis.

Mas, às vezes nossas vidas entram em um estado de estagnação. E tendemos a nos acomodar, se a situação for favorável a nós, mas, por outro lado, tendemos a nos rebelar quando a situação nos é desfavorável. Acomodação é fácil. Rebeldia, não. 

O rebelde com a vida estagnada precisa, ao menos temporariamente, adaptar-se também à estagnação. Ele não se submete à estagnação em caráter definitivo, mas ajusta-se, em estado de alerta, na expectativa de que mais dia, menos dia, uma brecha nas muralhas da rotina se abrirá e ele, o rebelde, tramará e agirá em busca de uma fuga libertadora.

Assim, esse estado de alerta, essa capacidade de se moldar aos acontecimentos da vida, esse estado de prontidão para a mudança, essa submissão provisória, tudo compõe um verdadeiro processo de vida, e este processo é um processo de crescimento e amadurecimento pessoal, e ele requer atenção e reavaliação constante. 

Chamemos um modo de vida de filosofia de vida. Ora, somente com uma verdadeira reavaliação de nosso modo de vida, de nossa filosofia de vida, é que podemos saber quando acomodar ou quando buscar novas oportunidades que se apresentam em nossos horizontes. E, além disso, é mister lembrar que a vida nunca para por muito tempo. Não a nossa vida moderna, ocidental, dita civilizada. O mundo muda com mais rapidez do que somos capazes de acompanhar. Por vezes, as mudanças geram um padrão de acontecimentos no tempo que se assemelham à rotina, mas é uma rotina ilusória. 

A mudança do mundo é contínua, e portanto, se quisermos viver uma vida na qual tenhamos mais oportunidades de buscar satisfação para nossos anseios, desejos e sonhos, temos que estar o tempo todo observando este mudar do mundo à nossa volta. Precisamos ajustar nosso modo de vida, nossa filosofia de vida, e continuamente, às mudanças no mundo à nossa volta. Do contrário, o mundo continuará com suas mudanças, mas nós não. Nós ficaremos presos a um modo de pensar e viver que nos fossiliza e nos torna humanos anacrônicos, ultrapassados, lentos e incapazes de navegar nas ondas do tempo presente. Vivemos, é verdade, mas não fazemos mais parte da vanguarda do mundo, e a nós são relegadas as sobras que o mundo não digere, os retalhos e as migalhas que os mais adaptados não querem, ou não precisam.

Estagnar-se mentalmente é, enfim, fossilizar-se em um mundo caleidoscópico que não tem tempo para dar atenção a nós, retardatários. 

Este é o mundo como ele é, e eu não sou o responsável por ele ser assim e não de outra maneira. Não há sentido em se rebelar contra a instabilidade do mundo, assim como não faz sentido se rebelar contra o nascer e o pôr do sol. 

Precisamos de uma reavaliação filosófica contínua porque o mundo muda continuamente. Esta foi e é a minha resposta à oitava pergunta.

Conformando-se com o mínimo

Às vezes, nossas vidas se encontram em situações tais que parecem-nos becos sem saída. Quando isso ocorre, muitas vezes a melhor coisa a fazer é deixar o tempo passar e a vida tomar novo rumo por si só, porque nada dura para sempre, e quase  nada está sob nosso controle, de maneira que nossas expectativas quanto ao futuro nem sempre, aliás quase sempre, não se confirmam, e o labirinto de ontem se torna o amplo caminho de hoje e de amanhã.

Em 2001 eu fiz minha série de perguntas difíceis, as quais anotei em minha agenda, para que fossem fixadas ao longo do tempo. Já falei sobre seis delas nos posts passados. Agora, falo sobre a sétima pergunta.

Ao longo da perguntas anteriores, eu flertei com o fracasso, porque não tinha disposição para despender um esforço maior para mudar minha vida naquele momento, naquele difícil ano de 2001. Pensei em voltar a escrever livros, mas estava traumatizado demais para tentar acender a brasa de um sonho que parecia naquele momento uma brasa morta, apagada. Então, só me restava a alternativa de ir tocando a vida, dia após dia, com meu emprego desagradável e sem perspectivas. Eu não seria nem um administrador de empresas, apesar de ter estudado para ser um deles, nem seria escritor, apesar de ter ensaiado uma investida nesta carreira em anos anteriores. Não. Eu seria apenas um funcionário público que cumpriria dolorosamente todos os dias a rotina de ir para o trabalho, ano após ano, até a aposentadoria, trinta anos depois. Era desanimador, mas era esta a minha expectativa naquele momento.

Então fiz, resignado, a sétima pergunta:

Como se conformar com o mínimo?

A pergunta é triste, admito agora. É a pergunta que deveria ser feita por um presidiário, um condenado à prisão perpétua, um pária do mundo.

Que mínimo é este?

Na época, era o mínimo de estar vivendo uma vida que em nada se adequava àquilo que eu julgava ser uma vida estimulante e vigorosa. Eu estava no emprego errado, no lugar errado, rodeado das pessoas erradas, e sem uma rota de fuga. Além do mais, sem planos e sem dinheiro.

Como responder a esta pergunta?

A única resposta, a resposta típica de um prisioneiro cuja realidade única é a vida sem alternativas, é a de que, diante de um fato consumado, cuja verdade e inexorabilidade era inquestionável, eu não tinha poder para mudar a situação do meu mundo exterior, mas, se quisesse permanecer com a mente sã e preservar minha vida, eu precisaria promover uma verdadeira revolução interior. Do contrário, acabaria enlouquecendo, ou buscando uma saída que me traria ainda mais problemas do que aqueles que eu já enfrentava. Eu não tinha poder para melhorar minha vida, mas tinha poder de sobra para piorá-la. E isso era tudo o que eu não queria.

Se quisesse me conformar com aquela vida mínima em perspectivas e oportunidades, eu precisava fazer uma mudança no meu modo de pensar. Já que não podia mudar o mundo, eu precisaria mudar a mim mesmo. 

Não se pode se rebelar contra as montanhas.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Meu fracasso como escritor

Eu disse em minha postagem anterior que em 1996 eu tentei dar asas a um sonho pessoal, mas as coisas não deram certo. Este pequeno episódio requer alguma atenção, se quisermos dar prosseguimento à minha sexta pergunta, da série que fiz em determinado momento de minha vida.

Também na postagem anterior, eu disse que em 2001 eu vivia um conflito entre o desejo de seguir minha carreira de administrador, mas não podia largar meu emprego, porque precisava comer e beber, e pagar minhas contas. Eu questionava minha inércia, mas tenho que levar em conta que em 1996 eu já tentara uma aventura no mundo dos negócios.

Então, depois de me sentir estimulado pelo sucesso de Bill Gates, mas impedido de exercer minha profissão de administrador em virtude de ser um funcionário público, tentei uma solução conciliatória, algo em que eu pudesse aplicar meus conhecimentos e minha criatividade, e que não infringisse as normas de meu emprego público. Então fiz a seguinte pergunta, a sexta:

Por que não fundir a carreira de administrador e de escritor?

Quanto à carreira de administrador, já disse na postagem anterior que era um desejo muito forte, premente, mas, e quanto à suposta carreira de escritor? Que história é esta?

Em 1996 eu cursava meu último ano de faculdade. No final de 1995, eu deixei um emprego público no qual eu tinha estabilidade e uma carreira segura a seguir e passei a viver do dinheiro que juntei ao longo dos anos. Sem precisar trabalhar, e preso a um curso prestes a terminar, resolvi dedicar o ano de 1996 à aventura de ser um escritor.

Li bastante, inspirei-me e acabei escrevendo um pequeno romance. Depois, resolvi abrir uma pequena editora e publicá-lo. Era parte de meus planos ganhar algum dinheiro com a venda deste livro, e eu vivi um ano muito proveitoso, mas no final, algo deu errado, problemas familiares me forçaram a seguir outro rumo e abandonar meus planos de vender e viver de livros e terminei os últimos dias de faculdade em um novo emprego, como estagiário de uma ONG. Era o adeus a um sonho que eu acalentara, mas que morria sem frutificar.

Foi por meio de um livro de autoajuda que eu elaborei este sonho, e certamente falarei sobre esta experiência em uma postagem futura, mas no fim, nada do que fiz foi capaz de deter o meu fracasso, e dei como encerrada minha malfadada carreira de escritor.

Mas, em 2001, ao fazer a sexta pergunta, o sonho ainda estava lá, no fundo, clamando seu direito à vida.

Mas, pensei melhor e disse a mim mesmo que a resposta a essa sexta pergunta era um retumbante "porque não e ponto final".

Não. Eu não deveria fundir a carreira de administrador à carreira de escritor, porque já era um funcionário público, e em 2001 a vida era outra, e eu não mais podia me dar ao luxo de aventuras e sonhos, porque não tinha mais o dinheiro que permitira aquele extravagante ano de 1996. Escrever toma tempo, vender livros é um afazer que pode se transformar em um pesadelo, e eu tinha dentro de mim muita dor e mágoa pelo sofrimento que passei no fim daquela aventura. Eu estava traumatizado.

Mas quem é que não fica traumatizado diante de um fracasso logo na primeira tentativa? Eu sei, um empreendedor de verdade não deveria desistir na primeira barreira, mas, sabe, na verdade, eu não queria mais saber de ser escritor, nem queria mais saber de administrar empresas, e nem queria mais saber de ser um funcionário público pelo resto da vida. Eu estava deprimido, esta era a verdade, e decidi que não faria nada, não faria nada mais do que o mínimo para ir levando a vida. 

Eu tinha 31 anos e estava bem no fundo de um poço.

Desolado, parti então para sétima pergunta.

A sétima.