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sexta-feira, 26 de julho de 2013

A fortuna ao meu alcance

A fortuna, entendida como riqueza material, como acúmulo de dinheiro, é algo que em determinado momento de minha vida desejei fortemente, não posso negar.

Mas desejar algo fortemente não é a mesma coisa que lutar para se conseguir este algo. Eu desejei fortemente, mas nada fiz para alcançar este objetivo. Eu simplesmente desejava, como um cão deseja o bife sobre a mesa de um restaurante no qual não pode entrar ou um garotinho deseja conhecer aquele herói de desenho animado que não existe na vida real.

Por que eu desejei a fortuna em determinado momento de minha vida?

Ora, é uma longa história.

Sei que desejei a fortuna porque deixei registrada em minhas anotações pessoais uma pergunta, a quinta de uma série, e que está diretamente relacionada a esse desejo.

Em minha quarta pergunta, cheguei à conclusão de que se eu quisesse ter algum sucesso em minha vida, eu teria que olhar primeiro para meu próprio umbigo e resolver meu problema principal, que deduzi ser a inércia como modo de vida.

Eu disse também que quando fiz essa série de perguntas embaraçosas, em 2001, eu já era formado a cinco anos em administração de empresas, e sentia uma forte frustração por não ter obtido até então nenhuma satisfação financeira ou psicológica decorrente de ter cursado o ensino superior.

Ora, se meu problema era a inércia, porque eu simplesmente não punha mãos à obra e me aventurava a seguir meus sonhos de ser empreendedor e ganhar dinheiro?

O problema é que eu já tentara isto, e ainda bem cedo, em 1996, quando cursava meu último ano de faculdade. Mas as coisas deram errado e em 2001 não havia a menor possibilidade de eu fazer uma segunda tentativa de ser empreendedor, porque então eu já estava atolado em um emprego que não só tolhia minha criatividade, minha vontade de viver e minhas esperanças futuras, como ainda bloqueava juridicamente a possibilidade de eu exercer a profissão que eu escolhera, de maneira que tentar o empreendedorismo em 2001 estava fora de cogitação.

Se por um lado eu sabia que minha vida estava estagnada em razão de minha inércia, por outro eu sabia que se eu tentasse romper a inércia e procurasse empreender alguma coisa, estaria impedido em função do emprego em que estava atolado. Era uma situação muito ruim de se viver, aquela na qual eu estava em 2001.

Então, eu poderia dar de ombros e deixar de lado meu espírito empreendedor, porque, afinal de contas, eu já estava com um emprego, fosse ele bem ou mal tolerado pelos meus gostos pessoais. Afinal, era um emprego seguro e garantido.

Mas, havia algo que me atormentava.

As pessoas em geral não estão acostumadas a pensar a longo prazo. Quase ninguém faz as coisas no dia-a-dia pensando nas consequências daqui a cinco, dez, vinte anos no futuro. Eu também não era acostumado a pensar assim, mas depois de ter estudado administração, essa forma de pensar, essa preocupação com o futuro passou a ser um hábito, ou um vício, em minha vida. Claro, não aprendi sobre como pensar no futuro apenas nos livros de administração. Aprendi também nos livros de autoajuda, mas deixarei para um outro momento esclarecer sobre como e onde obtive esse aprendizado. Por enquanto, é suficiente saber que passei a pensar no futuro como um horizonte mais amplo, e esta maneira de pensar me trouxe também algumas angústias que eu não tinha como evitar naquele momento de minha vida.

Qual deveria ser a minha sensação, ao me imaginar naquele mesmo emprego por mais vinte anos sem nenhuma mudança séria na rotina de trabalho? O que eu estava obtendo eu continuaria a obter, e essa perspectiva não era boa. Pelo contrário. Era angustiante.

É verdade que passados tantos anos depois de ter anotado minhas preocupações em 2001 a vida deu um novo rumo às minhas previsões e as coisas que eu temia não foram todas concretizadas, e oportunidades imprevistas surgiram para atuar em meu benefício, mas até então, minha limitada capacidade de antever o andar das coisas não me poupou de sentir as angústias que senti. Hoje, eu não teria tantos temores quanto ao futuro, mas naquela época, sim. Afinal, não havia ninguém para me ensinar, e o aprendizado solitário é sempre um caminho difícil e lento. Eu fui aprendendo com meus erros, eu acho, e hoje erro menos em minhas previsões. A vida é assim mesmo.

Eu deveria estar satisfeito em ter um emprego seguro, mas algo em minha mente indicava que eu não estava satisfeito. Por que eu não estava satisfeito?

Eu não estava satisfeito porque, embora eu tivesse um emprego seguro, eu sabia que era jovem e poderia obter mais da vida, muito além do que eu poderia obter somente com aquele emprego.

E eu sabia que poderia obter mais porque outras pessoas estavam obtendo mais da vida do que simplesmente um salário limitado no final de um mês sofrido. Mas, afinal, quem eu conhecia pessoalmente que estava obtendo mais do que eu próprio, que justificasse essa minha esperança em ter uma eventual fortuna ao meu alcance?

Pessoalmente eu não conhecia ninguém, mas eu era um administrador de empresas, e como administrador de empresas, eu tinha os empreendedores como modelos. E quem era o grande modelo em 2001, que despertava a inveja, a ira, o ciúme e ao mesmo tempo a admiração, a simpatia e o orgulho de grande parte do mundo civilizado?

Era Bill Gates, o homem mais rico do mundo, bilionário com pouco mais de trinta anos, uma pessoa de outro país, de um outro ramo de negócios, enfim, uma figura quase ficcional, mas nem por isso irreal e impossível de ser entendido, compreendido, e por que não, imitado.

Bill Gates é uma figura pública diretamente ligada ao mundo da tecnologia dos computadores. Eu só havia ouvido falar dele em 1994, quando comprei meu primeiro computador pessoal. Desde então, eu tenho acompanhado a evolução de sua empresa, seus produtos, suas ideias e sua vida em geral. Evidentemente que o admiro, mas não como um ídolo. Em 2001, eu o via apenas como um caso extremo de sucesso rápido, porque não conhecia outros mais surpreendentes. Ao longo dos anos, depois de 2001, tivemos a oportunidade de ver pessoas ficando ricas de maneira ainda mais rápida e impressionante, deixando claro para mim que eu não estava errado ao ter Bill Gates como um exemplo de empreendedor a ser seguido. Eu sabia e sei de minhas limitações, mas Bill Gates e todos os milionários do mundo também possuem limitações. Por que eu não poderia me tornar uma pessoa rica um dia? Ora, a fortuna estava ao alcance de qualquer um que se atrevesse a buscá-la. Por que eu não poderia me atrever ao mesmo? O que havia de errado comigo?

Então, fiz a minha quinta pergunta em minha agenda de anotações:

Por que Bill Gates não deixa minha consciência dormir em paz?

Esta foi uma pergunta sincera, verdadeira e direta. Eu poderia estar dormindo em paz todas as noites, seguro em meu emprego público não satisfatório, limitado e duro, mas já garantido, seguindo aquele velho ditado popular, segundo o qual mais vale um pássaro nas mãos do que dois voando, mas não dormia feliz.

Eu não poderia dormir em paz porque eu sabia que a longo prazo, mesmo com um salário garantido e uma aposentadoria certa, eu jamais teria o prazer de estar fazendo aquilo que eu gostaria de fazer, eu jamais iria ser dono de meu próprio nariz e eu jamais seria dono de meu próprio tempo e destino. O conforto momentâneo em que eu estava profissionalmente era apenas um engodo, uma ilusão, e quando eu me aposentasse, seria tarde demais para qualquer retomada de sonhos a muito esquecidos, e eu não queria abrir mão deles, de maneira nenhuma.

Bill Gates seria sempre uma figura a brilhar ao longe, a dizer-me que eu era um acomodado, um inerte, um fracassado, alguém que tentou, mas ficou pelo caminho, incapaz de se desenredar da rotina do dia-a-dia de um emprego sem sentido e frustrante, apenas porque se deixou seduzir pela segurança e pelo canto da sereia da estabilidade do serviço público.

Eu não queria viver o resto de minha vida trabalhando naquele serviço público. Não sabia como me livrar dele, mas tinha esperança de que a fortuna poderia estar ao meu alcance, e Bill Gates era a prova viva de que a fortuna era possível.

Inconformado, pensei em alternativas.

E, em desespero, continuei a fazer perguntas.

domingo, 26 de maio de 2013

Coisas fáceis são difíceis

Quando as regras para o sucesso na vida parecem não funcionar, questione as regras, eu disse aqui.

Acontece que a vida geralmente nunca parece funcionar. Ao menos para nós, pessoas comuns, que não somos agraciados com a sorte que poderia nos sorrir e fazer nossa jornada menos áspera e longa.

E, já que a vida de quase todo mundo é dura, não faz sentido ficar contando o óbvio, o comum, o normal. Nós, sofredores do dia-a-dia, não precisamos de solidariedade de outros sofredores. Claro, é consolador saber que há muita gente em situação igual à nossa, e mais gente ainda em situação pior, e este conhecimento torna nossa dor menos forte, mas este conhecimento não nos faz livres do sofrimento. Apenas constatamos que o mundo não é um lugar fácil de se viver, e sentimos por vezes mais tristeza que algum incremento de esperança.

Mas, quando ouvimos algo que nos diz que há atalhos, que há pessoas que conseguiram, ainda que apenas momentaneamente, sair da roda de ratos em que estamos acostumados a viver, então passamos a prestar atenção à história que nos é contada. Histórias de sofrimento e fracasso não nos impressiona, mas histórias de sucesso são com bálsamo para nosso sofrimento diário. Histórias de sucesso são atraentes, chamam a atenção, despertam a curiosidade e nos fazem pensar se é possível descobrir qual a causa deste sucesso em particular, como a pessoa afortunada conseguiu o que conseguiu, e assim por diante.

Histórias de sucesso fazem nossos olhos brilharem.

Como é que aquele cidadão comum, que todos conhecem, passou a viver em uma situação tão melhor que a nossa? O que ele fez? Foi sorte ou foi esforço inteligente e dedicado? Podemos seguir o exemplo dele ou ele é especial, dotado de recursos incomuns, inacessíveis ao cidadão comum?

Essas perguntas fazem nossa curiosidade comichar. Daí que pessoas famosas ficam famosas. Elas, de alguma forma, saem, ou aparentam sair, da roda de ratos da vida comum e passam a levar um estilo de vida glamouroso, diferenciado, sofisticado, único. Isto é o que nos dizem as diversas mídias que vivem em função deste tipo de pessoas.

E o mundo todo para e senta para olhá-los.

Acontece que, na prática, as coisas não funcionam assim. Milhões de garotos tentarão ser atletas, mas apenas algumas centenas brilharão. Milhões de meninas rebocarão os lábios com batons na busca de serem a nova celebridade nas passarelas, mas apenas uma dezena delas terá realmente algum ganho financeiro com isto ao longo de alguns anos de glória seguidos de duro anonimato e silêncio. Milhões de universitários sonharão, nos bancos das faculdades, com a fundação de empresas que os tornarão bilionários em poucos anos. A realidade acabará por convencê-los de que um diploma é útil, mas que os bilhões são quase impossíveis de serem ganhos.

Mas, ainda assim, a mídia continua nos bombardeando com casos e mais casos de sucesso, como se fosse muito fácil alcançar algo que em geral nos parece muito difícil.

Coisas fáceis são difíceis. Esta deveria ser uma lei da vida. E é, exceto que ela não nos é ensinada. Quer dizer, ao menos eu ainda não a conhecia da forma como a exponho agora.

Então, como vim a saber que coisas fáceis são difíceis?

A caderneta de capa marrom ajudou-me nesta lição. Sim, porque uma simples caderneta de capa marrom não pode fazer mais que já faz toda caderneta, marrom ou não. Ela não torna mais fácil a vida. Ela é apenas um pequeno parafuso numa grande, gigantesca máquina cheia de engrenagens, que é a nossa vida. Se alguém disser que ficou rico ou famoso ou obteve qualquer melhoria de vida que seja em função unicamente de um pequeno artifício qualquer que seja simples e acessível a qualquer cidadão sem que se exija dele esforço algum maior, então desconfie. Coisas fáceis não são comuns. Atalhos são coisas raras. Investigue melhor e descobrirá por trás da história de sucesso algo óbvio tal como sorte, acaso biológico, oportunidade única, desonestidade ou mesmo uma janela de oportunidade, agora fechada para sempre para quem chegou depois, e também fechada para quem veio antes.

Eu pensei muito sobre o sucesso fácil.

Pensei muito.

Eu direi aqui, neste blog, sobre tudo o que pensei.

Prometo.

sábado, 6 de abril de 2013

O que são desejos?


A imagem acima, obviamente vinda do Facebook, retrata bem o sentimento desta recente postagem: Ordem Mental.

De onde vem esses infinitos desejos os quais não conseguimos satisfazer, nem nos livrar, sem que sintamos a tristeza de vermos nossos passados como um frio cemitério como o da foto acima?

Não era para ser assim, nosso passado não realizado.

Não é assim que eu gostaria de ver o meu passado.

Um desejo não realizado não deveria ser como a morte de uma parte de nós mesmos. Cada lápide acima não contém nada que não seja fruto de nossas próprias mentes, de maneira que somos nós que criamos essas ilusões todas, essas expectativas todas, e nos frustramos, porque a vida é dura, e sonhos são somente isto: imagens mentais mais ou menos elaboradas cuja realidade insistimos em criar, como se fôssemos deuses potentes existindo em função de nós mesmos, e de nosso ego insatisfeito.

O que são desejos?

São nossas criações, ou somos apenas iludidos de que os criamos, não passando eles de meras criações alheias postas a ferro e fogo, sem nosso conhecimento, sem nosso apoio, e sem dor, em nossas pobres mentes vulneráveis e maleáveis?

Quem quer um carro? Você ou a indústria automobilística? Este sonho é seu mesmo? Tem certeza?

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Aos sonhadores do mundo

Todo mundo conhece aquela frase da música de John Lennon: "você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único".

Pois bem, eu afirmo categoricamente que sou um sonhador.

Mas, sou o único? Será que John Lennon estava errado?

Não, claro que não. Há certamente muitíssimos sonhadores neste vasto mundo de Deus. Eu não sou o único.

Mas o que sonham os sonhadores?

Imaginam um mundo sem fronteiras?

Imaginam um mundo sem dinheiro?

Imaginam um mundo sem posses?

Imaginam um mundo sem religião, ou sem Deus?

Com o que sonham os sonhadores?

Meu grande temor é que os sonhadores sejam muitos, mas os sonhos não sejam os mesmos. E este temor é real, porque sonhos são sempre únicos. Uns sonham com um mundo sem fronteiras; outros sonham que criam muros e cercas, marcos e mapas, mais países e mais isolamento. Uns sonham com um mundo sem dinheiro; outros sonham com um mundo com um dinheiro único, e outros ainda sonham em criar mais um novo tipo de dinheiro, que venha incrementar ainda mais a complexidade dos valores do mundo. Enfim, sonhadores são fiéis apenas aos seus próprios sonhos, e quão mais aferrados são a eles, mais o mundo se divide. Defenda um sonho, e enfrentará infinitos inimigos.

Mas então, poderíamos sonhar que os sonhos fossem todos como massa de modelar.

Você tem um sonho; eu tenho um sonho. Você luta pelo seu sonho; eu luto pelo meu. Então, em um determinado dia, nossos sonhos colidem. Mas nossos sonhos, que não são de vidro, não se despedaçam com esta colisão, e nós não nos tornamos inimigos por isso. Nossos sonhos são cheirosas massas de modelar, e se fundem. Nosso sonho agora é um só, bem maior que nossos pequenos sonhos anteriores. E mais cheiroso!

Seus sonhos são de vidro ou de massa de modelar?

domingo, 11 de novembro de 2012

O sono e a morte

Eu disse aqui que uma das minhas citações foi de Cervantes.

Eu concluí esta postagem, relacionada com a anterior, do link acima, com uma frase sobre a semelhança entre o sono e a morte.

Eu disse:

"Se estar morto for como estar dormindo sem estar sonhando, então não deve ser tão ruim assim"

Como eu disse na postagem do primeiro link acima, eu não havia lido a frase da citação no livro de Cervantes no original. Simplesmente copiei um pequeno trecho de uma citação maior em outro livro, sobre sono.

Acontece que este livro sobre sono não citou tudo o que Sancho disse em sua fala.

Ontem, lendo o resto da frase, surpreendi-me. Sancho conclui sua fala dizendo:

"Só uma coisa má tem o sono, 
segundo tenho ouvido dizer: 
é parecer-se com a morte, porque, 
de um adormecido a um morto,
pouca diferença vai."

Ora, concluí eu e concluiu Sancho sobre o mesmo tema: o sono e a morte são muito parecidos, e se para ele isto pareceu algo mau ou assustador, a mim me parece tranquilizador, embora triste.

Costumo pensar no depois da morte como o que eu sentia antes de ter nascido.

Eu não sentia nada.

Eu não existia.

Se morrendo, deixo de existir, então, não deve ser tão ruim.

Não pode ser tão ruim.

Quaisquer que sejam as concepções filosóficas ou religiosas a respeito do antes e do depois de nossa existência individual, para mim não passam disto: concepções, talvez mais próximas de desejo ou ilusão que propriamente de algo baseado em algum fundamento.

Morrer é dormir sem sonhar.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Blog e filmes

Ultimamente, ando escrevendo sobre sonhos. Mas não é só: ando assistindo filmes em DVD como nunca. Também tenho ouvido muita música legal. Meu blog Sonhos Incríveis vai bem. Coloquei umas fotos que dão alguma orientação para o leitor, e acho que são sonhos legais.

Os filmes são muitos, mas mesmo os que são ruins acabam sendo bons.

Tem um deles, "Viagem Maldita", que é bem trash, com muito sangue falso e muita insanidade e sadismo, mas tem cenas muito interessantes. Pensar que os Estados Unidos fizeram 331 testes nucleares a céu aberto de 1945 a 1962, em uma média de 20 testes por ano, não deixa de ser assustador. O filme é uma crítica a isso, e as cenas do deserto do Novo México, com suas casas velhas com bonecos, suas crateras e seus carros queimados é asssustadoramente nostálgico. Acho que os anos 50 foram os anos mais imbecis do século. Claro, os anos 20 foram bem bobos, e os anos pré 1914 foram também ingenuamente românticos e vitorianos. Mas a ascensão do american way of life e suas bugigangas e seu ufanismo foi trágico. As cenas do começo do filme são estarrecedoras, embora o resto seja de doer de ruim.


Por fim, ando ouvindo trilhas sonoras clássicas. Muito bom, se pensar que comprei uma caixa com seis CDs só com músicas clássicas que foram temas de filmes por uma ninharia. Mas quem compraria esse tipo de música? Aliás, quem compraria qualquer tipo de música hoje em dia? Mesmo eu, que não sou muito ligado, acabei ganhando um MP4. É inevitável...

Por fim, resta meu micro, que não ajuda. Migrar dados de um velho Pentium 266 para um micro novo não é nada fácil. Nesta hora, acho que o MP4 será mais que útil.

E resta a questão da mega-sena. Que questão é esta?

Bem, deixa para a próxima postagem...


sexta-feira, 13 de julho de 2007

O registro público

Parece que o que não é escrito, cai no esquecimento. Então, por que não registrar sonhos incríveis?

Eu sei que sonhos são coisas muito pessoais, muito íntimas, mas também são coisas legais de serem compartilhadas. Claro que não vou colocar na Internet nenhum sonho muito íntimo, nem nada de escandaloso ou comprometedor.

Mas o que é um sonho comprometedor? Sonhar que cometo um crime, e depois confessar que sou, em sonhos, um assassino? Não, isso não é problema dos mais sérios. Se for coisa desse tipo, parece até interessante...


Eu sei que se muita gente lesse sobre meus sonhos, teria uma ideia peculiar de minha personalidade, de minha pessoa, e como há sonhos que, por serem muito pessoais, não despertam interesse em ninguém, poderão ser taxados de sonhos idiotas, sonhos bobos, sonhos sem graça e sonhos imbecis, mas tudo bem. Na verdade, ninguém lê coisa nenhuma que venha de mim, porque não faço propaganda e não sou muito regular com meus blogs, mas se lessem, eu seria certamente criticado.

Claro que os primeiros sonhos publicados no blog foram também os primeiros a serem registrados no dia em que foram sonhados, e portanto, eu não tinha muito tato na escolha do sonho. Os primeiros não são lá grande coisa, mas há, sim, sonhos muito legais. Acho que quem gosta de fantasia, exotismo, mistério, terror, ficção, futurismo, catástrofe, pânico, irá se divertir com as relatos.

Experimentem!


Ainda na ativa

Continuo vivo, e escrevendo.

Ando colocando em palavras uma série de sonhos que ando tendo nos últimos anos. Mas, para deixar a coisa pública, criei o blog "Sonhos Incríveis". Está ainda nos primeiros passos, mas já está firme.


quinta-feira, 10 de junho de 2004

Geral : Ninguém até agora...

Mensagem do dia:


“Durante dias, perguntei a mim mesmo o que se poderia fazer, mas, no fim de cada meditação, percebia claramente que eu, desconhecido como era, não possuía a menor base para qualquer ação útil”

Adolf Hitler

Não preciso perguntar quem é Hitler. A frase acima, dentro de seu contexto, explica o sentimento que tenho diante deste blog.

Hitler escreveu a frase acima no seu famoso livro “Mein Kampf”, ou, “Minha Luta”. A passagem acima refere-se ao período em que em Munique, decidiu entrar para a política. Assim, sirvo-me dessa passagem para ilustrar que todo começo provoca desânimo, descrença e vontade de desistir. Por que ficar escrevendo esse maldito blog se ninguém, a não ser eu, o lê, o critica ou sabe da sua existência?

Adolf Hitler

A Internet, com seus mais de 4 bilhões de páginas, virou o maior palheiro do planeta. Ninguém liga para ninguém, e tudo o que vemos são nossas caixas de correio eletrônico abarrotadas de spam, tentativas desesperadas e mesquinhas de nos venderem Viagra, cursos, soluções, celulares e megabites para nossos sites ignorados. Mais dia, menos dia, haverá 100 bilhões de páginas no mundo e cada cidadão do planeta tentará se destacar nessa gigantesca vitrine usando de seus vários giga de fotos, textos e links quebrados. Todos farão parte dessa imensa loteria global, na busca de seus 15 minutos de fama virtual, uma fama caracterizada por pages views, acessos por dia, número de associados, número de usuários ou, quem sabe, número de dólares em vendas. Essa batalha é desanimadora e não possuímos a menor base para qualquer ação útil, a não ser escrever mais e mais coisas a nosso respeito, colocar mais e mais fotos digitais em nossos blogs. Cada blog é uma pequena palha no grande palheiro global. Mais um produto num mundo só de produtos. A web democratizou a livre iniciativa, mas não há quem possa consumir tudo aquilo que é produzido. O site de buscas Google vale bilhões de dólares apenas por ser capaz de dizer que se você quer algo na web, esse algo existe. Mas o que vale o simples existir? Sites da web são extensões de nós mesmos. Os medíocres serão também virtualmente medíocres.


Tenho ouvido Carole King, The Doors, Hendrix e agora ouço Def Leppard, “Animal”, um clássico. Amo Def Leppard!

Mas vamos em frente. Tenho lido sobre sonhos lúcidos, e vejo que não é nada fácil tê-los. E tenho sentido muito ódio, um ódio perigoso. Um ódio político e social. Tenho vontade de entrar para a política e tentar mudar as coisas, mas ao mesmo tempo sinto um enorme desânimo. Acho que talvez devesse mudar de país, mas ao mesmo tempo acho isso uma derrota. Odeio meu atual serviço e não vejo uma saída honrada e pacífica para o problema, mas sei que qualquer tentativa de me mexer só me faz atolar mais nesse pântano de lama no qual fui me meter. O acaso nos coloca em cada situação! Ou não seremos nós os únicos responsáveis?Não sei. Só sei que chutaria o traseiro de certas pessoas sem pestanejar. Deixaria para trás um grupo de prédios que odeio ter de ir todos os dias, onde também trabalham algumas pessoas especialmente maldosas. Sei como as pessoas irritadas se sentem, como pessoas deprimidas se sentem, e como pessoas vingativas pensam, e em como um monte de problemas podem ser simplesmente eliminados, em vez de resolvidos. Mas os problemas estão ai para serem atacados, não eliminados. Não possuo a menor base para qualquer ação útil diante de uma série de problemas, mas isso é sintomático como uma febre. Algo vem pela frente.

Enquanto isso, vou baixando dezenas de wallpapers maravilhosos!

Minha mensagem do dia:

“Cada blog é uma palha no grande palheiro global ”

Rosenvaldo Simões de Souza

terça-feira, 8 de junho de 2004

Geral : Um monte de coisas - parte 2

Continuando...

Mudando o assunto para a Política, tenho pensado que talvez a melhor coisa que poderia surgir da fusão da Web com a Política seria o fim do sistema representativo. Isso mesmo: cada cidadão vota por si mesmo, sem a figura do político profissional, corrupto, falso, traidor, traiçoeiro e não confiável. Isso seria a glória da Democracia. O assunto é longo e merece muita atenção.

Tenho que relatar minha paixão por aviões. Nesses meses de frio, o céu no Centro-Oeste é quase sempre limpo como um cristal. E como o ar da alta atmosfera está sempre muito frio, vez por outra posso ver o rastro de condensação atmosférica deixado pela passagem de algum avião muito, muito ao longe. É simplesmente fantástico. Não se vê nada, a não ser um risco muito, muito longe. A quantos quilômetros está esse avião de onde estou? Cinqüenta, cem quilômetros? Um show.

Mas show mesmo no céu foi a passagem por sobre Goiânia, numa tarde nublada dessas, de uma esquadrilha de oito caças da FAB. Uma formação em V, com cinco AMX na parte interna e dois Mirage nas laterais. Um terceiro Mirage, vários quilômetros mais atrás, retardatário, acelerando quase que a ponto de quebrar a barreira do som buscando alcançar os demais. Um show! Passaram e se foram em poucos segundos.

Tive um sonho muito doido. Sonhei com um mundo futuro, a mil, dois mil anos a frente do nosso mundo atual. Sim, mas nada de tecnologias óbvias. Aliás, de um modo geral, tudo até muito parecido com o nosso mundo de 2004, exceto por algumas coisinhas, como, digamos, as balas e chicletes da criançada, ou as canetas dos policiais dos parques, ou mesmo a maneira como a garotada controlava a bola numa pelada de futebol. Tudo muito, muito bizarro e louco.


E sonhei também com um parque temático americano. Sim, sonhei com o Parque Temático do 11 de Setembro. Acreditem se quiserem.

Sonhei também com os barrancos do abismo, e ele era escorregadio. Mas nós os vencemos, eu e meu rotweiller, o Schubert, Bom Cachorro! E além, um pântano africano leitoso e seu palácio inacabado.

Mas nem tudo foram sonhos nesses últimos dias. No sábado à noite, a vida real mostrou um pouco do seu lado pesadelo. Enquanto eu passeava por entre a multidão de mulheres na famosa Feira da Lua de Goiânia, alguém muito esperto enfiou a mão na minha mochila e roubou minha carteira, com tudo. Documentos, todos, dinheiro, etc. Fui registrar ocorrência na delegacia de polícia de plantão, e, pensando no que significa tudo isso a longo prazo, perdi a esperança no Brasil.

Para dizer a verdade, nunca acreditei um segundo sequer nessa ladainha que venho ouvindo desde que tenho seis anos de idade, a de que o Brasil é o país do futuro. O Brasil, agora tenho certeza, foi, é, e sempre será, um fracasso. O último que sair que apague a luz. Desejo ardentemente que tudo se resolva por meio de uma guerra civil, uma guerra que rebente essa imensa porcaria em cinco ou seis pedaços, como a Iugoslávia, e que cada gueto que se vire com os seus. Ou que uma peste, um megavírus, dizime um terço da população, para o meu bem ou para o meu mal. Uma coisa é certa: sem um trauma profundo, um terremoto social, esse país está definitivamente condenado a seguir a Somália e a Eritréia. Acho que já ultrapassamos um limiar considerado irreversível.

Por falar em desespero social, falta no Brasil um sistema eficiente de achados e perdidos. Não acredito que isso possa ser feito pelo governo, mas acho que o ramo não desperta interesse financeiro na iniciativa privada. Mas que é uma necessidade social, isto é.

E, por fim, sonhei com meus talheres publicitários. O que é isso? É a fusão de duas idéias reais no mundo dos sonhos. A ideia de talheres publicitários é uma estratégia de marketing que, segundo minha teoria, pode ser uma coisa bacana. Mas, no sonho, a coisa se sofisticou, e virou algo bastante curioso e louco. Pratos publicitários!


Minha mensagem do dia:

“Sonhei com os barrancos do abismo, e ele era escorregadio. Mas nós os vencemos... ”

Rosenvaldo Simões de Souza

Geral : Um monte de coisas - parte 1

Mensagem do dia:

“A sabedoria é a compreensão do eu e do mundo. Nenhum deles pode ser ignorado”

Miroslav Holub

Quem é Miroslav Holub? Mais uma vez, não sei quem é, mas sei de onde tirei a frase: de uma revista Seleções de Reader’s Digest. Acho que é uma boa tentativa de se definir o que seja sabedoria, embora não seja uma definição completa. Mas aí já é querer demais.

O que ando fazendo? Ouvindo muito Creed e Evanescence. Como é que eu não conheci Evanescence antes?

Como disse na minha última mensagem, andei pensando muito em sono e sonhos. Estou tentando colocar meu sono em ordem. Está difícil, mas eu estou me esforçando.

Quanto aos sonhos premonitórios, quero destacar, a título de memória, os sonhos que tive sobre tornados, iguais aos que arrasam Los Angeles no filme “O dia depois de amanhã”. Foi muita, muita coincidência. Eu já havia visto aquele monte de tornado junto arrasando uma grande cidade em meus sonhos. Exatamente como no filme. Claro, meu sonho foi muito, mas muito mesmo, mais louco e legal que o filme, mas isso é outra história. Acreditem!

Outro sonho muito estranho foi um que tive a cerca de 25 anos atrás, sobre um cemitério muito estranho, sobre um morro. Tive uma sensação de deja vu quando estive em Joinville no começo de 2004. Quem conhece Joinville deve saber que o cemitério desta cidade fica sobre um morro dentro da cidade. É quase surreal. E eu sonhei com algo muito, muito parecido com o cemitério de Joinville quando eu tinha cinco, seis anos de idade. Nunca tinha nem ouvido falar em Joinville. Nesta época eu morava em Tujuguaba, interior de São Paulo, e nem televisão nós tínhamos em casa.


Outra coincidência: conversando com meu irmão, ele me informou sobre um primo nosso, que teve um começo de infarto e não estava muito bem. Eu havia passado todo o dia anterior pensando nesse primo. Sonhei com ele. No sonho, eu o abraçava carinhosamente, meu irmão o abraçava. Achei muito estranho o sonho, e não conseguia entender a afeição que senti por esse meu primo, com o qual nunca tivemos, eu e meu irmão, muita intimidade, porque esse meu primo é bem mais velho que nós. Então tudo ganhou um ar de premonição com a notícia de seu estado de saúde.

E meu irmão, que virou papai por esses dias, sonhou que estava na garupa de uma moto de um amigo que ele não via a muito tempo, que mora em Limeira, São Paulo. Quando o filho de meu irmão nasceu, a alguns dias atrás, por um acaso ele, o bebê, veio a nascer em Limeira, e meu irmão, como que por um outro acaso do destino, de repente se viu de fato na garupa da moto do amigo com o qual havia sonhado algum tempo antes. Meu irmão me reportou essa sensação de deja vu, misteriosa, que acompanha essas estranhas coincidências. Sonhos premonitórios?

Continua na mensagem seguinte...

segunda-feira, 31 de maio de 2004

Geral : Help me I'm a rock!

Mensagem do dia:

"Help me I'm a rock"

Frank Zappa

É isso: resolvi mudar o nome do blog de Metamorphose para Master Flow, porque, afinal, tem mais a ver com o tipo de assunto que eu ando escrevendo. E Metamorphose não tem nada a ver. Não significa nada.

Andei vendo alguns filmes no fim de semana. O primeiro deles foi no Telecine, na Net. Mothman, ou A Profecia, no Brasil, com Richard Gere.

É um filme que trata de coisas interessantes. Já havia visto o filme antes, mas, de qualquer forma, ele me fez perceber detalhes que eu não havia percebido nas outras duas vezes anteriores que eu o havia visto. Ele merece toda uma postagem à parte. Prometo que um dia falarei mais sobre esse filme e suas implicações.


Outro filme que vi foi The Day After Tomorrow, ou O Dia Depois de Amanhã. Muito bacana, com efeitos fantásticos, embora com alguns clichês inevitáveis. Alguns comentários cabem com relação ao mundo militar, ao mundo político e ao mundo científico. O aspecto militar do filme me fez ver uma segunda função estratégica para a parafernália militar do mundo. O aspecto político deixa na boca um gosto de ingenuidade primeiro mundista. A fronteira do México jamais seria fechada conforme ocorre no filme se uma eventualidade forçasse americanos a rumar em massa para o Sul. Certamente as coisas seriam politicamente bastante diferentes. E o aspecto científico, afora a obviedade da questão do tempo levado no processo, me fez aventar uma segunda hipótese para o modelo do clima, e que poderia gerar uma excelente filme também, no futuro: e se o clima não esfriasse, mas esquentasse, até 60, 70 graus Célcius em um prazo de poucas semanas? Como é que um filme assim se desenrolaria? Seria certamente bastante fascinante de se assistir. Mas tudo isto merece ser melhor comentado e desenvolvido.

Claro, sonhei também com um fabuloso grupo de helicópteros alugados por empresas de exploração geológica. Um show de design aeronáutico. Só mesmo um software 3D para mostrar o que vi enquanto dormia.

É isso.

Minha mensagem do dia:

"Sem ser atualizado, o blog é como um jornal velho que costumamos ver sobre os balcões dos açougues, exceto que não podemos embrulhar carne nele"

Rosenvaldo Simões de Souza