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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A riqueza dos acervos digitais

Eu disse nesta postagem que um blog desatualizado é como um jornal velho daqueles que usamos nos açougues, exceto que não podemos embrulhar carne nele.

Essa constatação contém aparentemente um certo desdém para com os jornais tradicionais, que uma vez comprados, quer sejam lidos ou não, perdem, se não a validade, pelo menos o interesse por parte de seus consumidores e são rapidamente descartados das mais diversas maneiras.

Eu cito os açougues por mero gracejo. Antigamente, os açougues eram pequenos estabelecimentos que de fato usavam jornais velhos para embrulhar carne. Era uma forma de reciclagem razoavelmente correta. A carne era embrulhada primeiro em uma fina película de plástico e depois no jornal. Em cidades pequenas, isso era e ainda creio que seja coisa comum. 

Chegando em casa, as pessoas davam os mais diversos destinos aos jornais: reutilizavam-no para novos embrulhos, jogavam fora, ou mesmo liam alguma notícia velha por mera curiosidade.

Este é o ponto: que valor tem uma notícia velha de um jornal qualquer para um eventual leitor que tope com ela por mero acaso?

Em geral, nenhum valor. Afinal, há dezenas, centenas, milhares de empresas que produzem notícias impressas mundo afora. Logo, produzir notícia é um negócio como qualquer outro, exceto que os jornais precisam produzir em geral mais notícias que outras fontes de informação, como livros e revistas, porque circulam mais frequentemente. Mas nem tudo no mundo é digno de ser noticiado. Logo, temos que aceitar que nem todas as notícias veiculadas em um jornal de frequência diária, por exemplo, possui a mesma importância, urgência ou relevância. Há muita coisa trivial, inócua, dispensável.

A curto prazo, são informações de alguma utilidade, mas passado um certo tempo, que pode ser um mês, um semestre ou um ano, vários anos, passam a ser meros traços no papel. Ninguém se dá ao trabalho ou à perda de tempo de ler uma página trivial de um jornal de cinco anos atrás. Talvez a manchete da página principal tenha algum sentido ainda, evoque algo no presente, mas o resto muito provavelmente não.

Mas, o tempo passa e aquela pequena notícia inexpressível ganha um novo tom. Depois de um século, um simples anúncio de compra ou venda passa a incorporar os cacoetes de uma época, e então, já não é o caso de ter valor prático, mas passa a ter valor histórico. Registra os costumes de um momento não mais acessível pelas pessoas vivas. As pessoas que leram essa pequena notícia no dia em que foi publicada já estão todas mortas a muito tempo. Só a notícia sobrevive, como uma pegada fóssil de um ser que não pudemos conhecer em vida.

Mas, se uma notícia hoje tida como trivial não puder perdurar para além de uma década? E se todos os jornais publicados virarem embrulhos de açougue e depois acabarem nas latas de lixo? Como as gerações futuras poderão saber como nós hoje vivemos e pensamos?

Daí a importância dos acervos. 

Jornais de grande circulação e que existem a longos anos, alguns deles centenários, sabem da importância de se preservar seu trabalho na forma de um acervo. Muitas empresas publicadoras de material impresso, como jornais e revistas, já tiveram o trabalho de disponibilizar seus acervos ao público por meio da internet.

No Brasil, só como um exemplo, temos acervos digitais parciais ou completos, públicos, gratuitos ou pagos, dos principais veículos de comunicação, tais como a jornal O Estado de São Paulo, a revista Superinteressante, a revista Exame, a revista Veja, dentre outros.

Acervos são coisas fascinantes. A quantidade de informação é enorme. O registro do conhecimento se dá de maneira cumulativa, e em geral, a notícia que é trivial e inexpressiva isoladamente ganha relevo quando faz parte de um conjunto histórico maior. Passamos a vê-la como parte de um todo no tempo, como uma célula em um corpo vivo que flui do passado para o presente e mira o futuro, e essa visão nos é de uma riqueza ímpar, porque, afinal, o todo é rico. Logo, suas partes também o são.

Mas, não era cada uma dessas milhares de notícias uma mera tira de papel sem sentido e destinada somente ao lixo e ao fogo, quando não ao embrulho das linguiças e toucinhos?

Não somos capazes de consumir esses acervos. Sinto-me como alguém que tem que dragar um oceano com o auxílio apenas de uma caneca. Simplesmente não podemos ler tudo, entender tudo, consumir tudo.

E, quando penso nas coisas que já li ao longo da vida, recordo-me de revistas e jornais que não circulam mais a muito tempo, e que não tiveram a sorte de ter seus conteúdos convertidos em acervos digitais.

Há centenas de empresas que publicavam jornais, revistas e livros que simplesmente fecharam as portas, faliram ou deixaram de existir sem ter tido o trabalho de montar, preservar e legar seus acervos para a posteridade.

Isso é uma perda, certamente, e talvez parcialmente irreparável.

Digo parcialmente porque qualquer cidadão hoje pode digitalizar uma revista velha e disponibilizá-la na internet, embora não possa agregá-la a um acervo, a um conjunto maior que contenha outros volumes da mesma publicação, nem possua o interesse ou tempo para fazer este trabalho. 

Ainda assim, vez por outra encontro sites onde apaixonados por determinados assuntos juntam-se na internet para compartilharem conteúdo fora de circulação. Amantes, por exemplo, da eletrônica digitalizam suas coleções particulares de revistas antigas, algumas de quase um século atrás, e organizam esse material de maneira adequada, tal como faria o publicador original se tivesse que montar seu acervo hoje.

Esse é um trabalho nobre e gratificante.

Creio que chegará um tempo em que grande parte daquilo que o mundo publicou nos últimos cem anos estará disponível em acervos digitais.

Com que olhos nos olharão as gerações futuras quando se depararem naturalmente com bilhões de terabites de conteúdo infinito de publicações de todos os tipos, num oceano inesgotável de informação e história?

Não sei, mas talvez haja alguma reverência, algum assombro, do tipo que sentimos quando olhamos os milhares de livros de uma grande biblioteca pública, quando, olhando cada uma das lombadas de uma pequena fração de uma prateleira qualquer, passamos a perceber que nem mesmo uma vida de mil anos nos permitiria ler as coisas que gostaríamos de ler, se é que ler seja uma de nossas paixões.

Ou você não vê grandeza em uma biblioteca?

Então talvez veja numa discoteca, ou numa videoteca, ou numa pinacoteca, ou qualquer outra coleção de coisas feitas pelo homem e que pode ser objeto de curiosidade ou desejo por parte de alguém.

Daí talvez o sucesso da série de livros sobre as mil coisas para se ler, fazer, ouvir, conhecer ou comer antes de morrer.

A vastidão de opções nos fascina.

A abundância, agora podemos nos regozijar, existe, afinal, ao menos para um seleto grupo de paixões.

Talvez não vivamos no melhor dos mundos, mas certamente não vivemos no pior.

De fome de saber e da falta deste é que não pereceremos.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Desumanização do comércio

Você tem e-mail? Provavelmente sim.

Se tem, já deve ter recebido milhares deles.

Sabe quantos foram realmente enviados por pessoas de carne e osso e quantos foram enviados por softwares, programas automáticos de vendas ou robots comerciais e de mala direta on-line?

Não, eu não estou falando do fenômeno do spam.

Spam é mensagem não solicitada. Essas são também recebidas aos milhares, e em geral também são de origem automática, mas não é bem sobre elas que quero chamar sua atenção.

O que quero que perceba é que há um processo de desumanização das relações comerciais. 

Você compra de uma empresa que não tem pessoas te atendendo do outro lado de um balcão, de uma linha telefônica ou de um site. Você faz transações financeiras com máquinas virtuais, quando não com máquinas reais.

Um caixa eletrônico de banco é uma espécie de robot fixo em um ponto qualquer pronto a expelir ou engolir dinheiro real, além de registrar e transmitir dinheiro virtual dele para sabe-se lá onde.

Uma máquina vende ursinhos de pelúcia, se você conseguir pegá-los com uma garra complicada e imprecisa. Outra máquina vende refrigerante. E outra ainda vende flores frescas mediante o recebimento de algumas notas não tão frescas. Por fim, uma máquina abre e fecha uma cancela na entrada de um shopping center qualquer, lhe dá boas-vindas na sua chegada e recomenda que use cinto de segurança quando vai embora.

As máquinas estão se preocupando conosco!

Quantas ligações a call centers são de fato atendidas por gente de verdade e não por gravações mecanizadas?

É espantosa a expansão deste método de se fazer negócios.

Mas, há um paradoxo nisso.

Preferimos então o atendimento humano personalizado e caloroso?

Mas, onde há este tipo de atendimento hoje em dia?

Não aqui, no nosso confuso Brasil de 2014.

Em geral, somos pessimamente atendidos em quase todos os lugares. Pessoas realmente atenciosas e educadas não são facilmente encontradas em pontos comerciais comuns. Parece que o comércio só consegue contratar jovens mal educados que não sabem sequer para quem trabalham, nem o que vendem, nem onde estão, nem que somos nós, compradores, consumidores, que pagamos seus salários mínimos. Raros são os atendentes que são realmente profissionais naquilo que são contratados para fazer. 

Então, fica o paradoxo. O que você prefere: um e-mail com redação impecável enviado por um software, com um aviso de "não responder: esta é uma mensagem automática", ou um e-mail redigido por um humano, mas deselegante, cheio de erros de português, incompleto, inconclusivo e incongruente?

Quer saber?

Não prefiro nem um nem outro.

Mas, não decido nada, e como não temos muitas opções de escolha, parece que as máquinas vencerão!

Mas relaxe por enquanto: este meu texto ainda é artesanal, e tão autêntico quanto um pastel de carne, exceto que você não pode sentir cheiro algum e nem saber com quanta atenção e prazer eu o redijo e o ponho à sua disposição para que leia e tire as suas próprias conclusões.

E melhor: de graça!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Trabalho: a vida cronometrada

Nós, humanos, não somos amigos dos relógios.

Você pode gostar da aparência deles, pode pagar milhares de dólares por um Rolex ou outra marca famosa qualquer, mas certamente não o faz porque gosta de olhar as horas, os minutos ou segundos. Você, no máximo, gosta de objetos duráveis, bem feitos e que proporcionam status, mas não creio realmente que goste de ter sua vida controlada por um simples relógio, ainda que muito bonito e caro.

Não, nós não amamos os relógios.

Eu não os amo, definitivamente.

Mas a vida nos impõe obrigações, e precisamos dos relógios. De parede, de pulso, no celular, na barra de tarefas da tela do computador, nos painéis das praças e avenidas, no topo dos arranha-céus, em todos os lugares. 

Relógios são onipresentes.

Mas, há um tipo de relógio ainda mais maligno.

É o cronômetro.

Mas, quem precisa de um cronômetro, afinal?

Não eu, certo? Não nós, simples mortais trabalhadores. Nós nos contentamos com os relógios comuns. Alguns deles até têm funções de cronômetro, mas quase não as usamos. Não somos atletas, maratonistas, velocistas, nem procuramos ganhar alguma olimpíada contra nossos colegas de trabalho, certo?

Mas, ainda que eu nunca tenha sido muito amigo dos relógios, a vida foi ficando tão complexa ao longo dos anos que em determinado momento eu percebi que precisava de algum controle do tempo, alguma organização dos meus horários. Precisava primeiro de um calendário para anotar compromissos para os próximos dias, próximos meses. Sim, eles, os compromissos, entraram de vez na minha vida. Imposto de renda, manutenção do carro, troca de óleo, exames de saúde periódicos e outros afazeres mais demandaram um mínimo de organização. Afinal, quem já atrasou uma entrega de declaração de imposto de renda ou perdeu um prazo importante qualquer por esquecimento sabe do que estou falando. É melhor ter um calendário do que não ter.

Eu passei a usar um calendário no Outlook, no computador. Era uma maneira simples de manter-me atualizado com meus compromissos, e vez ou outra, eu recebia um aviso na tela do computador lembrando-me do aniversário de uma pessoa querida, ou lembrando-me de que precisava retornar ao dentista para uma revisão geral.

Mas, mais que isso, eu passei a usar o Outlook para distribuir coisas a fazer, tarefas em geral, ao longo do tempo. Eu deveria fazer o item A primeiro que o B, depois o item C e assim por diante. O item A seria demorado, de maneira que eu o faria em duas ou três etapas, mas entremeio a uma etapa e outra, faria os itens B e C.

O item A deveria começar no dia X por volta das Y horas.

Eu registrava tudo no Outlook e ele enviava-me um aviso na hora de começar A, B ou C.

Essa é a vida cronometrada.

Parece exagero, mas não é. Um dia desses eu vi o calendário de uma pessoa bastante atarefada no trabalho cuja dependência do calendário do Outlook é absoluta. Tire o Outlook dele e sua rotina de trabalho entra em colapso. E ele está longe de ser o único usuário que conheço que é dependente deste modo de trabalhar.

Algumas pessoas são mais organizadas que outras. Uns gostam de maior controle que outros. Há aqueles que são simplesmente mais atarefados que outros. E há ainda aqueles que simplesmente possuem um tipo de trabalho cujas ações são simplesmente descontínuas, fragmentadas, e que não podem trabalhar longas horas, longos dias nas mesmas coisas, na mesma rotina, sem idas e vindas a outros assuntos. Trabalho fragmentado requer um esforço de memória que seria desgastante sem o apoio de agendas e computadores. Essas ferramentas estão aí exatamente para isso. Afinal, temos que nos ocupar com coisas realmente importantes, e não podemos nos dar ao luxo de esquecer tarefas que não podem ser esquecidas. Esta é a realidade e não há muito o que se fazer contra.

Mas, um dia, eu percebi que podemos ter hora para começarmos uma tarefa, e dispomos de um aviso para isso. Vários avisos. Mas, é quanto à hora de pararmos?

Falarei mais sobre esta hora, mas não agora.

Agora, falarei sobre cronômetros.

O Outlook não nos diz a hora de parar. Não há nele, nem em nenhum outro relógio, nem mesmo naquele que fica em toda barra de tarefas de todo computador, uma forma de aviso que diga que um determinado tempo já tenha se passado. Quer dizer: ninguém se importou em avisar sobre o fim de um período de tempo. 

Eu estou falando de cronômetros.

Coloque um relógio qualquer para tocar em uma determinada hora. Essa hora será a hora de se iniciar um trabalho qualquer. Comece este trabalho qualquer, uma atividade qualquer, e apenas imagine que irá parar dentro de meia hora. Quem o avisará quando esta meia hora terminar?

Um relógio comum não o avisará. Um cronômetro, sim.

Então pensei comigo mesmo: em um mundo tão cheio de ideias e programas de computador, será que haveria um cronômetro em forma de software?

Pesquisei e descobri vários. Um deles é o 1Time.

Comece um determinado trabalho e programe o 1Time para avisá-lo em meia hora. Dispare a contagem regressiva dele e inicie o trabalho. Meia hora depois, ele aparece na tela e o avisa: pare! Sua meia hora de trabalho acabou!

Eu gostei desta ideia.

Comprei um cronômetro digital de verdade, um reloginho de plástico amarrado a um colar. 

Tire uma hora para fazer quatro tarefinhas diferentes a cada 15 minutos. Ajuste a contagem regressiva para quinze minutos e deixe o cronômetro interromper a primeira tarefinha para que você possa partir para a segunda tarefinha. Recomece a contagem regressiva com o cronômetro. E assim por diante.

Quanta bobagem, você deve estar pensando.

Sim, uma bobagem.

Mas, houve dias em que me embrenhei em estudos de maneira tão intensa e séria que precisei de um esquema desses para distribuir o tempo entre uma matéria e outra, para poder atingir meus objetivos, que eram ambiciosos e difíceis.

Esse período de vida cronometrada foi doloroso, mas funcionou.

Mas nós, brasileiros, não somos muito acostumados a esse tipo de proceder. É coisa de americanos isso, esse tal de trabalho duro.

A vida cronometrada não é um modo necessário, mas para certos objetivos, é a única vida.

A vida cronometrada, no final, compensa.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O surgimento dos links

As pessoas que usam a internet hoje em dia podem achar que ela surgiu pronta, tal como está agora. Esta percepção deve ser muito forte entre as pessoas mais jovens, já que a internet pública, tal como a conhecemos, surgiu nos Estados Unidos em 1995, sendo popularizada de fato por aqui, no Brasil, entre 1996 e 1997.

Mas as coisas não surgiram prontas. Elas foram sendo aprimoradas ao longo dos anos.

Hoje, quase tudo está vinculado à internet, mas nos primeiros anos, não estava. Muita gente achava, por volta do ano de 1996, que tudo não deixaria de ser um modismo passageiro, embora muita gente via já a revolução que de fato foi seu surgimento e sua abertura ao público. Então, a tecnologia dos computadores, que já existia bem antes da internet, foi se adaptando aos poucos à rede, e vice-versa. Muita coisa da internet foi decorrência do que já havia nos computadores.

A coisa mais interessante na internet foi o surgimento das páginas www, com fotos, cores, browsers e o link.

Muita gente acha que o link foi uma invenção da internet, mas não foi.

Em 2012, na abertura das Olimpíadas de Londres, houve um momento épico em que uma casa se erguia do meio de um palco e dentro dela estava um senhor, um cientista, o pai da internet, Tim Berners-Lee, obviamente um cidadão inglês, recebendo as honras da casa e sendo mundialmente agraciado com a chance de ser consolidado como o verdadeiro pai da internet, quando sabemos que hoje em dia é tão difícil ser pai de qualquer grande invenção que mude o rumo da humanidade, como a teoria da relatividade, de Einstein, ou a descoberta da penicilina, como Alexander Fleming.

Tim Berners-Lee merece o honroso crédito de ter sido o pai das páginas www, mas não da internet em si. Mas como a internet só se popularizou devido às páginas www, as world-wide-web, então, sim, ele merece muito respeito pelo seu feito, mas o que quero abordar aqui não são necessariamente as www, mas especificamente um importante componente da maioria delas: o link.

Tim Berners-Lee não inventou o link. Ao menos não que eu saiba.

As www são feitas em linguagem html, ou linguagem de marcação de hipertexto. O que é um hipertexto? É exatamente um texto com hiperlinks, ou ligações entre diferentes textos, ou melhor ainda, são ligações entre diferente documentos, diferentes arquivos. Ora, já existiam outras formas de linguagem de marcação de hipertexto antes do surgimento da html. Berners-Lee teve sorte de desenvolver uma linguagem específica para a internet, mas não foi o pioneiro na criação da primeira linguagem com hipertextos.

Os links já existiam antes do surgimento da internet.

Um exemplo clássico do uso de linguagens de hipertexto é um arquivo de ajuda de um programa qualquer criado antes do surgimento da internet.

Palavras em um processador de textos qualquer, como o Word, o Wordpad, o Notepad, ou qualquer outro, são editáveis.

Textos editáveis são importantes e úteis, mas não para certos usos.

Por exemplo, não seria interessante que certos documentos pudessem ser editados por seus leitores, e um texto com informação de ajuda, um texto criado para ensinar por meio de exemplos e passo-a-passo é melhor que seja estático, não editável pelo leitor. Hoje em dia temos diferentes tipos de textos não editáveis, tais como as próprias páginas html, os pdf, etc., mas nos anos pré-internet, esses tipos de arquivos não existiam. Então, os desenvolvedores de programas de computador usavam o tipo de arquivo que quisessem. Como a Microsoft usava textos estáticos do tipo .hlp (de help) para seus arquivos de ajuda, esse modelo virou uma espécie de padrão na indústria.

Um arquivo de texto de ajuda do tipo .hlp é um exemplo clássico de hipertexto. Ele tem imagem, tem desenhos, e tem links.

Quem estava acostumado a ler textos de ajuda antes da internet surgir não se surpreendeu muito com os links em si. Eles já existiam.

Então, com o passar dos anos, foram se popularizando.

Hoje, quase todo programa que se preze permite a criação de links. O único que conheço que não permite ainda a criação de links é o Notepad, que trabalha com um arquivo de texto puro, sem hipertextos, padrão .txt (de text).

Pois bem, o pacote Office 2000 surgiu depois da internet. Era, portanto, de se esperar que sendo um produto de ponta da Microsoft, já contivesse programas que permitissem a criação de links facilmente.

Mas, como eu disse, a indústria dos computadores já existia antes da internet, e o pacote Office também. O Office 2000 era um desenvolvimento do Office 97. Quando se fala em anos de produtos, tais como Windows 95 ou Office 2000, tem-se apenas uma data aproximada de quando o produto foi lançado. Seu desenvolvimento deve ter-se dado muitos meses ou mesmo anos antes de seu ano de lançamento. Assim, o Windows 95 deve ter seu processo de desenvolvimento iniciado em 1990, e o Office 2000 em 1997, quando o Office 97 foi lançado. A indústria de desenvolvimento de softwares simplesmente nunca para. Se para, morre.

Em 1997, o Office 2000 estava em gestação. E a internet também. Aposto que a Microsoft se preocupou em aproveitar a onda emergente do surgimento da rede e capitalizar sobre ela. De fato, quase todos os produtos já permitiam criar links com a internet. Havia até mesmo um produto no pacote que criava páginas para a internet, que era o FrontPage.

Quando comecei a usar o Office 2000, interessei-me pelo Outlook, que gerencia e-mails, contatos, calendários e tarefas.

Gostei de criar tarefas, mas havia um problema: sempre que ia anotando alguma coisa no campo de texto que permite que façamos nossas anotações e detalhemos nossas tarefas, quase sempre precisava digitar nomes de sites, e-mails e outros endereços da internet. Ora, se eu digito um endereço qualquer da internet, é melhor que esse endereço seja transformado em um link automaticamente, como uma funcionalidade básica do programa que eu estou usando para editar meu texto.

Hoje, isso é normal. 

Mas não era em 2000, com o campo de anotações de tarefas do Outlook do Office 2000 da Microsoft.

Eu achei que aquilo era um erro, uma falha de aperfeiçoamento do projeto do Office inaceitável. Mas, por outro lado, estamos falando de Microsoft e Office, uma megaempresa e um megapacote de softwares. Não se pode ser perfeito em tudo. Eles simplesmente deixaram para depois um aperfeiçoamento para um problema menor, convenhamos.

Mas eu não pensei assim no momento, na época.

Eu anotei no próprio Outlook uma tarefinha que eu precisaria fazer para que pudesse colocar minha vida em ordem no futuro. Eu anotei assim em meu Outlook:

"Ver maneira de criar link entre tarefas e páginas da web."

Eu precisava descobrir uma maneira de criar links onde não era possível que eles fossem criados.

Isso foi no dia 10 de abril de 2000.

Agora, esse problema é irrelevante.

Até tenho uma cópia do Office 2000 em um notebook velho, mas quase não o uso.

E a criação de links automáticos é uma realidade no campo de anotações de tarefas do Office, e também do Outlook 2010.

Eu não tenho o Office 2010 em casa. Uso-o, no entanto, no trabalho. 

Em casa, uso o Office 2013, ou Office 365, totalmente integrado à internet.

São esses pequenos detalhes que mostram quem somos e como são as empresas líderes em seus negócios.

Certamente não fui o único a ter tido esse pequeno problema. Certamente a Microsoft já sabia dele antes de lançar o produto. Mas o corrigiu. Veja: não estou dizendo que o problema foi corrigido somente na versão 2010 do Outlook. É provável que tenha sido corrigido logo na versão seguinte, no Office 2003, ou mesmo no Office XP, lançado em 2001.

Não importa: links são coisas importantes, úteis e não podemos viver sem eles.

Creio que os ingleses fizeram bem em homenagear Tim Berners-Lee nas Olimpíadas.

Clicar em um link é um evento global.

Clicar em um link tem a força que marca as grandes descobertas e as gerações.

Seremos lembrados nos séculos futuros como a geração que criou os links.

Berners-Lee será ainda mais famoso.

Isso é bom, penso eu, e merece ser registrado.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

As histórias de nossas vidas...

Eu disse certa vez aqui neste blog que as histórias de nossas vidas são garantias de nossa eternidade.

Mas elas não são.

Nossas histórias de vida, ou as histórias de nossas vidas, não fazem de nós eternos. Não no sentido como entendemos a eternidade de nossa consciência ou de nossa alma.

Eternidade de nossos corpos físicos é coisa fora de qualquer cogitação.

Mas, nossas almas sem um corpo não é algo que possamos cogitar também.

Então, sem um corpo, sem uma alma imaginável, o que de nós será de fato possível de se eternizar?

Creio que somente nossas histórias podem ser perpetuadas ao longo do tempo por meio de outras pessoas.

Somos rodeados de pessoas. Nós podemos desaparecer, mas continuar existindo nas memórias das pessoas que sobrevivem depois de nosso fim.

Não somos nós de fato que permanecemos. São as lembranças que as pessoas têm de nós que permanecem como se ainda estivéssemos por aqui, neste mundo material.

Somos fragmentados pedaços de lembranças esparramados por diferentes mentes, em diferentes lugares. Um quebra-cabeças que jamais se juntará por inteiro, porque há peças que jamais foram feitas. Há coisas que morrem conosco, que ninguém mais sabe, nem viu, mas que foram coisas importantes para nós, partes de nós significativas, peças deste quebra-cabeças sem os quais a imagem geral jamais é completa, ou sequer mesmo perceptível.

Mas, as pessoas que sobrevivem a nós também passam. E em poucas décadas, pouquíssimas gerações, não há mais peças.

Somos um desenho na areia.

Dói aceitar isso.

Escrever, no entanto, é um espasmo de esperança. Tal como um peixe fora d'água que saltita em um último esforço buscando voltar ao seu meio vital, nos esforçamos por meio de nossas obras, de nossas realizações, de nossas palavras, numa tentativa muito desesperada e irracional de permanecermos, apesar de nossa partida.

Nos empenhamos nisso com muita firmeza, com muita convicção, embora que sem muita consciência.

Nossos códigos genéticos podem perdurar em nossos filhos. Nosso senso estético pode perdurar numa sinfonia ou numa pintura, como perdura Mozart, Beethoven e Da Vinci. Mas não somos capazes de tão grandes realizações em uma tão curta vida.

Tenho 44 anos e faço incontáveis balanços em busca de alguma pepita perdurável. Sacolejo nos meus restos. Esmiúço meu lixo, meu legado de anos imprestáveis, anos desmanchados pela rotina, pela pequenez, pela sensatez e pela timidez que corrói as vidas como um ácido corrói uma vela.

As histórias de nossas vidas perder-se-ão no tempo. Nossos descendentes saberão o que foi um arquivo MP3, mas não quem o inventou. Pessoas passarão. Coisas, talvez. Haverá certamente os museus para elas, as coisas que causaram algum impacto em seu devido tempo. Para as pessoas, ficarão as lápides frias, com seus nomes incógnitos ao lado de datas sem sentido.

Aos 44 anos, não tenho forças para nada. Dizem os cientistas que começamos a envelhecer aos 27 anos. Logo, são já 17 anos de velhice em ritmo que se acentua em escala geométrica. Logo, serei senil. Logo, digo, dentro de mais 25 anos.

O que são 25 anos?

São muito, mas não são nada.

Minhas listas de coisas a fazer continuam cheias de coisas a serem feitas. E, aos 44 anos, parece que junto com a velhice é-nos dada uma certa coragem que nos permite, nos força mesmo a fazer o que vínhamos adiando por qualquer motivo que imaginássemos inventar. É preciso atacar a vida com a coragem dos ratos acuados, porque não há mais nada a perder. O conforto da segurança no seio do amontoado de anos de placidez e procrastinação não consola.

Não a mim.

Eu sei. Aos 44 pode-se ainda muito.


Mas não tanto.

Deus, dai-me a coragem para fazer da minha vida o que sonhei que ela fosse, ou para fazer dela o que Queres.

Entrego a um ser maior as minhas fragilidades.

Não, eu não creio por covardia.

Fala-me Ele por música, fala-me Ele por sons, em um código que é ininteligível a outros. Só a mim fala Ele da maneira que ninguém mais entende. E se Ele fala a outros, é-me ininteligível.

Quão misteriosas são as guinadas em nossas vidas.

Ao menos eu vejo guinadas onde outros podem ver um caminho plano ou um ser estacado, sequer se movendo rumo ao que quer que seja. Não importa. Eu s-i-n-t-o as guinadas. Logo, elas existem.

Por vezes é como se eu mesmo me conduzisse. Por vezes, é como se uma mão me conduzisse, e eu suponho seja Dele essa mão que me conduz.

Não, eu não creio por covardia ou preguiça.

As histórias de nossas vidas podem ser as garantias de nossas eternidades. A mão que me guia o faz por sons, e sigo a melodia de um Deus sonoro.

Enquanto percorro a trilha que já dura 44 anos, pergunto-me, confiante, se estaria eu deixando mais que o mero rastilho de lixo e passos obviamente vacilantes e erráticos na praia da existência humana.

Eu confio no que ouço.

Enquanto caminho, polvilho meus passos de letras.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os manuais dos softwares e a Agência A4

Eu gosto de computadores. Tento usá-los no máximo de suas capacidades. Acho que cada software significa uma funcionalidade potencial para algo útil, e já que estão à mão, tento usá-los.

Softwares não são simples. Eles precisam de manuais. E ler manuais requer tempo. Então, já que temos computadores, temos também os softwares. E já que temos os softwares, temos também os manuais. E já que temos que ler manuais, é melhor que passemos a usar bem os softwares dos quais os manuais tratam, porque ler manuais toma tempo e requer muita paciência e perseverança. Por outro lado, um software sem um manual é quase inútil, e computadores com softwares que não sabemos usar são uma enorme fonte de desperdício de dinheiro e espaço.

Assim, desde que comprei meu primeiro computador, em 1994, tenho lido muitos manuais de softwares.

Quando comprei meu primeiro computador, eu usava um PC com processador Intel 386 com Windows 3.11. Era uma máquina nova, e o Windows vinha com um aplicativo de banco de dados bem simples, o Cardfile, que é o Arquivo de Fichas. Eu achava o máximo ter um ficheiro eletrônico, mas nem tinha o que catalogar nele, e o usei muito pouco. Eu já lera em livros de metodologia científica que eu poderia fazer fichas de livros ou trechos de livros para estudo, mas nunca as fiz. Por fim, devido a um incidente, perdi meu computador com Windows 3.11 e minha próxima aquisição foi um PC com Intel Pentium II e Windows 98.

Evidentemente, eu trabalhei com o Windows 95, mas nunca tive um micro somente meu com ele. De qualquer forma, tanto o Win 95 quanto o 98 vinham com um banco de dados de contatos pessoais chamado Contact, ou Contatos. E o Cardfile até poderia rodar, mas não vinha mais instalado como padrão.

O Contatos tinha e tem uma funcionalidade que é a de adicionar e-mails em sincronia com algum cliente de e-mail, tal como o Outlook Express ou o Windows Mail, programas antigos que usei antes de trabalhar com o pacote Office e o Outlook.

O arquivo que roda o Contatos chama-se wab32.exe e durante um bom tempo eu usei meu programa de e-mail sem me importar muito com a opção de salvar nomes de pessoas e seus e-mails no Wab. Vez ou outra uso e-mails. Não sou assim tão adepto deles. Eles são muito úteis, não há como viver sem eles, mas não tenho que interagir com tantas pessoas ou organizações em minha vida particular de maneira que precise enviar e-mails o tempo todo. No trabalho as coisas são diferentes, e trabalhando recebo e envio e-mails quase que a toda hora. Mas em casa, é diferente. Uma vez por semana dou uma olhada em minhas várias caixas de entrada.

Mas então, em 1999, assim que adquiri meu Pentium II rodando Win 98, percebi que ele não vinha com o pacote Office da Microsoft. Ora, se até meu velho 386 tinha Excel, Word, Access e Power Point, por que não tê-los agora com uma máquina tão mais moderna e potente?

O problema é que softwares são coisas caras, e eu sou uma pessoa honesta. Um pacote de aplicativos como o Office custa caro, e em 1999 eles eram bem mais caros e difíceis de se conseguir. Lojas de informática eram raras, e lojas normais, como cadeias de varejistas e livrarias não vendiam softwares e games como fazem hoje. Era preciso dinheiro e disponibilidade para tê-los em mãos em sua forma legítima, pagos a preço de ouro e com os discos originais do fabricante.

Então, eu adquiri, confesso (com dor no coração), uma cópia pirata do Office no mercado negro. Mas, pensando bem, poucos softwares eram até então originais. O Win 3.11 era pirata, porque quando comprei o meu primeiro micro, não veio nenhum tipo de licença tal como vem hoje quando adquirimos computadores em lojas. Eu não tinha documentação de quase nada. Eu imagino o prejuízo que os desenvolvedores de software levam com a pirataria mundo afora, se considerarmos que muita gente ainda faz cópias piratas de quase todo tipo de software, do Windows ao Office e tudo o mais.

É uma pena. Eu sei que Bill Gates já é rico, mas o que é justo, é justo.

Bem, instalei meu Office e ele era incrível. E já era época da internet. O win 3.11 não foi desenhado para o mundo online, mas os demais, sim. E o Office 2000 vinha com o Outlook, um cliente de e-mail muito bacana.

Eu tratei de estudar seu manual. Os demais membros do pacote, o Excel, Word, Access, Power Point, eu até já conhecia bem, mas não o Outlook.

O Outlook tinha suas próprias funcionalidades de gerenciamento de contatos. Ora, eu tinha já alguns dados em meu Contatos do Windows. O que fazer com ele e com meus e-mails? Continuar usando o Windows Mail e o Contatos ou migrar tudo para o Outlook?

Na dúvida, usei uma outra funcionalidade do Outlook que para mim, na época, me pareceu a mais fascinante: as tarefas.

Veja, um administrador de empresa adora gerenciar o tempo. E eu sou um administrador de empresas. Quando vi que poderia gerenciar tarefas no Outlook, tratei logo de aprender a lidar com essa funcionalidade e deixei contatos e e-mails de lado e fui criando minha lista de coisas a fazer.

A primeira tarefa que criei foi em 10 de abril do ano 2000. Está lá anotada: "transferir lista de contatos do Wab para o Outlook."

Eu anotei essa tarefa e muitas outras mais, e até hoje não utilizo em casa o Outlook para gerenciar e-mails. Uso o Windows Live Mail, que é o sucessor do Windows Outlook Express, que é o sucessor do Windows Mail, se não estou enganado em alguma coisa.

Quanto aos contatos, eu tive de importá-los em algum momento para o Excel, porque tive problemas com o Pentium II com Win 98 e passei a usar um micro marca Megaware com Windows Vista, e os dados do Win 98 ficaram perdidos, exceto que eu tinha backup deles em formato padrão Win 98, cuja extensão era .qic.

Então tive que rodar o Win 98 em uma máquina virtual da Sun para poder rodar o Windows Backup do Win 98 e extrair o arquivo de dados do wab32.exe e salvar em um formato mais fácil de trabalhar, em Excel.

Salvei os dados em .xls e pronto. Migraria os dados de contato do Wab para o Outlook manualmente.

Quais dados eu tinha nessa lista? 

Eram somente oito e-mails que eu salvara em algum momento no tempo, entre 1999 e 2007, ano em que comprei meu Megaware, que também veio sem Office original e que teve nele instalada a versão pirata Office 2000 de que já falei. Pelo menos eu não dei mais prejuízo a Bill Gates, me consolo.

Qual era o meu primeiro contato da lista?

Era o e-mail agenciaa4@bol.com.br.

O que isso significa?

Agência A4 é o nome de uma agência de publicidade supostamente aberta pelo meu irmão mais velho Ronaldo por volta do ano 2000.

Digo supostamente porque nunca a vi funcionando, e Ronaldo vive criando nomes para seus trabalhos. Ele é o que podemos chamar hoje de designer gráfico, o que antes era chamado de desenhista.

Em algum momento em 2000, ele resolveu abrir alguma porta comercial em Conchal, cidade onde nascemos e onde ele ainda vive, e resolveu batizar o lugar de Agência A4. 

O que é uma agência? Creio que era uma agência de publicidade, embora ele não seja publicitário. Não no sentido de que tenha feito uma faculdade de publicidade. E A4 é uma referência ao tamanho padrão de papel usado comumente no mercado. Papéis usados para todos os fins são padronizados de acordo com certos parâmetros, e levam as letras A e um número, que os distinguem em seus tamanhos. O A4 é o comum, usado nas impressoras laser e jato de tinta, mas pode ser usado para desenho artístico também. O A3 é um pouco maior que o A4 e o A5 são um pouco menores.

A Agência A4 existe ainda? Creio que não. Nenhuma porta que tenha sido aberta pelo meu irmão ao longo dos anos ficou mais do que um ano aberta funcionando normalmente, e a Agência A4 não foi exceção. Certamente fechou ainda no ano 2000.

E o e-mail no Bol?

Bem, mandei uma mensagem tendo agenciaa4@bol.com.br como destinatário e a resposta foi de que este não existe.

Não sei qual a política de exclusão de e-mails inativos do Bol ou outros provedores gratuitos, mas é certo que mais dia, menos dia, e-mails inativos acabam sendo fechados, e este não fugiu à regra.

Assim, não houve o que migrar do Wab para o Outlook quanto à Agência A4.

As coisas vão morrendo ao longo do tempo. Nossos projetos morrem, nossos e-mails morrem, nossas tarefas morrem, nossos computadores morrem, nossos softwares morrem. Com muito custo, mantenho dados antigos ainda legíveis em versões modernas.

Que nome podemos dar para essa tralha toda? Sucata digital? Trashware?

É o que veremos a seguir.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Um blog como uma incubadora de ideias I

Eu disse em minha primeira postagem neste blog que eu pretendia usá-lo como um meio de divulgar minhas ideias a respeito de uma série de coisas, as quais eu mantinha anotadas em uma agenda de papel, e que eu achava que deveria vir ao conhecimento público, para eventualmente gerar algum resultado qualquer.

Ora, um blog pode ser uma incubadora de ideias?

Não sei, mas vamos pensar juntos na ideia.

Não temos controle sobre o que as pessoas pensam quando leem um artigo qualquer em um blog. Sequer temos controle sobre quem lê ou não nossos artigos. E temos pouquíssimas suspeitas do quão grande ou pequeno seja o impacto de um artigo veiculando uma ideia qualquer sobre as pessoas que o leem.

Primeiro: não temos controle sobre quem lê nossos blogs. 

Qualquer pessoa pode ler nossos artigos. Logo, a chance de uma pessoa ler um artigo nosso que lhe interesse é muito pequena, porque a maneira como essa pessoa tem acesso a nosso artigo é definida pelos canais de acesso ao blog como um todo. Calma, vou explicar...

Ora, uma pessoa qualquer tem uma variedade de interesses na vida, e provavelmente seus interesses são muito diferentes dos meus. Eu obviamente não publicaria artigos em meu blog sobre assuntos que não são do meu próprio interesse. Logo, supõe-se que todo artigo que compõe meu blog versa sobre assuntos que representam áreas de meu interesse.

Evidentemente, eu e uma pessoa qualquer podemos ter interesses comuns. Mas como eu não sei quem é essa pessoa, e não conheço seus interesses, não tenho como saber o que podemos ter de interesses comuns. Assim, ela terá que checar meu blog como um todo para saber se temos interesses comuns ou não. Essa checagem, evidentemente, nunca acontecerá, porque as pessoas não tem interesse em vasculhar blogs de gente desconhecida em busca de interesses em comum. O que as pessoas fazem é usar o Google para buscar artigos que falem sobre seus próprios interesses. O Google então é a conexão que fará com que essas pessoas cheguem a um suposto artigo em meu blog que trata de um assunto de seus interesses.

O segredo do problema aqui é a palavra "suposto".

O Google tem seus motores de busca acobertados por sigilo. Não sabemos como ele realmente funciona. Uma pessoa pode buscar um tema de seu interesse nele e vir a cair em algo totalmente diferente. Algumas vezes, o próprio Google resolve o problema, porque disponibiliza algumas palavras do artigo encontrado, e as pessoas podem deduzir se o artigo de fato trata do assunto que buscam ou foi apenas uma pista falsa do Google.

Então, acontece que muitas pessoas não precisam ler um artigo para saber que ele é uma pista falsa. Eles simplesmente ignoram os links para os artigos na própria página de respostas do Google e vão em frente.

Assim, poderíamos supor que se um artigo nosso é de fato acessado, é porque quem o acessou já tinha uma certa ideia de que nosso conteúdo não era uma pista falsa. Mas, nem todo mundo observa as pistas dadas pelo Google em suas respostas às consultas feitas. Algumas pessoas simplesmente vão clicando nas respostas para ver no próprio conteúdo se ele trata daquilo que procuram, sem dar muita importância às dicas do Google. E assim, vez por outra, caem em artigos que são pistas falsas. 

Ora, então, se por exemplo, tenho um artigo meu lido por dez pessoas, não sei dizer quantas delas realmente leram o conteúdo porque este dizia respeito a alguma área de interesse genuíno ou se simplesmente chegaram ao conteúdo baseados em pistas falsas do Google e depois de ler uma ou duas linhas do artigo, simplesmente o descartaram por não ser de fato algo de seus interesses. 

Quantas pessoas realmente se interessam por aquilo que têm diante de suas telas de computadores?

Não sei dizer. Digamos que 10% das visualizações de um artigo são realmente seguidas de uma leitura atenta e completa de seu conteúdo. Não sei dizer realmente.

Mas, qual a importância dessa informação estatística para o desenvolvimento do tema desse artigo em particular, que trata de discutir blogs como incubadoras de ideias?

O fato é que minhas ideias precisam antes ser acessadas por leitores que de fato tenham interesse em seus conteúdos, e a basear-se pelas estatísticas de visitas em meu blog, não são muitas pessoas que posso considerar que tiveram acesso a alguma delas.

Se tenho, por exemplo, um contador de visitas dizendo-me que meu blog foi acessado por 9.000 pessoas, não posso supor que todas realmente estavam interessadas genuinamente nos conteúdos das centenas de artigos que disponibilizo nele. Se apenas 10% realmente tinham interesse no conteúdo, então, minhas ideias foram acessadas de fato por apenas 900 pessoas, ou algo em torno disso.

Esse número, 900 pessoas, não deveria ser maior? Não é realmente muito pouca gente lendo minhas ideias?

De fato, penso que não. Na verdade, acho até demais.

Na vida real, nunca temos a chance de conversar com mais do que meia dúzia de pessoas sobre nossas ideias. Se eu tivesse discutido algumas ideias desse blog com apenas 9 pessoas, já me sentiria satisfeito. Mas não, nem isso eu consegui. Nem creio que as pessoas em geral se preocupem com isso. As pessoas em geral não levam a vida tentando discutir suas ideias com seus semelhantes. Elas querem contato, mas não contato intelectual. Meu gosto por discutir ideias é um pouco excêntrico, admito.

Mas, se 900 pessoas de fato leram alguma coisa em meu blog, não tenho como saber. As estatísticas de um blog não vão além de dizer que um artigo foi acessado, e só. Não há como saber se foi lido por inteiro, se foi lido com atenção, e se a pessoa que o leu foi influenciada pelo conteúdo daquilo que leu. Não sei dizer se ela aprovou a ideia, se ela pensou longamente sobre o que leu, se ela resolveu mudar algum aspecto de sua vida com base naquilo que pensou depois de ler algo em um artigo meu.

Duvido que isso tenha acontecido, mesmo com uma ou duas pessoas dentre as quase 9.000 que já acessaram meu blog.

Não era essa minha intenção quando o iniciei. Não sei se essa seja uma razão válida para se ter um blog, pensando de minha parte. Entendo que haja blogs com o objetivo explícito de fazer cabeças, moldar mentes, divulgar opiniões, atingir corações e moldar comportamentos. Não sei se funcionam ou não, mas não é o caso deste blog. Quer dizer, não é o caso deste blog ter como projeto ser um blog que busque disponibilizar ideias explicitamente a seu público leitor. Na verdade, esse blog sequer é um projeto, no sentido normal da palavra. Ele é apenas um passatempo, nada mais que isso.

Mas, por que não torná-lo uma incubadora de ideias?

Vamos dar uma pausa para respirar, e retornamos com a resposta a uma pergunta que precisa ser antes respondida: o que seria uma incubadora de ideias?

Pausa para respirar...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Popularidade II

Na vida real, não nos damos ao trabalho sequer de pensar em quantos amigos e parentes temos, mas as redes sociais fazem esse trabalho de contagem muito bem, como que na esperança de que, ao acumular nossos relacionamentos, que são essencialmente qualitativos, transforme-os em algo meramente quantitativo, e assim, as pessoas possam comparar-se entre si como acumuladoras de pontos, itens, contatos, nós relacionais, amizades e links de parentesco, gerando uma sensação de concorrência, competitividade, fomentando uma disputa que não há razão de existir no mundo real, porque nós não medimos nosso grau de sociabilidade com base em quantos amigos temos, mas em quão boas são essas nossas amizades e laços, sejam eles o quanto forem, nenhum ou muitos milhares.

Sabemos que as redes sociais fomentam a competição porque elas ganham muito dinheiro com muita gente relacionando-se entre si em um emaranhado de contatos que significam milhões, bilhões de dólares em termos de publicidade e faturamento. O problema é que nos deixamos levar por esse simples acumulador de dados como se ele significasse alguma coisa muitíssimo mais importante do que realmente é na vida real.

Sabemos intuitivamente que é muito difícil manter um laço familiar e de amizade. Amigos tomam tempo, requerem contato físico, implicam em afinidade, que é uma concordância de gostos e apreciação subjetiva que se deve mais à sorte que a qualquer outro fator, e por isso, sem as redes sociais, ninguém se importaria em manter relações simplesmente com o intuito de ter uma lista bastante grande de amigos de modo a meramente sentir-se como uma pessoa conhecida, apreciada ou popular. Todo mundo sabe que o mero volume de amizades não significa quase nada. Claro, uma pessoa que passa dando bom-dia a todo mundo, rindo e sendo retribuída, é, na verdade, motivo de certa inveja saudável, mas não nos desperta maiores pensamentos assim que sai de nossa presença.

Mas não é o que acontece quando estamos navegando por uma listagem de postagens em uma rede social. Lá está aquele nosso conhecido, o professor, com seus 3.498 contatos, ou "amigos". Tudo bem, um professor conhece muita gente, muitos alunos, e ele, o professor, certamente aceita um pedido de amizade em uma rede social por mera educação. Não conhece todos os alunos com a mesma profundidade, e nem mesmo considera todos os alunos como amigos. São colegas, talvez, e isso não representa um problema para os alunos, nem para nós. Talvez represente para o professor um problema de gerenciamento de comentários, ou uma fonte de constrangimento ocasional, quando não é capaz de reconhecer um "amigo" que lhe cobra algo sobre um assunto que não se lembra mais, ou mesmo quando nem reconhece quem seja o tal "amigo". Mas esses são ossos do ofício dos professores.

Mas, e quanto às pessoas comuns, que não lidam com alunos, com clientes, com fiéis, com plateias, com discípulos, com eleitores, ou fãs de maneira geral? Como pode aquele cidadão pacato, que você conhece, que sabe que não tem nada demais, não é popular na vida real, mas é extremamente popular na maldita rede social? Como ele conhece tanta gente?

Então, percebemos que não é só o cidadão pacato que é popular. Quase todo mundo é. Você passa não mais a procurar quem tem mais contatos que você, porque quase todo mundo tem. Você passa a procurar quem é menos popular. Você procura quem tem um número pequeno de "amigos". Se você tem somente 107 amigos, você olha com curiosidade para quem tem apenas 26 amigos. O que será que ocorre com aquela pessoa que tem somente 26 amigos? É uma pessoa muito seletiva, discreta, mas muito bem relacionada?

Não.

Você se dá ao trabalho de fuçar a vida dela na rede. Pesquisa os amigos dela. E então descobre o óbvio.

Ela é idosa, e não sabe lidar com computadores. Ela tem um perfil na rede que foi criada pela netinha. Todos os amigos dela são parentes. Ou então, ela é uma pessoa que gosta de amizades, mas está em outra rede social, mantém contato com os amigos por Skype, por MSN, usa e-mail, usa um outro aplicativo, usa celular, usa SMS, usa WhatsApp, enfim, ela é popular, mas em outro lugar da internet, e você não sabe o quão popular ela é como um todo. Você é que é ultrapassado, mal informado, obsoleto. Você se sente péssimo, de um jeito ou de outro, com a sua pouca popularidade na rede.

O que está acontecendo com a sua maldita vida social, com seus míseros 107 contatos no Facebook? O que há de errado com você? Sua foto está horrível? Você não tem postado nada? Tem postado bobagem? Você, Deus o livre, é, sem saber, politicamente incorreto com suas postagens, e assim, é discretamente evitado?

O que há com você, afinal?

Popularidade I

De certa forma, nós, seres humanos, temos um anseio legítimo por contato com nossos semelhantes. Somos sociáveis, vivemos em comunidade e não gostamos de isolamento, embora prezemos por nossa privacidade.

Acontece que há diversos tipos de contatos entre seres humanos. Uma coisa é o convívio familiar, sólido, constante, íntimo e intenso. Outra é a mera coexistência sem maiores contatos que se observa nos grandes centros, onde pode-se viver e morrer uma vida em meio à multidão em turbilhão sem jamais ter um único conhecido para se tomar um café e bater um papo. Estar em meio a uma multidão não é o mesmo que estar socialmente se relacionando com outro ser humano no sentido próprio do termo. Não há relacionamento, mas mero compartilhamento de espaço.

Em geral, nascemos no seio familiar, e cedo nossos laços são muitíssimo fortes. Em grande parte dos casos, esses laços familiares e de amizade permanecem ao longo de anos, décadas, e só terminam com a morte das pessoas. Mas, em muitos casos esses laços vão sendo dissolvidos ao longo do tempo por uma série de motivos, e uma pessoa que nasceu em um ambiente repleto de amizades e amor familiar pode ver-se paulatinamente sozinha, isolada, solitária em meio ao turbilhão que passa sem lhe dar um bom-dia genuíno.

Manter uma rede de amizades e laços familiares dá algum trabalho se, por exemplo, tem-se que mudar de um lugar para outro, sem se afixar muito em nenhum deles. Afinal, amizades demandam um certo tempo para consolidarem-se e, na medida em que se muda, não se tem esse tempo de convivência. Além do mais, uma vez mudando-se para longe de amigos e familiares, restam os telefonemas, as cartas, e-mails, as viagens, sempre caras, e as redes sociais na internet. 

Nenhum método substitui a convivência diária ou rotineira com as pessoas conhecidas. Um e-mail não se compara a uma tarde inteira de convivência pessoal. Assim, na medida em que nos mudamos de uma cidade para outra com certa frequência, fazemos novas amizades, é certo, mas não temos assim uma rede tão sólida quanto teríamos se nunca tivéssemos saído de nosso local original de nascimento. Ao menos os laços familiares seriam mantidos, dado que esses são muito mais firmes que os laços de amizade, que podem ser relativamente intercambiáveis.

Pois bem, os anos passam e nunca nos damos ao trabalho de saber quantos amigos e parentes temos, nem isso é um assunto relevante. Exceto quando passamos a ter o hábito de usar as redes sociais da internet.

Nelas, existem contadores de amizade. No finado Orkut, no Facebook, na lista de contatos de e-mails, há um acumulador de amizades. Você olha sua lista de amigos e lá está um número, como uma conta bancária. Você tem 104 amigos. Seu primo tem 356 amigos e aquele professor bacana da faculdade tem 3.459 amigos.

Eis o fenômeno da popularidade vindo à tona.

sábado, 6 de julho de 2013

A areia em nossas mãos

Estou tentando acompanhar o ritmo do mundo, mas está difícil. As coisas estão mudando mais rápido que nossa capacidade de nos mantermos atualizados. As informações nos abarrotam. As novidades são diárias, e complexas. 

Sinto-me bastante perturbado nas últimas semanas em decorrência da série de manifestações que abalaram o Brasil. Creio que todos os brasileiros razoavelmente bem informados estão igualmente confusos.

Mas não são somente as questões sociais que andam me perturbando.

Eu não estou conseguindo acompanhar meus próprios planos. Não estou sendo capaz de manter-me atualizado sob diversos aspectos, tais como a tecnologia da informação, a cultura, arte, saúde, finanças, ferramentas tecnológicas, política internacional, ciências, enfim, não estou conseguindo ter sob controle um mundo de coisas que antes pareciam administráveis. 

Talvez a ideia central seja esta: administração de interesses.

Admito que tenho dezenas, centenas de interesses divergentes e complexos. Interesso-me por coisas tão díspares quanto vida em outros planetas, ursos polares, violência social, filosofia, política, biologia, futurologia, história, assim como por sociologia, psicologia, neurologia, inteligência artificial, big data, espionagem internacional, tecnologia steath e jazz. Simplesmente tenho interesses demais, e todas estas áreas produzem diariamente uma quantidade enorme de informação, informação demais para que se possa absorver, ler, ver, ouvir e pensar sobre as mesmas com a calma e a serenidade necessárias.

Mas creio que o problema é geral.

O caso Edward Snowden, agora tão falando em toda imprensa internacional, deixa claro a sensação de assoberbação que domina a todos, seja pessoas, seja instituições. É espantoso, e ao mesmo tempo acalentador, saber que a maior potência do mundo, os EUA, consegue espionar todo o mundo via tecnologia da informação, mas não é capaz de digerir os dados. Eles coletam dados, mas não possuem recursos para analisá-los. A massa de bits coletados está além da capacidade da tecnologia atual. Este fato deveria servir de alerta para todos, pessoas e instituições, a respeito de nossa cegueira diante de tanta informação. É como querer ver o Sol muito de perto. É muita luz, muita energia, muita demanda e pouca assimilação, pouco processamento, pouca apreensão.

Este é um problema e como todo  problema, ele demanda uma solução. A solução, ou soluções, quase que necessariamente complexas, implicam em desafio, e ao mesmo tempo, em oportunidades infinitas de poder, lucro e sucesso.

Os bits, tais quais grãos de areia em nossas mãos, são voláteis. Temos um Saara à nossa frente. Cada um desses grãos pode ser um simples grão de areia, ou pode ser um grão de ouro, ou um pequeno diamante. Mas, sejam eles de que material for, escapam-nos das mãos. Aquele que conseguir os meios de retê-los, e analisá-los, tem em mãos o poder que ninguém hoje mais tem.

Quais as possíveis maneiras de se abordar o problema? O que um simples cidadão comum pode pensar a respeito?

O tempo, mais uma vez o tempo, é, creio eu, a resposta. 

O tempo é, definitivamente, o recurso mais valioso e escasso que temos hoje.

Mais do que nunca, tempo não só é dinheiro, mas tempo é ouro e poder.

Dome o tempo, e domará o mundo.

Mas, como domar o tempo?

Eu tenho pensado, eu tenho pensado...

sábado, 25 de maio de 2013

Links são coisas fascinantes

As pessoas que são jovens podem achar que um link na internet não tem importância alguma, mas eu, que sou um pouco mais velho, penso um pouco diferente.

Antes do surgimento da internet, todo o conhecimento do mundo estava restrito basicamente ao papel, à película fotográfica e ao vinil e, temporariamente, às ondas de rádio.

Você poderia ler em um jornal que um artista qualquer lançou um disco, mas o som só seria possível de ser ouvido se você comprasse o disco de vinil do referido artista. E se ele fosse famoso, ele poderia dar uma entrevista na tv, que seria gravada em um rolo de filme, ou poderia concedê-la ao vivo na tv, e então, sua imagem e voz seriam convertidas em ondas de rádio e se perderiam para sempre.

Hoje, não. A mídia em papel existe, mas é desajeitada. Se uma matéria em um jornal fala sobre algo sobre o qual desejamos saber mais, ficamos insatisfeitos, porque o jornal não pode ir além do que já é. Mas com a mídia digital e a internet, as coisas fluem. Um blog pode falar sobre um outro blog, e então disponibilizar um link. Ficamos curiosos com este segundo blog e então, basta o clique no link e pronto.

Fluidez, acessibilidade imediata, conexões de ideias, conexões de mídias, busca em informações antigas, enfim, o link significa quase que a satisfação imediata de nossa curiosidade. E haja curiosidade!

Só para dar um exemplo, falarei sobre uma cadeia de links que percorri ontem.

Sou um curioso nato.

Dando uma olhada neste blog, sem postagens interessantes a muito tempo, fiquei pensando sobre o porquê de se ter um blog e para que ele poderia servir. Já escrevi sobre isto aqui antes, em várias postagens. Já disse que tenho vários livros sobre o tema dos blogs, embora não tenha lido todos. De qualquer forma, eu estava pensando em como dar uma direção significativa a este blog.

Acontece que quando comecei este blog, eu usava os serviços do UOL. Então, em 2010 eu migrei minhas postagens para o Blogger. E o Blogger, como um produto do Google, é bem mais elaborado e abrangente em termos de clientela. E, evidentemente, o Blogger tem todo o interesse do mundo em que mais e mais gente use seus serviços.

Pois bem, o Blogger dispõe de um serviço de acompanhamento de outros blogs. Quer dizer: você pode ter seu próprio blog, escrever nele e divulgá-lo para todo mundo, mas você pode se deparar com um blog legal em algum lugar qualquer e pode querer segui-lo. Então, basta você incluí-lo na Lista de Leitura de blogs no painel do Blogger, no lado inferior esquerdo da tela, se você for um usuário do aplicativo, e pronto, cada vez que este blog que é seguido postar algo novo, você fica sabendo no seu painel do Blogger. Isto gera interatividade e leituras cruzadas, enfim, incrementa a plataforma e a fidelidade dos usuários.

Mas, ainda que você não queira seguir ninguém, e eu não sigo de fato ninguém, por uma série de motivos, ainda assim não podemos nos dar ao luxo de ignorar que o Blogger nos obriga a ler seu próprio blog, o Blogger Buzz.

O Blogger Buzz existe para nos estimular, nos ajudar a usar melhor os recursos do Blogger. Ele é um blog mantido pela equipe do Google, escrito por gente do Google e é um serviço que me pareceu interessante conhecer, dado meu interesse em como usar blogs de maneira geral.

Acontece que os blogs, todos ou quase todos eles, publicam suas postagens em ordem inversa à cronológica. Isto quer dizer que as postagens mais recentes estão em primeiro plano, e as postagens antigas estão escondidas, acessíveis apenas por meio de links, tais como "Arquivo", ou "Old Posts", e assim por diante.

Acontece que, dependendo do tipo de blog, é mais interessante começar a ler as postagens na ordem cronológica, porque quem publica segue um raciocínio ao longo do tempo, ou há um processo de aprendizagem em curso, e não se pode saber do que trata a postagem atual sem antes ler algumas postagens anteriores, ou as primeiras postagens.

Assim, fui atrás das postagens antigas, as primeiras postagens do Blogger Buzz.

A primeira postagem do Blogger Buzz é de 9 de março de 2005: chama-se "Blogging and your career".

Pois bem, o autor é Tim Bray, e ele postou o texto originalmente em outro blog seu. Tim Bray é um funcionário do Google, obviamente. Seu blog pessoal no entanto chama-se Ongoing e também tem um número enorme de postagens antigas.

Sobre o que postou Tim Bray na sua primeira postagem no Ongoing, em 11 de julho de 1983?

Aqui está: VMS-Unix, uma discussão pré-internet, na rede Usenet, sobre sistemas operacionais que hoje não significam quase nada quando falamos de blogs, tablets, Android, X-Box One, Facebook e YouTube, Twitter e I-Phones.

Esta é a riqueza dos links.

No fundo de uma cadeia de links, sempre há algo fascinante.

Experimente!

Bitcoin?

Tenho uma versão deste blog em inglês. 

É uma mera tentativa de aprender esta língua onipresente, e o blog em inglês anda às moscas, porque eu acabei chegando à conclusão de que ainda tenho muito o que aprender antes de sair traduzindo minhas postagens do português para o inglês sem a ajuda do Google Tradutor. Se for para usar o Google Tradutor, então, qual o aprendizado?

Acontece que, independentemente de eu estar ou não atualizando o blog em inglês, ele, vez por outra, recebe alguma visita. Mas quem visitaria um blog em inglês defasado, escrito por um brasileiro, mal escrito, na verdade, e se interessaria por alguma coisa?

É. Na verdade, o blog é visitado por robots da internet. De uma maneira que ainda não sei direito, sites registram visitas nos nossos blogs como se fossem gente real, e o Google registra o endereço do visitante. Então, curiosos como são os blogueiros, nós clicamos no link do visitante, para saber quem andou nos visitando. E então, a surpresa.

O último link que visitei dá em uma vistosa página que nos sugere alguma coisa relacionada com o dinheiro virtual, o Bitcoin.

Que são esses Bitcoins? São moedas virtuais, dinheiro digital, sem lastro, sem suporte legal, enfim, é uma miragem com um forte cheiro de tramoia ou falcatrua. Não pensei seriamente no assunto, mas não sou tão leigo assim no assunto para perceber, de imediato, que a coisa não é boa, e, no mínimo, não tem valor legal.

Duvida? Pegue uma nota de um valor qualquer. Olhe-a. Procure nela e verá assinaturas de ministros, autoridades monetárias e coisas do tipo. Não são as pessoas que assinam que dão credibilidade ao dinheiro, à nota que tem em mãos. É o Estado.

Agora: quem dá credibilidade ao Bitcoin?

O desenvolvedor do software?

Quem é ele? Que empresa é esta? Se um bitcoin lhe for roubado, você reclamará a quem?

Quer um conselho?

Fique longe...


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Wab

Wab é um aplicativo do Windows que serve para anotarmos nossos contatos. Ele é bem antigo, e tem mudado de uma versão para outra do Windows ao longo de suas diversas atualizaçoes no correr dos anos. Agora que estou usando o Windows 8, ele, o Wab, está lá, mas não serve mais para ser usado com programas mais antigos, como o Outlook e o Office 2000.

O Office 2000 é uma suite velha, eu sei. Mas eu uso bem os programas do pacote, e não tenho mais muito tempo para ficar aprendendo todas as novidades desde a versão 2003 até a versão 2013. Cada nova versão requer um novo aprendizado, e aprender consome tempo. E eu não tenho tempo.

Mas, chega uma hora em que os programas antigos param de funcionar. No caso, o Outlook 2000 não funciona muito bem no Windows 8 por causa do Wab. Logo, não tenho opção: se quiser continuar usando algum pacote Office, tenho que deixar de lado o Office 2000 e partir para algo mais moderno.

Assim, optei logo pelo Office 365, com pagamento mensal, como uma assinatura de revista ou uma conta de servidor.

E o Wab? E os meus contatos?

Que contatos?

Nunca consegui anotar mais do que uma dúzia de nomes de pessoas que já nem sei quem são. 

Às vezes, parece que a informática surgiu para resolver um determinado problema, mas gerou outros, de maneira que sempre que me sento em frente ao meu computador, tenho a impressão de estar sendo enrolado em teia de aranha e sendo passado para trás.

De alguma forma, parece que sempre acabo gastando mais do que deveria, e obtendo muito pouco em troca.

Eu preciso usar mais o Wab.

sábado, 6 de abril de 2013

A morte dos aparelhos eletrônicos

Fiquei um bom tempo sem escrever neste blog porque tive problemas com meu velho computador Megaware, já com cinco anos de uso. A sua placa-mãe parou de funcionar, e tive que migrar, e ainda estou migrando, meus dados de seu HD para um micro novo.

Mandei o Megaware para o concerto, e foram taxativos: a placa-mãe está condenada, porque seus capacitores estão estourados, estufados, e vazando um líquido parecido com ferrugem. A placa não voltará à vida, a menos que se faça algo que hoje é quase sem sentido: substituir os capacitores. Parece coisa tão sem sentido que lembra a época dos rádios e televisões à válvula, de quarenta anos atrás.

Os capacitores morrem, e com eles, as placas, e com elas, os micros, e com eles, morre parte de nossa vida de rotinas diárias em frente à uma tela e nossos programas e sites.

Mas não foi só meu micro com cinco anos que morreu.

Um dia desses, morreu, ou pelo menos caiu doente, sem vida, uma velha televisão Cineral que tenho a dezoito anos, e que até então nunca havia dado problemas. Ela foi ligada e começou a dar estalos e fui obrigado a substituí-la por uma outra menor, que estava encostada em um guarda-roupa qualquer. Nós, brasileiros, ou eu, em particular, ainda não estou acostumado a colocar no lixo, na caçamba de lixo em frente ao local onde moro, meus equipamentos eletrônicos mortos. Dizem que em países mais ricos e mais práticos, onde não se pode perder tempo tentando concertar coisas descartáveis, e onde essas coisas descartáveis custam pouco, as pessoas simplesmente jogam bugigangas eletrônicas estragadas nas caçambas, e seguem em frente.

Ainda não cheguei a este ponto.

De qualquer forma, estou quase de volta à minha rotina digital, e acrescento esta observação, a de que as coisas eletrônicas adoecem e morrem, para deixar registrado que nossa vida muda com os avanços tecnológicos, e que a morte desses aparelhos encerra mais coisas do que supõe nossa vã filosofia.

Até que ponto nossa vida será afetada pelos avanços tecnológicos?

Esta é uma pergunta em aberto e dá margem a interessantes especulações.

Mas não agora. Não agora.

Agora, tenho meus backups a serem feitos.

Hardwares morrem. Softwares morrem. Dados morrem. Informação não.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Adeus, spam!

Atualizei meu Windows Live Mail para somente enviar mensagens pela porta 587.

O que isto significa?

Veja este link para mais detalhes.

Arte/UOL

Agora, acho que vamos dar um jeito nesse problema. Vai demorar, mas tem que pegar.

Precisamos dar um adeus ao spam, essa espécie de poluição digital que mata o prazer de abrir nossas tão queridas caixas de e-mail.

domingo, 21 de agosto de 2011

Anotando tudo e aprendendo

Eu disse que gosto de escrever.

Já escrevi em cadernos com canetas comuns, escrevi à máquina, depois passei aos computadores e ao Word, e depois aos blogs. O próximo passo é escrever em um tablet ou em um celular. Mas teve uma época em que os tablets e celulares não eram tão poderosos ou estavam em estágio embrionário. Nesta época, eu vi a possibilidade de usar os handhelds, os dispositivos manuais, como os Palms e similares.

Depois de pesquisar bastante, acabei comprando pela Internet um dispositivo interessante. Era um tipo de handheld chamado Da Vinci. Era um aparelhinho com tela sensível ao toque, armazenava pequenos blocos de texto e tinha um tecladinho que podia ser adaptado com um cabo. Depois, vinha com um outro cabo, que o conectava ao micro. Tinha um CD com um software e eu podia transferir os textos criados nele para o micro. Não era cheio de muitos recursos, como tela colorida, câmeras ou aplicativos variados, não tinha conexão wi-fi nem celular, mas servia para um propósito que eu achava importante: eu poderia andar com ele o tempo todo e ir anotando coisas nele.

Eu poderia anotar pequenos blocos de texto, depois transferir para o micro.

Mas o que eu pretendia anotar de tão importante?

Nesta época, eu era disciplinado com minhas finanças. Eu anotava tudo que gastava, e mantinha um controle no computador com o Microsoft Money. Então, sempre que gastava algum dinheiro com alguma coisa, eu anotava em algum bloquinho de papel ou mesmo guardava na memória. Então, o aparelhinho era ideal para esse tipo de controle.

Depois, eu queria escrever um livro sobre alguma coisa catastrófica. Mas eu não queria escrever somente em casa, num determinado arquivo de computador. Eu queria escrever sempre que tivesse tempo livre, e esse tempo livre nem sempre era em casa, em frente ao micro. Muitas vezes eu tinha tempo, mas longe de casa, e sem um micro para escrever. Se fosse sempre em frente a um micro, eu poderia usar um disquete (porque naquela época não havia pen drives, e os CDs regraváveis eram caros, e não havia gravadores em todas as máquinas disponíveis). Mas nem sempre havia locais com computadores à mão.

Eu poderia escrever em um caderninho, mas depois eu teria que perder um tempo precioso digitando tudo no Word. Então, com o aparelhinho, era só escrever, depois passar para o micro e formatar no Word, sem o trabalho de digitar tudo do zero. Enfim, a ideia era boa. Achei que o tecladinho seria minha nova caneta, e o aparelhinho, meu novo papel.

Tentei habituar-me ao novo dispositivo. Cheguei a anotar algumas coisas. Algumas despesas, alguns parágrafos de um livro. Sempre que penso no meu Da Vinci, me vejo em um ponto de ônibus em frente ao Parque Pecuário de Goiânia, sentado ao sol, com o aparelhinho na mão, procurando as letras no visorzinho preto e branco.

Depois, copiei tudo para o micro. Deve ter dado algumas dezenas de bites. Havia um recurso no software de sincronização que fazia um backup dos dados do Da Vinci no HD do computador. Perfeito. Fiz o backup, para não perder nada. Depois lancei as despesas no Money.

Depois desisti de escrever no Da Vinci.

Hoje ele está guardado num saco plástico em alguma parte de uma estante de livros e bugigangas, num quarto de casa que uso como biblioteca.

Paguei caro pelo Da Vinci: R$ 295,40. Fiquei excitado esperando ele chegar pelo correio. Comprei-o pelo site Submarino. Isso foi no dia 19/08/2003. Curioso: hoje faz quase exatamente oito longos anos que o comprei. Sei disso porque anotei tudo no Money. Na época, foi um investimento bastante bem pensado. Achei que seria uma grande ferramenta para um cara que gosta de escrever como eu.

Está tudo guardado, sem uso.

Falo dele porque fui fazer um backup de dados e tenho muita informação guardada. Os dados do Da Vinci foram gravados em um micro anterior a este que uso hoje. Era um Pentium 266 com 98 megas de RAM, e um HD de 3 gigas. Depois instalei outro de 60 gigas, que foi para o espaço quando mudei-me de Goiânia para Ribeirão Preto. Mas não perdi nada, porque tinha o bendito backup.

Vejam, não sou paranóico com falhas de HD e dados perdidos. Isso ocorre de tempos em tempos, podem ter certeza disso.

Então, no meu micro novo, o que uso ainda hoje, tem uma pasta com o backup do micro velho. Fui dar uma olhada no que havia de importante por ali e sai abrindo pastas na ordem em que foram aparecendo. E lá estava ele, o arquivo do Da Vinci, logo na primeira pasta.

Oh, o que havia de importante nele?

Primeiro, alguns parágrafos de um livro que comecei a escrever. O que esses parágrafos diziam?

Depois falo deles.

E o que mais havia?

Havia as anotações das despesas. O que elas significam hoje?

Não sei, mas quase nada, a não ser que me fazem lembrar de coisas que jamais me lembraria sem a ajuda delas. E por vezes penso que se não são coisas que me lembro normalmente sem a ajuda de anotações, então não deve ser nada de importante ou útil.

De qualquer forma, foi com pesar que me lembrei do meu Da Vinci.

Quanta expectativa! Quanto desinteresse quase que imediato!

Ele era um brinquedo inútil? Não, não era.

Eu é que perdi o interesse nas coisas.

O livro está inacabado.

Não registro nem controlo mais minhas finanças.

O que houve comigo?

Onde foram parar meus planos?

O que se passou nesses oito anos que fizeram com que eu mal me reconheça em minhas lembranças e registros?

Será que mudei tanto assim?

Não sei. Sim, mudei. Mas não perdi a mania de anotar tudo.

Também não adquiri o hábito de usufruir das coisas que desejo e conquisto.

Eu ainda tenho muito que aprender.

Ah! A tela do Da Vinci ficou velha e o cristal não mostra mais quase nada.

Eu não posso mais usá-lo.

Ele está morto.

E eu só o usei uma vez!

Eu ainda tenho muito que aprender nessa vida...