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quinta-feira, 26 de março de 2015

É cedo para se desistir

O objetivo deste blog deveria ser, sem sombra de dúvida, ganhar muito dinheiro.

Se não fosse possível ganhar muito dinheiro com ele, que se ganhasse ao menos algum dinheiro.

Por fim, se ele não rendesse dinheiro nenhum, que servisse ao menos para entender como se ganha, ou como não se ganha dinheiro nesse nosso mundo complexo e imprevisível, onde sabe-se muito, mas não tudo.

Ainda é cedo para desistirmos.

Sobre os ombros dos mais fracos

Eu gostaria de escrever mais sobre dinheiro, finanças, negócios, economia.

Esses assuntos fazem parte de minha vida e eu penso muito sobre eles.

Eu até tentei escrever sobre isso em um outro blog, mas, é muito difícil escrever um único blog. Dois, é quase impossível. Então, o pouco que escrevi sobre os temas acima eu irei publicar aqui, que é onde as coisas acabam de fato acontecendo.

O blog se chamava "Sobre os ombros dos mais fracos: porque é difícil ficar rico. Filosofando sobre negócios..."

Publiquei nove textos, deixei seis rascunhados, e parei, porque dá muito trabalho manter blogs em geral. Percebi que nem escrevia aqui, nem lá. Decidi que é melhor manter este aqui e abandonar o outro, que certamente não teria futuro.

Segue-se os nove textos, com pequenas adaptações...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O bem comum

Eu disse nesta postagem que andei pensando sobre socialização e como um blog pode atender aos meus próprios interesses pessoais, mas também aos interesses de meus eventuais leitores. Quer dizer, eu tiro algum proveito quando escrevo meus textos neste blog, e o benefício que obtenho relaciona-se com o prazer que sinto em escrever sobre assuntos que me agradam, a clareza que obtenho a respeito de determinados assuntos que acho relevantes, porque quem escreve sabe que é mais fácil ordenar as ideias por meio da escrita que por meio da fala ou de outro meio, como o simples pensar silencioso sobre elas.

Agora, que ganha com isso, com a leitura de meus textos, um eventual leitor?

Depende de quem lê.

Os seres humanos são únicos. Todos sabemos o quanto somos diferentes dos nossos semelhantes. Na verdade, nem sei porque somos chamados de semelhantes, se somos assim tão diferentes.

Somos um tipo de animal (e somos mesmo animais, quer gostemos disso ou não) que tenta entender a si mesmo, mas esse entendimento é muito difícil.

O que temos em comum com nossos semelhantes?

Somos, é claro, muito diferentes, mas temos também muitas semelhanças.

Não acho que ressaltar diferenças seja mais ou menos importante que ressaltar semelhanças. Mas parece-me que ressaltar semelhanças pode, à primeira vista, ter melhores resultados que ressaltar diferenças. Digo à primeira vista porque certamente há situações em que afirmar um diferença pode ser melhor que realçar uma semelhança. Creio que o contexto onde se dá uma comparação é que dirá se é melhor enfatizar semelhanças ou diferenças.

Qual a razão dessa pequena digressão a um assunto que aparentemente nada tem a ver com textos e blogs?

É que meus textos são públicos. E é preciso ter em mente que somos seres sociais. Estamos sempre influenciando e sendo influenciados pelos nossos semelhantes.

Alguém recomendará que eu não me preocupe com essa questão da influência entre seres humanos por três motivos:

1 - Ninguém está se importando muito com o que eu escrevo. Não devo me levar tão a sério assim. Não devo me dar tanta importância assim, porque as pessoas não são folhas ao vento, que mudam de opinião como mudam de roupa de acordo com o que leem em meu blog.

2 - Meus textos não são realmente convincentes. Eu não consigo mudar ninguém, ainda que me esforçasse para isso. Então, seria preciso aprimorar meus dons argumentativos, e deixar de subestimar as razões alheias.

3 - As pessoas não mudam da maneira que acho que mudam. Elas mudam, sim, mas não em razão de textos meus ou de quem quer que seja. Elas mudam muito lentamente por razões que a razão desconhece. Há mais emoção e irracionalidade nas decisões das pessoas do que supomos e mesmo se eu tentasse mudar as pessoas, não seria nem o primeiro, nem o mais esforçado e nem o último a tentar e fracassar, porque há muita gente tentando séria e esforçadamente fazer a cabeça das pessoas, mas não conseguem. Logo, não devo me preocupar com o que escrevo, porque meus textos não conseguirão (nem os textos de ninguém) provocar algum mal ou bem em quem quer que seja.

E eu sou tentado a dar certa razão a alguém que fizesse essas advertências a mim.

No entanto, pensando no assunto, eu devo lembrar a mim mesmo de que não me cabe disseminar o mal, e se for para deixar públicas minhas ideias, que sejam ideias que promovam o bem comum, que tenham um senso de utilidade, porque não vejo razão para agir diferentemente.

Quão a razão para promover o mal?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A literatura como forma de socialização

Dentre as muitas possíveis ideias que eu poderia discutir neste blog, discutirei primeiramente a própria existência dos blogs.

Eu poderia falar de outros assuntos, tal como música, política, finanças e astronomia, mas inicio pelo tema da literatura porque é disso que este blog trata: ele é uma ferramenta literária, mais que qualquer outra coisa.

Um blog pode prestar-se a uma série de utilidades, mas em geral podemos classificá-los entre blogs pessoais e comerciais, quer dizer, blogs que existem e pertencem a pessoas comuns e blogs que existem e pertencem a empresas.

Evidentemente, este blog é pessoal.

Ele não visa (ainda) a vender nada. Ele visa a disponibilizar meus textos, que tratam de uma variedade de assuntos, sem maiores pretensões financeiras.

Eu poderia considerar meus textos como não disponíveis ao público, e escrevê-los só para mim, como um mero registro privado.

Por que não mantenho meus textos privados? Por que escrever e disponibilizar ao mundo o que se escreve? 

Se o que escrevo não visa a vender nada para ninguém, então posso, despretenciosamente, chamar meu blog de não-comercial, pessoal, e por fim, literário. Não se pode concluir daí que ele tenha alguma qualidade literária, mas, de qualquer maneira, ele é uma forma de literatura.

E ele é público. Logo, as pessoas podem ler os textos e gostar ou não, sem maiores implicações.

Se o que escrevo é uma forma de literatura, e se esta literatura é pública, então podemos pensar em porque escrever e depois, podemos pensar em porque divulgar o que se escreve.

Porque eu escrevo um blog?

Eu escrevo este blog porque eu gosto de escrever.

Eu gosto de escrever faz um bom tempo. No momento em que escrevo esse texto tenho quarenta e quatro anos. Mas aprendi a escrever, quer dizer, fui alfabetizado quando tinha meus seis, sete anos. Aprendi a escrever em 1977. Sei escrever alguma coisa a trinta e sete anos.

Evidentemente, qualquer pessoa que tenha frequentado uma escola e tenha sido alfabetizada poderia ser classificada como escritora, se assim fosse tão simples. Não é este o caso, e de fato, eu não posso dizer que o que escrevi durante meus anos de escola tenha qualquer coisa de literária.

Como posso saber se o que escrevi é ou não algo de aspecto literário ou não?

Bem, penso que basta eu fazer um breve apanhado daquilo que escrevi ao longo da vida, e então posso saber desde quando venho escrevendo, e o que venho escrevendo sob o ponto de vista estritamente literário.

Antecipo que, qualquer que seja o resultado desse apanhado, ele não acusará de forma alguma que eu seja um escritor profissional.

Não, eu escrevo mais por prazer e consumo próprio que por qualquer outro motivo. Já arrisquei, admito, alguma coisa mais séria, mas foi apenas uma aventura. Hoje, sou um mero apreciador da arte de escrever.

Antes de um apanhado geral sobre o que escrevi, resta saber porque disponibilizar o que escrevo ao público.

Mas, nem tudo que escrevi foi disponibilizado ao mundo. Este blog é meu atual esforço literário, mas ao longo dos anos escrevi outras coisas, em outro formatos, e nunca disponibilizei nada a ninguém. É verdade que o surgimento da internet representa para mim, para todas as pessoas que gostam de escrever no mundo e para o mundo como um todo um marco inigualável em termos de facilidade de socialização de textos, mas afirmo categoricamente que já escrevia antes da internet surgir. O surgimento da internet apenas facilitou a disponibilização dos textos, penso eu.

Quando comecei a ir para a escola, em 1977, eu fui aos poucos aprendendo a escrever. Escrevi coisas que era preciso escrever, mas cadernos escolares não são formas tradicionais de expressão artística e não são considerados literatura.

Então, o que escrevi de literário ao longo de minha vida?

Preciso urgentemente fazer este inventário literário, mas não agora. Farei-o nos próximos textos, é certo.

Agora, tratarei da ideia da literatura como forma de socialização.

A literatura não técnica, a literatura não informativa, não comunicativa, não jornalística, a literatura verdadeiramente artística, não precisa ser disponibilizada ao público.

Evidentemente, a maioria das pessoas que escrevem o fazem pensando em um público que lerá aquilo que estão escrevendo. Mas essa verdade não precisa ser um regra, e muitas vezes não é.

Cito como um exemplo as cartas.

Ninguém escreve uma carta pensando em publicá-la. Mas elas muitas vezes são publicadas. Quem sabe um dia publiquem e-books de literatura reunindo coleções de e-mails trocados entre personagens de grande valor artístico, e então veremos que a tradição de se resguardar para a posteridade qualquer forma de obra escrita de pessoas dotadas do dom literário continuará, apesar da era digital.

Afinal, um conto de um Machado de Assis não seria menos doce ainda que fosse originalmente escrito em um arquivo do Word e encaminhado a um seu colega via e-mail. Creio que a forma digital não representa problema algum para aquele que escreve.

Aliás, eu só me interessei por computadores devido ao enorme potencial que eles mostraram na edição de textos. Esse assunto é fascinante, e falarei sobre isso em breve.

A questão é: um texto literário só é uma forma de socialização se ele, ainda que disponível ao público, seja de fato lido. Um texto meramente publicado, mas não lido, não comunica nada, não liga escritor e leitor de maneira alguma, porque falta exatamente a ponta da corrente de comunicação, que é o leitor. Logo, a literatura só é uma forma de socialização na medida em que as pessoas que escrevem encontram pessoas que leem seus escritos. Do contrário, escreve-se para todos, mas o texto é como um grito no deserto.

Este é o grande drama do escritor: encontrar quem se disponha a ler sua obra, e assim, satisfazer seu anseio de comunicação. Entendo que só possa ser este o desejo de quem torna público uma sua obra: a de vê-la lida por quem quer que seja. E então, eis a frustração e terror de qualquer escritor que publica: não ser lido.

Não é o caso se se escreve para si mesmo, ou para alguém que irá necessariamente ler o que o escritor produz. Uma carta que chegue ao seu destino cumpre sua função, e é lida por aquele que tinha de lê-la. Consuma-se o processo de comunicação desejado pelo autor e não se pode falar em frustração no sentido de que gritou-se no deserto. O leitor pode apreciar ou não o estilo, o conteúdo, mas não pode dizer que não foi alvo da mensagem a ele especialmente endereçada.

E há aquele que escreve para si mesmo, que tem em si mesmo seu alvo, e que lê silenciosamente sua própria obra, seja por que motivo for que não a divulga, e que assim também não se frustra. Pelo contrário, tem em si mesmo o seu melhor e mais perfeito público. Além do mais, se não gostar da própria obra, pode refazê-la da maneira que quiser. O escritor egoísta é também o mais elogiado, porque não tem grande chance de falhar.

Verdade esta última constatação?

Nem sempre. A história da literatura está repleta de obras destruídas pelo próprio autor, que na sua exigência de perfeição inatingível, preferiu a destruição do imperfeito, ainda que magnífico aos olhos alheios, que a mácula a seus próprios olhos insaciáveis.

Nestes casos, o escritor egoísta é também o mais criticado, porque nunca tem chances de acertar.

Logo, é o gosto do artista, do escritor, que define o que pode ou deve vir a público ou não. Ele sente que só pode compartilhar algo que ele próprio ache digno de algum merecimento, que ele ache que tenha um valor tal que seja possível de apreciação por parte de outros que não somente ele.

Quer dizer: publica-se somente aquilo que é suficientemente bom, e tem-se que aquele que publica é um generoso, pois quer que outros mais sintam o prazer que sentiu sozinho, e previamente, contemplando a própria obra.

Então, publicar requer três componentes: gosto adequadamente apurado para a apreciação da literatura semelhante a que se propõe a escrever e para a própria obra, generosidade para permitir que outros mais possam vir a sentir algum prazer com a obra tal como o próprio escritor sentiu ao vê-la pronta, e por fim, alguma humildade para aceitar que há gostos diferentes do seu próprio, e que nem todos sentirão o mesmo prazer que ele, dado que pessoas são naturalmente diferentes, e aceitar eventuais críticas negativas a respeito de sua obra de maneira leve e serena, porque um escritor sereno deve ter sensibilidade o bastante para saber que jamais agradará a todos.

Eu tenho esses três atributos? Se você escreve e publica, você os tem?

Veremos mais sobre gosto literário, generosidade e humildade nos próximos textos, pode apostar o seu chapéu que sim. E farei meu inventário, pode apostar uma orelha. Eu garanto.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O que é uma ideia?

O que é uma ideia?

Quando incubamos uma ideia, com o que estamos lidando, afinal?

Platão pensava o mundo das ideias como o mundo verdadeiro, e via o mundo material, este em que eu, você, todos nós vivemos, como uma mera cópia mal feita do mundo das ideias. Não deixa de ser uma teoria interessante, mas os séculos de experimentação e ciência, filosofia e debates parece ter refutado Platão.

Certo, tem gente que ainda acha que o mundo das ideias é o verdadeiro, mas não entrarei neste debate, porque o tempo é curto, meu conhecimento sobre as minúcias do tema é limitado e não é sobre esse conceito de ideia que quero falar.

Quero falar do conceito de ideia como proposta.

Ideias podem ser, platonicamente falando, estados de perfeição. Uma ideia seria um objeto perfeito. Por exemplo, Platão entendia que no mundo material em que vivemos, existe objetos vermelhos, mas não a cor vermelha. O vermelho como cor perfeita existiria apenas no mundo perfeito das ideias. Objetos de cor vermelha seriam apenas arremedos de objetos vermelhos ideais.

Assim, ideias, para Platão, são conceitos abstratos.

Certo, um blog que encuba ideias, debate, divulga ou aperfeiçoa ideias pode tomar ideias platônicas como tema, mas não é neste sentido que penso sobre ideias. Quando falamos aqui sobre ideias, falamos mais em possibilidades, projetos e coisas a serem feitas.

Por exemplo: não cabe discutir a cor vermelha com uma abstração da perfeição. Cabe discutir como tornar os objetos vermelhos, ou dizer que objetos vermelhos são melhores ou piores que outros objetos, ou ainda, aperfeiçoar a vermelhidão dos objetos, de modo a torná-los o mais vermelhos possível.

Divulgar a ideia de como evitar que um problema surja, ou de como solucioná-lo, é uma boa razão para a existência de um blog como uma incubadora de ideias.

Assim, o correto seria dizer que este blog pode ser uma incubadora de projetos, ou pré-projetos. Mas, projetos e pré-projetos parece envolver já algum grau de amadurecimento de pensamento, parece já envolver uma tomada de decisão de dar um passo no sentido de se concretizar algo que já foi devidamente pensado, embora possa ainda, por uma série de motivos, vir a não ser feito, não ser concretizado.

Ora, algo que ainda não é um projeto é o quê? Em que estágio está, por exemplo, uma casa cujas fundações não foram sequer esboçadas em um pedaço simples de papel? Se não há nada que a materialize em forma física, não há casa. Se temos apenas desenhos, não temos uma casa, mas um projeto de casa. Mas, se nem desenhos temos, mas apenas pensamos na casa em nossas mentes, então temos a ideia de uma casa. Ora podemos então usar palavras faladas e escritas para descrever, aperfeiçoar, debater sobre a casa, mas ainda assim não ter nenhum desenho, nenhum tijolo assentado. E ainda assim a casa pode estar muito bem elaborada do ponto de vista de planejamento, porque de fato seus possíveis problemas foram exaustivamente pensados, suas soluções discutidas, suas formas imaginadas.

Assim, o mundo das ideias tem sua utilidade, e usar um blog para discutir ideias parece ser bastante interessante.

Evidentemente, há infinitas ideias. Ideias precisam ser classificadas em compartimentos mentais para poderem ser incubadas. Assim, falaremos sobre ideias matemáticas, ideias científicas, ideias filosóficas, ideias econômicas, ideias tecnológicas, ideias sociais, ideias de solução de problemas diversos.

Além do mais, e exatamente porque as ideias são em número infinito, não trataremos de muitas. Pode-se tratar apenas de uma pequena fração delas. Podemos passar décadas pensando um tema qualquer sem nunca esgotá-lo, afinal.

E, por fim, há a necessidade e o gosto pessoal.

Parece-me que há ideias mais importantes que outras devido à necessidade que satisfazem. Por exemplo: é mais razoável perder tempo pensando uma ideia que busque a cura do câncer do que gastar tempo pensando em uma maneira nova de se curar um arranhão. As necessidades do mundo definem as prioridades dos problemas a serem tratados pela elaboração de ideias.

E, ainda que haja necessidades infinitas, não se pode satisfazê-las todas. E se temos que pensar, que seja sobre algo que, além de prioritário, seja de nosso gosto pensar.

Por que devemos pensar sobre o que gostamos? Porque simplesmente não conseguimos pensar direito sobre o que não gostamos. E se for para pensar por obrigação, então um blog não é mais uma fonte de entretenimento e prazer intelectual, mas um martírio e uma tarefa maçante e chata. E não produziremos nada de importante e útil pensando por obrigação. Vocação, gosto, desejo por algo é coisa que não temos assim tanto controle, e se é para pensar, que se pense sobre o que dá prazer, não importa o porquê dessa atração prazerosa.

Dadas essas breves explicações, esboçaremos algumas linhas de atuação para este blog, que entendo necessárias para um melhor entendimento de seu real potencial.

Continuem lendo.

Continuem...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Um blog como uma incubadora de ideias II

Após breve pausa, retornamos ao debate do tema que é o nome deste artigo: um blog como uma incubadora de ideias.

Eu disse no artigo anterior, que é a primeira parte deste texto: não temos controle sobre o que as pessoas pensam quando leem um artigo qualquer em um blog. Sequer temos controle sobre quem lê ou não nossos artigos.

Já tratei do problema que é não ter controle sobre quem lê ou não nossos artigos. Agora, falarei sobre o que as pessoas pensam sobre os artigos que leem, e se temos ou não algum controle sobre esse pensar.

Eu encerrei meu primeiro artigo dizendo que antes de questionar se este ou qualquer outro blog pode ser ou não uma incubadora de ideias, era preciso que nós entendêssemos o que é uma incubadora de ideias.

Mas, ainda que não saibamos exatamente o que seja uma incubadora de ideias, podemos nos questionar sobre o que tem a ver uma incubadora de ideias e o controle que temos sobre o que pensam as pessoas que leem nossos artigos em nossos blogs.

Ora, seja o que for uma incubadora de ideias, será através de artigos que tentaremos desenvolver ideias.

Desenvolver ideias? Quer dizer que uma incubadora, que até então não sabíamos o que era, agora é algo que se presta a "desenvolver ideias"?

Que seja, ou então, quem sabe, apenas debater ideias, ou ainda mais simplesmente, divulgar ideias.

Mas esperem: divulgar ideias é diferente de debater ideias, que é também diferente de desenvolver ideias. Cada verbo trás em si um objetivo diferente, um alvo diferente, que necessita de uma estratégia de ação diferente. Divulgar não é o mesmo que desenvolver. Debater, no sentido de dialogar sobre um tema, não implica necessariamente em divulgação ou aprimoramento deste tema.

O que é uma incubadora de ideias, então?

Sem mais aprofundamentos, ela é uma ferramenta para se "trabalhar com" ideias. Que tipo de trabalho será este, se de divulgação, discussão ou desenvolvimento, não sabemos, ou não decidimos ainda, mas é certo que envolverá ideias.

Ideias são o quê, então?

O que é uma ideia?

Um blog como uma incubadora de ideias I

Eu disse em minha primeira postagem neste blog que eu pretendia usá-lo como um meio de divulgar minhas ideias a respeito de uma série de coisas, as quais eu mantinha anotadas em uma agenda de papel, e que eu achava que deveria vir ao conhecimento público, para eventualmente gerar algum resultado qualquer.

Ora, um blog pode ser uma incubadora de ideias?

Não sei, mas vamos pensar juntos na ideia.

Não temos controle sobre o que as pessoas pensam quando leem um artigo qualquer em um blog. Sequer temos controle sobre quem lê ou não nossos artigos. E temos pouquíssimas suspeitas do quão grande ou pequeno seja o impacto de um artigo veiculando uma ideia qualquer sobre as pessoas que o leem.

Primeiro: não temos controle sobre quem lê nossos blogs. 

Qualquer pessoa pode ler nossos artigos. Logo, a chance de uma pessoa ler um artigo nosso que lhe interesse é muito pequena, porque a maneira como essa pessoa tem acesso a nosso artigo é definida pelos canais de acesso ao blog como um todo. Calma, vou explicar...

Ora, uma pessoa qualquer tem uma variedade de interesses na vida, e provavelmente seus interesses são muito diferentes dos meus. Eu obviamente não publicaria artigos em meu blog sobre assuntos que não são do meu próprio interesse. Logo, supõe-se que todo artigo que compõe meu blog versa sobre assuntos que representam áreas de meu interesse.

Evidentemente, eu e uma pessoa qualquer podemos ter interesses comuns. Mas como eu não sei quem é essa pessoa, e não conheço seus interesses, não tenho como saber o que podemos ter de interesses comuns. Assim, ela terá que checar meu blog como um todo para saber se temos interesses comuns ou não. Essa checagem, evidentemente, nunca acontecerá, porque as pessoas não tem interesse em vasculhar blogs de gente desconhecida em busca de interesses em comum. O que as pessoas fazem é usar o Google para buscar artigos que falem sobre seus próprios interesses. O Google então é a conexão que fará com que essas pessoas cheguem a um suposto artigo em meu blog que trata de um assunto de seus interesses.

O segredo do problema aqui é a palavra "suposto".

O Google tem seus motores de busca acobertados por sigilo. Não sabemos como ele realmente funciona. Uma pessoa pode buscar um tema de seu interesse nele e vir a cair em algo totalmente diferente. Algumas vezes, o próprio Google resolve o problema, porque disponibiliza algumas palavras do artigo encontrado, e as pessoas podem deduzir se o artigo de fato trata do assunto que buscam ou foi apenas uma pista falsa do Google.

Então, acontece que muitas pessoas não precisam ler um artigo para saber que ele é uma pista falsa. Eles simplesmente ignoram os links para os artigos na própria página de respostas do Google e vão em frente.

Assim, poderíamos supor que se um artigo nosso é de fato acessado, é porque quem o acessou já tinha uma certa ideia de que nosso conteúdo não era uma pista falsa. Mas, nem todo mundo observa as pistas dadas pelo Google em suas respostas às consultas feitas. Algumas pessoas simplesmente vão clicando nas respostas para ver no próprio conteúdo se ele trata daquilo que procuram, sem dar muita importância às dicas do Google. E assim, vez por outra, caem em artigos que são pistas falsas. 

Ora, então, se por exemplo, tenho um artigo meu lido por dez pessoas, não sei dizer quantas delas realmente leram o conteúdo porque este dizia respeito a alguma área de interesse genuíno ou se simplesmente chegaram ao conteúdo baseados em pistas falsas do Google e depois de ler uma ou duas linhas do artigo, simplesmente o descartaram por não ser de fato algo de seus interesses. 

Quantas pessoas realmente se interessam por aquilo que têm diante de suas telas de computadores?

Não sei dizer. Digamos que 10% das visualizações de um artigo são realmente seguidas de uma leitura atenta e completa de seu conteúdo. Não sei dizer realmente.

Mas, qual a importância dessa informação estatística para o desenvolvimento do tema desse artigo em particular, que trata de discutir blogs como incubadoras de ideias?

O fato é que minhas ideias precisam antes ser acessadas por leitores que de fato tenham interesse em seus conteúdos, e a basear-se pelas estatísticas de visitas em meu blog, não são muitas pessoas que posso considerar que tiveram acesso a alguma delas.

Se tenho, por exemplo, um contador de visitas dizendo-me que meu blog foi acessado por 9.000 pessoas, não posso supor que todas realmente estavam interessadas genuinamente nos conteúdos das centenas de artigos que disponibilizo nele. Se apenas 10% realmente tinham interesse no conteúdo, então, minhas ideias foram acessadas de fato por apenas 900 pessoas, ou algo em torno disso.

Esse número, 900 pessoas, não deveria ser maior? Não é realmente muito pouca gente lendo minhas ideias?

De fato, penso que não. Na verdade, acho até demais.

Na vida real, nunca temos a chance de conversar com mais do que meia dúzia de pessoas sobre nossas ideias. Se eu tivesse discutido algumas ideias desse blog com apenas 9 pessoas, já me sentiria satisfeito. Mas não, nem isso eu consegui. Nem creio que as pessoas em geral se preocupem com isso. As pessoas em geral não levam a vida tentando discutir suas ideias com seus semelhantes. Elas querem contato, mas não contato intelectual. Meu gosto por discutir ideias é um pouco excêntrico, admito.

Mas, se 900 pessoas de fato leram alguma coisa em meu blog, não tenho como saber. As estatísticas de um blog não vão além de dizer que um artigo foi acessado, e só. Não há como saber se foi lido por inteiro, se foi lido com atenção, e se a pessoa que o leu foi influenciada pelo conteúdo daquilo que leu. Não sei dizer se ela aprovou a ideia, se ela pensou longamente sobre o que leu, se ela resolveu mudar algum aspecto de sua vida com base naquilo que pensou depois de ler algo em um artigo meu.

Duvido que isso tenha acontecido, mesmo com uma ou duas pessoas dentre as quase 9.000 que já acessaram meu blog.

Não era essa minha intenção quando o iniciei. Não sei se essa seja uma razão válida para se ter um blog, pensando de minha parte. Entendo que haja blogs com o objetivo explícito de fazer cabeças, moldar mentes, divulgar opiniões, atingir corações e moldar comportamentos. Não sei se funcionam ou não, mas não é o caso deste blog. Quer dizer, não é o caso deste blog ter como projeto ser um blog que busque disponibilizar ideias explicitamente a seu público leitor. Na verdade, esse blog sequer é um projeto, no sentido normal da palavra. Ele é apenas um passatempo, nada mais que isso.

Mas, por que não torná-lo uma incubadora de ideias?

Vamos dar uma pausa para respirar, e retornamos com a resposta a uma pergunta que precisa ser antes respondida: o que seria uma incubadora de ideias?

Pausa para respirar...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Difusão intelectual

Eu tenho escrito bastante neste blog. Já são mais de 500 postagens em 10 anos de permanência no ar, online. Mas, quer saber, isso não significa muita coisa em termos de popularidade.

Vou ser honesto: creio que menos de 15 mil pessoas chegaram a acessá-lo neste tempo todo. É importante entender que quando digo "este blog" refiro-me ao seu conteúdo como um todo. Na verdade, o conteúdo todo não está disponível somente no Blogger. Eu faço uma cópia do blog em formato PDF e posto no Scribd e no Bookess. E tem uma parte mais antiga deste blog, escrita antes de 2010, que ficou no UOL Blog, e eu não dou mais manutenção, embora as pessoas ainda possam acessar o material, que ainda está lá. Há ainda uma pequena parte dele que eu traduzi para o inglês, embora não possa garantir que tenha mantido o mesmo sentido, o mesmo espírito dos textos originais. De qualquer maneira, são cinco endereços diferentes por meio dos quais as pessoas podem acessar o conteúdo desse blog, ao todo ou em parte. Como podemos acompanhar o tráfego de pessoas em nossos endereços virtuais hoje em dia, então eu posso dizer sem medo que não chegou ainda a 15 mil o número de pessoas que tiveram acesso ao conteúdo deste meu blog.

Agora, vai aqui uma tentativa de entender o que esse número significa, e a quais conclusões podemos tirar a respeito dos blogs, da internet e da comunicação humana em geral.

Primeiro, garanto que nem todas as visitas registradas são realmente de seres humanos. Há um sem-número de sites maliciosos que usam robots para fazer visitas que não leem nada, apenas acrescentam um algarismo a mais nos contadores de visitas dos nossos blogs, e isso infla a percepção de que estamos sendo lidos, entendidos e lembrados. Então, acho que posso reduzir o número de visitantes a algo em torno de 10 mil pessoas, sendo o resto apenas meras visitas de mentirinha.

Então, 10 mil visitas em 10 anos corresponde a algo em torno de 3 visitas diárias.

Em um mundo com 7 bilhões de pessoas, é muito pouco. Está certo, apenas uns 250 milhões compreendem o português dos textos, mas ainda assim, é pouco. Acho que desses 250 milhões de pessoas que sabem ler na língua portuguesa, apenas uns 20% possuem acesso à internet, o que daria algo em torno de uns 50 milhões de leitores potenciais. Mas, ainda assim, é muita gente, muita gente que não está nem aí para o meu blog.

Mas, indo além, afirmo que dessas 10 mil visitas registradas, pelo menos 15% o fizeram apenas para ler um único texto, uma única postagem, a que se chama "tag violado", e que se refere a um assunto que apenas tangencialmente tem relação com coisas que me interessam e que eu gostaria de escrever neste blog. Definitivamente, não gosto de carros e só falei sobre o assunto dos problemas com nossos carros nos pedágios por mera curiosidade. 

Sim, eu poderia dizer "eureka!" diante do fato de saber que há bastante gente interessada em problemas com pedágios, e a partir desse fato, passar a captar mais audiência escrevendo mais sobre outros problemas correlatos, isto é, escrevendo sobre carros. Mas eu me recuso a pensar que eu deva escrever sobre um assunto que não me interessa apenas porque há demanda para esse tipo de assunto. Se eu fosse me guiar por essa linha de pensamento, eu poderia tornar este um blog pornô. Mas não me curvo a este tipo de apelo, o apelo da audiência sem levar em conta o apelo de meus próprios interesses, que considero mais dignos do que pornografia ou carros.

Eu entendo o interesse do mundo pelos carros. E eu entendo a razão do sucesso desta postagem que tem feito algum sucesso neste blog. Simplesmente dei sorte de tratar de um assunto que a empresa que administra as rodovias e seus pedágios não dá a devida atenção. E tenho certeza de que no dia em que essa empresa resolver fazer um trabalho decente e prestar um serviço de suporte ao usuário com um F.A.Q. (frequently asked questions), um tira-dúvidas bem elaborado, o número de pessoas interessadas em meu texto sobre pedágios irá desabar. Isso ocorrerá mais dia, menos dia.

Há uma quantidade de postagens que nunca foram lidas! Nunca ninguém sequer viu o que há nelas. Em outras palavras, eu estou escrevendo para ninguém!

Uma outra conclusão a que posso então chegar é que as pessoas não se interessam tanto assim por blogs. Quer dizer, um blog não fica popular apenas por existir durante anos a fio na internet. E um blog não ganha popularidade por ter um número grande de postagens. É possível, e eu já vi, blogs com meia dúzia de postagens com um número absurdo de visitantes. Então, idade e tamanho não são documentos quando o assunto é blogs.

Mas, meu objetivo não é popularidade. Claro, eu gostaria de ter muita gente lendo meus textos, mas eu admito, lendo-os, que eles não contribuem para se popularizarem.

Vou explicar isso melhor.

Eu disse a muito tempo atrás que escrevia por mero prazer de escrever. Mas as pessoas também têm suas próprias razões para lerem o que quer que seja. Eu, no momento em que torno público um texto meu qualquer em um blog na internet, tenho que ter a plena consciência de que estou tornando-o público. Se espero ou não que as pessoas leiam é outra coisa.

Se quiser que elas não leiam, então bastaria não torná-los públicos. Eu escreveria em um arquivo que não estaria disponível ao mundo via internet, e ainda assim poderia dar vazão ao meu desejo de escrever por mero prazer.

Mas, já que resolvi publicar o que escrevo em um blog, não posso jamais perder de vista que há duas possibilidades pelas quais as pessoas poderiam ser levadas a ler alguma coisa na internet: primeiro, para aprender, tirar alguma dúvida, obter algum conhecimento, alguma informação útil, alguma notícia em um formato diferente do das mídias habituais, alguma ajuda para algum problema em particular. Segundo, para passar o tempo, para se divertir, para se entreter, para se emocionar, para apreciar o estilo do autor, a estética literária, apreciar a criatividade, a ousadia, o humor, a fantasia de um enredo, um enredo surpreendente, ou ainda ter acesso a uma ideia fora do comum, ou dentro do comum, mas dita de maneira incomum, sobre um assunto que desperte algum interesse, ainda que remoto e tangencial. 

Ninguém tem interesse em ler sobre a minha vida pessoal. Ninguém tem interesse em saber que filme assisti, o que comi ou que roupa uso, assim como eu tenho pouquíssimo interesse em saber o que assiste, o que come e o que veste um estranho qualquer que posta sobre suas preferências na internet em blog anônimos mundo afora.

Mas eu tenho interesse em certos assuntos que certamente também são alvo da atenção de muita gente mundo afora.

Ora, uma das razões pelas quais as pessoas não chegam a visitar este blog é porque eu não escrevo nem pensando em ser útil a meus leitores, e nem pensando em entretê-los. Por que haveriam de ter algum interesse outro que não esses dois?

O título deste post é "difusão intelectual" porque esta é uma das razões pelas quais um blog pode ser escrito.

É certo que nem todo mundo na internet tem interesse em aprender sobre temas elevados, complexos, profundos ou simplesmente repensar coisas comuns sobre um ponto de vista personalizado e diferente. Mesmo que eu escrevesse sobre um determinado assunto com o objetivo de divulgar um ponto de vista pessoal sobre ele, ainda assim não teria grande popularidade. Uma ideia, um conceito, um tema qualquer que pode ser objeto de discussão em um texto de um blog não tem o mesmo apelo popular que tem uma foto pornô, um novo modelo de carro ou um jogador de futebol. E eu particularmente não tenho mérito pessoal algum que torne meus textos mais dignos de serem lidos do que o de, digamos, uma apresentadora de um programa de televisão que entende tudo de culinária, mas, por livre escolha, resolva falar de um assunto outro qualquer, como eleições ou a descoberta de um novo planeta. Mesmo uma bobagem dita por uma celebridade tem seu apelo e sua atratividade. Os James Francos e suas fotos idiotas prevalecem, apesar de tudo.

Assim, peco por ignorar as necessidades e desejos de meus potenciais leitores. Peco por não usar daquilo que sei sobre como administrar as coisas, esquecendo-me que sou um curioso profissional da administração. E peco por ainda assim, esperar que, corrigindo todos os demais pecados, ainda poderia ter um público razoável e sensato. Não, a difusão intelectual, a troca de ideias é assunto de pouco apelo, e jamais serei um sucesso, escreva eu sobre o que bem entender, com as melhores das intenções, sobre os mais nobres e profundos assuntos. A massa, esta preferirá o sexo, o novelesco, o ídolo oco, o herói pré-fabricado, o último bochicho sobre uma celebridade qualquer.

Difusão intelectual. Fixe esta palavra.

É sobre ela que falarei no próximo post.

Este blog e seu manual de uso

Apenas para ficar registrado: acabei de colocar um manual de uso deste blog para eventuais leitores entenderem por que ele foi criado, como está estruturado, como ele funciona e como tirar o melhor proveito dele.

Por favor, leia-o aqui.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Registros variados

Na medida em que o tempo passa, este blog fica velho, e as postagens antigas passam a fazer parte da história. Logo, este blog serve como um registro histórico das coisas que andei pensando e escrevendo ao longo dos últimos dez anos. Obviamente, não escrevi somente aqui, mas, de qualquer forma, escrevi muito aqui, e às vezes é bom comentar sobre o que já foi escrito, para destacar determinadas coisas que parecem interessantes de serem comentadas.

Mas, não é só este blog que é uma fonte de registros de minhas coisas, de meus escritos. Tem também as agendas, e eu tenho escrito bastante sobre elas também.

Mas, não são somente as agendas que guardam coisas que acho relevantes de serem guardadas. Há meus e-mails antigos. Há meus livros, minhas revistas, meus filmes e minhas músicas. Há meu Outlook, e há meus backups de dados, que guardam muita coisa. Há um diário, ainda mais antigo, de uma época pré-computadores, e há muitas cartas escritas à mão.

Por fim, há alguns cadernos da adolescência, livros velhos, e por último, há minhas memórias, armazenadas em meu cérebro.

Não é só para falar sobre as coisas que estão em minhas agendas que este blog tem servido. Mas eu tenho falado pouco de meus outros registros. Já falei aqui, neste blog, sobre alguns assuntos que estão em alguns desses registros, mas foi muito pouco.

Acho que é hora de começar a falar mais deles por aqui.

São fontes muito interessantes de informação. Por trás de cada pequena anotação, há um mundo de intenções, interesses, projetos e acontecimentos. Em cada registro, há uma história.

Tenho pensado em escrever mais sobre esse mundo oculto de coisas que aconteceram, mas que eu tenho me retardado em publicar aqui.

Agora, acho que vou fazer o que tenho a tanto adiado.

Acho que este blog ficará bem mais interessante.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Só para deixar registrado...

...que eu mudei novamente o design deste blog, com novas cores, novo tamanho de letras, novas fontes. 

E ando lendo, acompanhando o desaparecimento do Boeing 777 da Malásia e acontecimentos na Crimeia.

E ando escrevendo sobre priorização de tarefas, mas não aqui.

Aqui, vou postergando...

Procrastinando promessas...

domingo, 19 de janeiro de 2014

Promessa cumprida

Promessa é isso: aqui eu disse que seria fiel a este blog. Foi em 27 de maio de 2004. Hoje, passados quase dez anos desta data, escrevo esta que é a 514ª postagem, que perfaz o equivalente a um livro de 505 páginas. Se isso não for uma prova de fidelidade a este meu blog, não sei mais o que é. 

Mais que isso, eu sigo em frente, afirmando que procuro sempre cumprir aquilo que prometo a mim mesmo.

O que mais andei prometendo?

Este blog testemunhará minhas promessas cumpridas, isto é certo.

Outras demonstrações mais virão.

Aguardem.

domingo, 7 de julho de 2013

Promessas não cumpridas

Eu disse aqui sobre o fato de que podemos assumir compromissos pessoais públicos através de postagens em blogs. Eu ao menos tenho pensado em fazer isto, na esperança de que o desconforto que sentirei me forçará a tomar alguma atitude positiva.

O desconforto, já disse, advém da diferença que há entre aquilo que somos e fazemos de fato e aquilo que pensamos ser e fazer em nossas mentes egoístas.

Eu tenho feito promessas neste blog desde a primeira postagem, literalmente.

Eu prometi, em minha primeira postagem, que seria fiel a este blog e faria dele uma bela página pessoal, mas passados tantos anos escrevendo, ainda não tenho uma página pessoal organizada, nem disponibilizei ao mundo minhas ideias tão cuidadosamente anotadas em minhas queridas agendas pessoais.

Por que não cumpri ainda essas simples promessas?

Não as cumpri porque elas não são simples, e depois, eu não vejo que benefício terei com elas.

Ideias em geral não são coisas simples. Quando anotamos coisas no fervor do momento em que ideias aparentemente interessantes vêem à mente, não podemos nos dar ao luxo de encher o papel de detalhes. Anotamos apenas as palavras mais significativas, e o resto está subentendido em nossas mentes. Mas não adianta mostrar palavras rascunhadas apressadamente a uma pessoa que não conhece sobre que tipo de ideias essas palavras se referem, nem sabe de que maneira a ideia está conectada a um contexto maior, e que tipo de problema ela procura solucionar, ou que tipo de utilidade possa ter. Se fosse assim tão fácil, eu colocaria uma cópia perfeita de minha agenda em uma dúzia de postagens e a tarefa estaria terminada. No entanto, se fizesse isso, o palavreado sem sentido seria mais lixo na internet. Ninguém saberia o que significaria cada uma das muitas frases soltas, sem conexão aparente entre si, e eu não teria atingido o meu objetivo de iluminar um pouco mais o mundo com o brilho pálido de meus pensamentos originais.

Ora, socializar ideias é mais que simplesmente publicar rascunhos de agendas.

Então, não cumpri ainda a promessa de disponibilizar as ideias em minhas agendas porque este é um trabalho longo e de fôlego. Mas eu não desisti, nem parei de alimentar este blog com discussões e pensamentos que considero pertinentes e conectados àquilo que originalmente me comprometi.

Qual o meu ganho com isto?

Eu tenho ganhado muito pouco em termos de visitas ao blog, o que não significa que pessoas em geral não o leiam. Talvez poucos tenham tirado algum proveito, mas este não é o maior ganho, nem o único. O que tenho ganhado é uma espécie de clareza em relação àquilo que eu mesmo penso, ainda que constantemente eu tenha reclamado da enorme confusão que são minhas ideias e projetos e a enorme falta de tempo e dificuldade em priorizar seja lá o que for, mas isto não significa que não haja um ganho em se colocar por escrito, e em público, aquilo que tenho pensado.

Eu me cobro, não tenham dúvidas.

Por isso, peço a mim mesmo paciência para comigo mesmo e minhas dificuldades, porque para mim a vida não é nada simples, nem fácil, nem passível de ser simplificada e facilitada. Ela é o que é e tende a se tornar mais complexa e difícil ainda. Daí que todo esforço no sentido de ordem e compreensão é bem vindo. Eu ganho, e quem entender o que penso, ganha também.

De resto, tenho mais promessas esparramadas por inúmeras postagens, e me propus a falar mais sobre certos assuntos que julgo merecedores de mais atenção. Eu o farei.

Aliás, já estou fazendo.

sábado, 25 de maio de 2013

Links são coisas fascinantes

As pessoas que são jovens podem achar que um link na internet não tem importância alguma, mas eu, que sou um pouco mais velho, penso um pouco diferente.

Antes do surgimento da internet, todo o conhecimento do mundo estava restrito basicamente ao papel, à película fotográfica e ao vinil e, temporariamente, às ondas de rádio.

Você poderia ler em um jornal que um artista qualquer lançou um disco, mas o som só seria possível de ser ouvido se você comprasse o disco de vinil do referido artista. E se ele fosse famoso, ele poderia dar uma entrevista na tv, que seria gravada em um rolo de filme, ou poderia concedê-la ao vivo na tv, e então, sua imagem e voz seriam convertidas em ondas de rádio e se perderiam para sempre.

Hoje, não. A mídia em papel existe, mas é desajeitada. Se uma matéria em um jornal fala sobre algo sobre o qual desejamos saber mais, ficamos insatisfeitos, porque o jornal não pode ir além do que já é. Mas com a mídia digital e a internet, as coisas fluem. Um blog pode falar sobre um outro blog, e então disponibilizar um link. Ficamos curiosos com este segundo blog e então, basta o clique no link e pronto.

Fluidez, acessibilidade imediata, conexões de ideias, conexões de mídias, busca em informações antigas, enfim, o link significa quase que a satisfação imediata de nossa curiosidade. E haja curiosidade!

Só para dar um exemplo, falarei sobre uma cadeia de links que percorri ontem.

Sou um curioso nato.

Dando uma olhada neste blog, sem postagens interessantes a muito tempo, fiquei pensando sobre o porquê de se ter um blog e para que ele poderia servir. Já escrevi sobre isto aqui antes, em várias postagens. Já disse que tenho vários livros sobre o tema dos blogs, embora não tenha lido todos. De qualquer forma, eu estava pensando em como dar uma direção significativa a este blog.

Acontece que quando comecei este blog, eu usava os serviços do UOL. Então, em 2010 eu migrei minhas postagens para o Blogger. E o Blogger, como um produto do Google, é bem mais elaborado e abrangente em termos de clientela. E, evidentemente, o Blogger tem todo o interesse do mundo em que mais e mais gente use seus serviços.

Pois bem, o Blogger dispõe de um serviço de acompanhamento de outros blogs. Quer dizer: você pode ter seu próprio blog, escrever nele e divulgá-lo para todo mundo, mas você pode se deparar com um blog legal em algum lugar qualquer e pode querer segui-lo. Então, basta você incluí-lo na Lista de Leitura de blogs no painel do Blogger, no lado inferior esquerdo da tela, se você for um usuário do aplicativo, e pronto, cada vez que este blog que é seguido postar algo novo, você fica sabendo no seu painel do Blogger. Isto gera interatividade e leituras cruzadas, enfim, incrementa a plataforma e a fidelidade dos usuários.

Mas, ainda que você não queira seguir ninguém, e eu não sigo de fato ninguém, por uma série de motivos, ainda assim não podemos nos dar ao luxo de ignorar que o Blogger nos obriga a ler seu próprio blog, o Blogger Buzz.

O Blogger Buzz existe para nos estimular, nos ajudar a usar melhor os recursos do Blogger. Ele é um blog mantido pela equipe do Google, escrito por gente do Google e é um serviço que me pareceu interessante conhecer, dado meu interesse em como usar blogs de maneira geral.

Acontece que os blogs, todos ou quase todos eles, publicam suas postagens em ordem inversa à cronológica. Isto quer dizer que as postagens mais recentes estão em primeiro plano, e as postagens antigas estão escondidas, acessíveis apenas por meio de links, tais como "Arquivo", ou "Old Posts", e assim por diante.

Acontece que, dependendo do tipo de blog, é mais interessante começar a ler as postagens na ordem cronológica, porque quem publica segue um raciocínio ao longo do tempo, ou há um processo de aprendizagem em curso, e não se pode saber do que trata a postagem atual sem antes ler algumas postagens anteriores, ou as primeiras postagens.

Assim, fui atrás das postagens antigas, as primeiras postagens do Blogger Buzz.

A primeira postagem do Blogger Buzz é de 9 de março de 2005: chama-se "Blogging and your career".

Pois bem, o autor é Tim Bray, e ele postou o texto originalmente em outro blog seu. Tim Bray é um funcionário do Google, obviamente. Seu blog pessoal no entanto chama-se Ongoing e também tem um número enorme de postagens antigas.

Sobre o que postou Tim Bray na sua primeira postagem no Ongoing, em 11 de julho de 1983?

Aqui está: VMS-Unix, uma discussão pré-internet, na rede Usenet, sobre sistemas operacionais que hoje não significam quase nada quando falamos de blogs, tablets, Android, X-Box One, Facebook e YouTube, Twitter e I-Phones.

Esta é a riqueza dos links.

No fundo de uma cadeia de links, sempre há algo fascinante.

Experimente!

Repensando este blog

Eu olho para este blog todos os dias, mas ele não tem me inspirado a escrever nada de interessante. Daí alguém que leia este post deduzir que a causa de minha falta de interesse em escrever este blog e a minha própria vida, isto é, não tenho nada de interessante para escrever porque minha vida é desinteressante.

Isto não é verdade. Minha vida é interessante.

Qual vida? A que todos veem, a vida externa, que agora, graças a Deus, é rotineira e previsível, e que, para todos que observam de fora, é algo sem sentido e tedioso?

Não. Esta vida externa é boa, mas não é a melhor. A vida realmente interessante é a que vivo interiormente, em minha casa, em minha mente, e que ninguém pode ver, e se pudesse, não deveria ver. 

Mas, se minha vida interior é tão interessante, porque não compartilhá-la?

 Boa pergunta, esta.

Ando repensando este blog.

Tenho muitos interesses, e creio que as pessoas podem se interessar nas coisas que ando fazendo ou pensando.

Acompanhem este blog. Ele poderá ficar legal.

Bem legal.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ordem mental

Eu questionei sobre de que maneira este blog poderia ser útil a mim, e conclui que a utilidade dele depende de quais sejam as minhas necessidades. 

Quais necessidades?

As de oito anos atrás, quando o iniciei, ou as necessidades de hoje, de agora?

Acho que é preciso esclarecer duas coisas aqui a respeito de necessidades. Primeiro, que o que eu chamo de necessidades são na verdade meros desejos. Um blog não pode satisfazer uma necessidade real. Sua utilidade é muito limitada. Talvez uma frigideira vagabunda seja mais útil em termos de suprir minhas necessidades reais do que um blog propriamente dito. Então, devo entender necessidade a ser suprida como sendo um desejo, uma vontade, um capricho intelectual a ser satisfeito.

Que capricho intelectual eu pretendo ver satisfeito por meio deste blog?

Não sei, mas a pergunta agora está melhor formulada.

Segundo, é preciso esclarecer que diferenciar necessidades, agora entendidas como desejos ou caprichos, ao longo do tempo ajuda a perceber que eles, os caprichos, variam na medida em que o tempo passa. Uma hora, desejo isto. Na outra, desejo aquilo.

Assim, antes de saber quais desejos este blog pode satisfazer, eu preciso primeiro saber quais são os meus desejos ao longo do tempo. O que eu quis ao longo dos anos? Meus desejos foram satisfeitos ao longo do tempo ou não? O que fiz com os desejos não satisfeitos? Este blog serviu para satisfazer algum deles? Ele pode ainda ser útil para isto? Um desejo antigo não satisfeito deve ainda ser levado em consideração?

Talvez hoje meu maior desejo seja por ordem mental. Este desejo é fruto exatamente deste cipoal de desejos não satisfeitos demandando minha atenção. Mas são apenas isto: desejos. Sei que são desejos, porque se fosses necessidades, já estaria dando um jeito de satisfazê-las, sem confusão mental, e sem blog.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Por que este blog surgiu?

Então, se este blog não é útil a mim mesmo, e provavelmente não é útil a mais ninguém, exceto àquelas pessoas que entram procurando eventualmente um poema ou uma dica sobre problemas com carros e pedágios, então, qual a razão de sua existência?

Eu posso, e qualquer um pode, começar um blog em segundos. Depois, pode ir postando coisas em uma velocidade vertiginosa, e vir a fazer sucesso com isto. Pode mesmo ficar famoso, rico e ser extremamente feliz com toda esta atividade. Em geral, blogar pressupõe algum conhecimento sobre um assunto qualquer, que seu dono domina. Neste caso, o blog é útil aos leitores, e o dono ganha com isto, e ganha mais na medida em que é mais útil à sociedade.

Eu poderia fazer um blog sobre um assunto específico?

Poderia. Sobre um monte de assuntos.

Eu sou alguma autoridade em alguma coisa, que me dê esperanças de fazer sucesso, sendo útil à sociedade com aquilo que publico em meu blog? 

Não, eu não sou autoridade em nada. Gosto de um monte de coisas, conheço algumas com mais profundidade que a média dos leitores em geral, e poderia aprofundar-me ainda mais estudando e me aperfeiçoando sobre algum tema que eu percebesse que fizesse algum sucesso com o público, mas há nisto tudo um sério problema: eu não consigo me apegar a nada em particular.

Eu, por exemplo, adoro literatura. Poderia falar sobre literatura uma infinidade de tempo, mas então, de repente, mudo de interesse, sem mais nem menos. Não que eu não goste mais de literatura. Eu gosto, mas algo atraiu mais minha atenção e eu deixo a literatura de lado por um tempo e parto para outro assunto. Se eu tivesse um blog de literatura, ele seria abandonado por um bom tempo, até que em algum momento no futuro, eu voltasse a ter interesse novamente pela literatura. 

Eu sou assim. É minha personalidade. Sempre foi assim. Eu não saberia mudar. Eu não gostaria de mudar este meu modo de ser.

Então, voltando à pergunta original: por que este blog surgiu?

Ele surgiu em um momento em que a tecnologia dos blogs surgiram. Eu iniciei meu exercício de blogar bem antes do surgimento da plataforma Blogger surgir. E antes do surgimento dos blogs, eu já escrevia minhas coisas em outros lugares. Gosto de escrever. Adoro escrever.

Quando este blog surgiu, eu pretendia tornar em formato digital um conjunto de anotações que mantinha em agendas de papel. Na verdade, eu já transcrevi a Agenda 99 toda para a Internet. Minha agenda já existe em formato digital, embora seja ininteligível, e portanto, inútil, para eventuais leitores curiosos de saber seu conteúdo. Veja: uma agenda com algumas palavras anotadas no calor de uma nova ideia, no fervor do momento em que se está no meio de uma leitura apaixonada, são palavras curtas, criptografadas, que somente quem as escreveu sabe o que significam. Para que outros possam entender seu significado, é preciso por vezes uma longa explicação. Estas explicações, tão necessárias para que um conjunto de assuntos variados possam ter alguma utilidade pública ou mesmo pessoal requer tempo.

Registrar a agenda é simples. Explicar os registros, desenvolver as ideias embutidas nos registros é algo muito mais complexo e difícil, e demorado.

Mas, se a agenda já está praticamente toda transcrita e salva em um meio digital, eu me perguntei se deveria mesmo continuar dando explicações sobre ela ao mundo, dado que o mundo não tem interesse nessas explicações. 

No entanto, eu tenho interesse nessas explicações. Na verdade, devo a mim mesmo isto: não explicações, mas desenvolvimentos. Se anoto algo no fervor de um momento, este algo merece uma atenção posterior, em um momento mais calmo, de maneira mais ponderada, mais meticulosa, mais profunda.

Qual o ganho que as pessoas que vierem a ler isto podem vir a ter? Não sei. Talvez possam rotular tudo como uma mera tentativa mesquinha de buscar chamar a atenção do mundo, ou apenas rotulem a coisa toda como um sintoma de alguma neurose freudiana, e nunca mais retornem a ler nada daquilo que escrevo, mas, e daí?

Eu estou menosprezando meus leitores? Não. Eu estou apenas dizendo que a opinião negativa que os leitores possam ter sobre aquilo que escrevo não deve servir de obstáculo para o desenvolvimento de minhas ideias em público.

Eu ainda acho que devo desenvolver publicamente neste blog minhas ideias rapidamente anotadas em agendas a uma década atrás, ou isto não é mais uma necessidade?

Sim, eu devo, mas este blog pode se prestar a mais outras finalidades. Uma delas, por exemplo, e a de substituir as agendas como fontes originais de anotações. Quando se escreve, e só quem escreve sabe disto, algo mágico acontece, e as palavras brotam de uma forma tal, e em um arranjo tal que muitas vezes leio coisas que tenho certeza que fui eu quem as escrevi, mas que parece terem sido escritas por outra pessoa, porque sei que em geral nossos pensamentos vagam por nossas mentes de uma maneira muito pouco organizada, e quando os capturamos em forma de palavras, nas postagens dos blogs, ou nas páginas de agendas, ou seja lá onde for que consigamos congelá-los em um formato definitivo e material, eles, os pensamentos, brilham com um beleza que me espanta.

Não estou me vangloriando das coisas que escrevo e nem de meus pensamentos. Estou me referindo ao mecanismo mágico que é escrever, ou se expressar, seja pintando, cantando, falando, discursando, dançando, trabalhando ou exteriorizando de qualquer maneira imaginável aquilo que temos em nossas mentes. É como se pudéssemos congelar em um bloco de gelo os frágeis lampejos dos diamantes, ou se pudéssemos tornar em formas fixas as etéreas formas das nuvens. É como algodão-doce!

Devo a mim mesmo explicações sobre as coisas que anotei, e imponho a mim mesmo a tarefa de desenvolver até onde for possível as ideias criptografadas, compactadas em palavras enigmáticas sobre páginas as quais o mundo não tem acesso.

Pode ser que haja pessoas que ainda gostem de algodão-doce.

Este blog pode ser útil a mim mesmo?

Tenho pensado muito nos últimos dias. Estive de férias por um bom período e o tempo livre permitiu-me pensar com calma, embora que sem muita clareza.

Agora, de frente para este blog, refaço a pergunta acima: este blog pode ser útil a mim mesmo? De que maneira?

Cabe a mim responder.

Na verdade, o blog deve ser útil. Senão, qual a razão de sua existência?

Mesmo um blog popular, que atenda aos interesses diversos de seus leitores, acaba sendo útil a seu dono, gerando a este alguma fama, respeito, amizades e, quem sabe, algum dinheiro.

Eu espero gerar dinheiro com este blog?

Não.

Então, de que maneira ele pode ser útil?

Ele pode ser útil servindo como um meio no qual eu registre meus raciocínios.

De certa forma, ele tem sido isto. Muito do que escrevi nele foi endereçado a mim mesmo. Não escrevo para eventuais leitores.

Então, por que torná-lo público?

Não sei. Curiosidade, vaidade, talvez.

O que me leva a fazer este questionamento justo agora, depois de centenas de postagens sobre um mundo de coisas diversas e desconexas?

É que eu não quero escrever para as pessoas. Este blog, ainda que público, é pessoal e íntimo.

Refazendo a pergunta, indago: do que eu preciso realmente, hoje, que este blog possa me proporcionar?

Digamos que eu precise de ordem mental. Digamos que eu me sinta confuso sobre que rumo dar a parte de minha vida, uma parte que é pública, mas ao mesmo tempo confusa. De que maneira este blog pode me proporcionar ordem mental?

Não sei.

Por falar nisto, quando digo que uma parte de minha vida é pública, na verdade admito que, quer queira, quer não, esta parte já é vista por muita gente, notada por muita gente, e divulgá-la em um blog não gera problema algum, e talvez venha mesmo a gerar algum benefício, na medida em que outras pessoas possam compartilhar das mesmas dúvidas, problemas e dificuldades que enfrento, e publico neste blog. Este eventual ganho justifica sua publicidade? Não sei. Acho que sim.

Então, concluo, este blog pode ser útil na medida em que satisfaça alguma necessidade minha. Logo, ele só poderá ser útil se eu souber exatamente quais necessidades são estas. Do contrário, ele nada pode fazer.

Então, este post, que começa com uma dúvida, termina com outra: quais são minhas necessidades?

Esse assunto de necessidades é longo, muito longo.

Tenho muito o que falar sobre isto, pode apostar.

Por enquanto, basta.

Estou satisfeito já com as pequenas conclusões as quais cheguei. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Uma nova função para um blog

Durante muito tempo eu tenho questionado o que seja um blog.

Ele é isto? É aquilo? Ele permite isto ou aquilo?

Quais os limites de um blog?

Pois digo agora, para mim mesmo: eu defino o que o meu blog será e quais limites pode vir a ter ou não. Eu defino agora que o meu blog é minha ferramenta mais versátil.

Meu blog é a minha arma. Meu blog é a minha espada. Minha caneta. Minha carta. Meu salão da corte.

Ele não tem limites. Sua lâmina é afiada, longa e pontuda, e eu a levo onde acho que devo levar, e aponto a ponta afiada para a barriga, garganta ou nariz que acho que devo apontar. De espada, faço dele uma pena, e enfio sua ponta num tinteiro e derramo palavras sobre o branco desta tela como faz todo escritor. E escrevo o que bem quiser, a quem bem entender. E tomo daquilo que escrevi, e deixo secar, e dobro em partes e enfio num envelope selado e mando minha mensagem ao mundo, e esta mensagem segue, por entre paragens digitais que não faço ideia, e o mundo a recebe, e a toma nas mãos, e a lê. E o mundo responderá às minhas mensagens, porque o mundo não pode ficar calado. E o mundo não responde: ele decide vir pessoalmente a mim. E eu o recebo neste blog, como a um rei estrangeiro. E este blog será então o meu salão de visitas. E sentaremos eu e o mundo, e debateremos sobre os temas de minhas mensagens, e faremos acordos, e construiremos castelos juntos.

Sem limites.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Mudando o modelo deste blog

De tempos em tempos, fico entediado com a visual deste blog. Resolvi mudá-lo para algo simples e branco. Acho que ficou bom.

Estou pensando em colocar mais imagens nos posts. Ah, claro, preciso colocar imagens próprias. Nada de fotos copiadas, sem direitos autorais. Um pouco de originalidade não mata ninguém.

Blogar é tão divertido!