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quinta-feira, 26 de março de 2015

Entendendo o dinheiro

Evidentemente, o dinheiro é um alvo sedutor, mas não é fácil de ser ganho. Ao menos eu acho difícil ganhar dinheiro.

Acho também difícil entender como se ganha dinheiro.

Sou cético com relação a quase tudo que se relaciona a economia e finanças, e quero usar esse blog para tornar públicas minhas ideias, debater o problema com quem quer que queira debatê-las, e se possível, chegar a um caminho que me conduza à riqueza, ampla e farta.

É um objetivo ambicioso, mas desafiador.

Eu vou começar pelo começo, e se esse começo parecer tolice, não se iluda.

Nada que se relaciona a dinheiro é simples ou tolo.

Nada.

Se você acha que entende de dinheiro, mas não é milionário, então está enganado.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A riqueza e a pobreza

No dia 29 de maio de 2004, eu disse nesta minha quinta postagem, deste blog, que eu estava escrevendo em frente a um velho computador trajando uma camiseta, uma bermuda, um relógio e um par de óculos, e que, assim tão despojado, eu lembrava, de certa forma, Gandhi. Eu disse assim:

"Uso uma camiseta velha verde escuro, bermuda preta, um relógio e um óculos na cara. Descrevendo as coisas assim, parece a descrição dos bens materiais deixados por Gandhi quando de sua morte, e que tanto admiraram o mundo pela sua frugalidade e desprendimento. Mas não é tão simples assim."

De fato, não é tão simples assim. Eu disse em minha última postagem que falaria sobre esse assunto, e agora é o momento.

O ano era 2004. Fiz essa comparação aparentemente disparatada porque naquela época eu havia estudado profundamente o livro de Og Mandino chamado "A universidade do sucesso". Neste livro, Mandino tomou emprestada uma série de textos de outros autores e seus respectivos livros, e montou um mosaico que segue em um crescendo de ensinamentos tipicamente de autoajuda, mas que muito me cativou e me fez pensar.

Há um texto de um autor chamado Howard Whitman, um escritor americano que publicou um livro chamado "Success is within you" no ano de 1956. Não sei se esse livro foi lançado no Brasil em algum momento. Se foi, seu título provavelmente seria "O sucesso está dentro de você".

O texto que Mandino extraiu do livro de Whitman trata do conceito de sucesso. Whitman diz que o sucesso é algo muito pessoal, e que pessoas podem ser bem sucedidas de diferentes maneiras, sob diferentes óticas ou pontos de vista.

Já falei um pouco sobre esse texto aqui, neste blog, mas foi apenas um breve resumo, sem maiores considerações.

Mas, não é sobre o sucesso em si que pretendo falar agora. Meu foco agora é Gandhi. O livro de Whitman, repito, foi lançado em 1956, e portanto, deve ter sido escrito em algum momento não muito antes desse ano. Assim, fazia pouco tempo que Gandhi havia morrido. Quer dizer, Gandhi foi assassinado em 1948, um ano depois da independência da Índia e do Paquistão, em 1947. Logo, sua morte e o impacto de seus feitos ainda estavam bastante presentes nas mentes de seus contemporâneos, creio eu, e na mente de Howard Whitman também, deduzo com base no que ele andou escrevendo.

Ele assim diz:

"Uma das coisas que mais impressionou o mundo acerca de Mahatma Gandhi foi a fotografia publicada de todos os seus bens materiais na época em que morreu: um par de óculos, um par de sandálias, alguns trajes simples, uma roda de fiar e um livro. Embora o mundo soubesse que por aqui havia passado um dos homens mais ricos. Talvez o mundo no fundo de sua consciência tivesse de alguma forma conhecimento daquilo que Henry David Thoreau expressou nesta frase simples: 'A riqueza de um homem se mede pelas coisas que é capaz de deixar para trás'. O próprio Gandhi não se cansava de fazer alusão à redução de necessidades. A vida para ele era como um processo de despojamento gradual de necessidades. Assim como um bebê que grita no berço e precisa de tudo, o ser humano, se vive uma vida bem-sucedida, amadurece pouco a pouco em direção a um adulto que não precisa virtualmente de nada. O próprio Gandhi foi um exemplo dessa espécie de desenvolvimento, um exemplo tão raro que sua vida exprimiu de maneira dramática para o resto de nós o quanto deixamos de corresponder ao potencial de desenvolvimento humano.

Isso não quer dizer que nosso objetivo deva ser a pobreza, ou que uma renúncia ascética de bens ou progresso material por si só torne alguém um 'mahatma', uma alma grandiosa. Muitas almas grandiosas tiveram uma vida cercada de bens materiais e fortuna considerável: Andrew Carnegie, Jacob Riis, Julius Rosenwald, Samuel Mather, os Guggenheims, para citar apenas alguns. Todos esses homens alcançaram um sucesso pessoal verdadeiro nesses casos, tanto exterior quanto interiormente.[...]"

Pois bem, esse pequeno trecho me fez pensar bastante ao longo dos anos.

Primeiro: que foto é essa? Não sei, mas vou buscar no Google, porque agora fiquei curioso.

Segundo: quando li sobre essa pequena lista de bens deixados por Gandhi, também fiquei impressionado. Eu não sou muito apegado a bens materiais, embora admita que seja um pouco ambicioso em certos aspectos e goste de dinheiro. Mas eu admiro também o ascetismo, a frugalidade, a sensatez contra o consumismo desenfreado. Mas Gandhi me impressionou.

Já falei sobre um texto chamado "Você já viu um clipe enferrujado?" neste blog. Frugalidade, moderação, sensação de desconforto diante do desperdício são temas que despertam minha curiosidade.

Quem foi Gandhi? Sabemos alguma coisa sobre ele, mas não muito. Não faz parte de nossa realidade. Por isso, hoje tratei de dar uma lida com calma em sua biografia na Wikipédia. Coisas interessantes vieram à luz depois desta leitura.

Claro, além do homem, do mito, há ainda as suas frases de efeito, seus bordões famosos. Sobre o judaísmo, o cristianismo, sobre o capitalismo. Sobre esse último, tenho lido uma frase que está sendo muitíssimo reproduzida nos últimos tempos. Falarei sobre ela em um momento mais adequado. Ela é importante.

Bem, mesmo um mito precisa se apoiar em ombros de gigantes, e Gandhi não foi exceção, descobri na Wikipédia. Há curiosamente uma ligação entre ele e Thoreau que vai além da mera citação de ambos no trecho de Whitman que transcrevi logo acima. Falarei mais sobre essa ligação também no futuro.

Por ora, ficamos com esse fato: em 2004, eu usava um par de óculos em uma noite fria, e se não estava de fato despojado de bens materiais como um Gandhi, devo admitir que me sentia pobre, limitado, isolado, deprimido e diminuto, mais para um mendigo que para um homem rico.

Eu definitivamente não estava bem em 2004. Eis a conclusão a que chego, e isso já é uma excelente conclusão.

sábado, 9 de novembro de 2013

Por que os manuais e regras não funcionam?

A trigésima quarta questão da série à qual me dedico atualmente neste blog relaciona-se com regras e manuais.

Eu disse na última postagem que nem sempre uma regra de vida funciona da maneira que imaginamos, ou que aquele que as recomendou ou criou imagina que funcionem.

Em 2001, quando fiz uma série de questionamentos a respeito da vida, resolvi seguir um conselho simples recomendado pelo livro de Dale Carnegie, "Como evitar preocupações e começar a viver", em uma parte em que este cita Rudyard Kipling e um de seus poemas, que aborda seis perguntas, que podem nos ajudar a entender bastante sobre algo do qual queremos saber alguma coisa.

Resolvi colocar essas seis perguntas em ação, mas o método não me pareceu satisfatório.

Mais um método que não funciona. Ele é bacana, parece inteligente, mas não funciona.

Fiquei frustrado. Ora, como não ficar frustrado?

Mas a frustração era já uma sensação velha conhecida minha. Não sei se sou uma pessoa muito perfeccionista, ou muito ansiosa por ver as coisas acontecerem, mas o fato é que eu sempre fora muito crédulo, muito ingênuo com relação a regras. 

Nossa vida é sempre cheia delas. Começamos por obedecer nossos pais, depois nossos professores, depois nossos patrões, e depois os inúmeros gurus e mestres que surgem em diferentes momentos, seja por meio de livros, por meio de palestras e cursos, seja por meio de vídeos e apresentações, ou mesmo em revistas e jornais do dia-a-dia. Sempre tem alguém sugerindo algo para tudo.

Ensinam-nos a como dormir, como comer, o que comer ou não, como nos exercitar, como dirigir, que carro comprar, o que deveríamos ler para sermos mais espertos, o que devemos assistir na televisão, que filmes ver no cinema e quais deixar de lado, que roupas comprar e vestir, e como lavá-las e passá-las corretamente para durarem para sempre, e mais uma infinidade de outros conselhos, para tudo em nossa vida.

Não bastasse isso, temos leis que proíbem isto, permitem aquilo, e determinam exatamente como devemos nos conduzir ou comportar em diferentes aspectos de nossa vida.

Por fim, se não bastasse, há os conselheiros, psicólogos, coachs, treinadores, especialistas, psiquiatras, médicos da alma, pastores, padres, pregadores, doutrinadores, mestres, filósofos, pensadores, intelectuais e ideólogos que tentam cooptar nossas mentes.

Não vou falar dos marketeiros, os publicitários, os homens de negócios cujo único objetivo é nos convencer a comprar, a gastar nosso tempo e nosso dinheiro, e sermos fiéis a seus produtos, sejam esses um carro, um banco, um sabão em pó, um site, um aplicativo, um tablet, um sapato especial, um pacote de viagens ou uma cidade inteira.

Todos querem controlar todos.

Mas, se somos crédulos, e muitos o são, talvez devêssemos dar margem à oportunidade e permitir que aqueles que nos falam tenham seus espaços em nossas vidas. Está certo, eu concordo que é possível que minhas roupas estejam mesmo meio encardidas e que talvez a culpa seja dos sabões em pó baratos que ando comprando, e que talvez seja importante usar algo melhor. Está certo, o alho é bom para os nervos, e vou passar a colocar mais alho no arroz. E está igualmente certo o conselho de que as coisas só são difíceis porque não nos esforçamos muito, e que o sapinho surdo chegou mais alto que todos os outros sapos no concurso de subida de poste simplesmente porque era surdo e não deu ouvidos às vozes dos fracassados e medrosos. Vou, de ora em diante, fazer ouvidos de morto para aqueles que dizem que ficar rico é muito difícil, e vou me esforçar mais.

Só que as regras não funcionam. Elas simplesmente não funcionam.

Como, não funcionam?

Eu já tentei colocá-las em prática, todas?

Pois bem, minha trigésima terceira pergunta é a seguinte:

"Por que os manuais e regras não funcionam?"

Eu estou fazendo uma afirmação contundente aqui. Estou afirmando algo como se tivesse testado algo, como se tivesse comprado um produto qualquer em um supermercado e testado e chegado à conclusão de que não, não funciona como eu esperava que funcionasse.

Ora, há milhares de, retifico, milhões de pessoas trabalhando incansavelmente tentando convencer o resto da humanidade a fazer o que eles querem. Talvez não haja objetivo maior no planeta do que convencer outro ser humano a fazer o que queremos.

Há um aspecto interessante aqui, o da liberdade humana, e a percepção de que só há convencimento porque não se pode usar da força contra nossos semelhantes. Mas este aspecto ficará para depois, porque é um assunto complexo e perigoso.

Ficamos com o mero convencimento.

Não funcionam em que sentido? Como posso dizer de maneira tão generalizada que regras não funcionam? Como posso generalizar uma afirmação com base apenas na minha pequena experiência de usar as seis questões de Kipling, que não foi totalmente inútil, e daí admitir que as outras bilhões de regras não funcionam também?

É que somos pessoas crédulas. Esperamos que nossos professores nos ensinem fórmulas consagradamente eficientes, e não apenas meio eficientes, porque não gostamos de trabalho e frustração. Era assim que eu pensava quando ingressei em uma faculdade. Eu imaginava um corpo de professores e colegas de classe que fossem profundos, sérios, sábios e que os livros recomendados fossem fórmulas de sucesso financeiro seguras como as fórmulas químicas, e tão secretas, difíceis e inatingíveis quanto o segredo da Coca-Cola, e que só estariam à disposição daqueles que foram merecedores, os esforçados alunos que passaram no vestibular, e passaram nas disciplinas básicas ano após ano, e que agora estavam aptos a conhecer o segredo máximo, a fórmula da fortuna, como um conto de Harry Potter da vida real, o segredo para a fábrica de fazer dinheiro.

Ingenuidade, dirão. Verdade. Ingenuidade, minha e de muitos milhões de pobres estudantes que ano após ano se frustram com as falsas promessas dos sistemas educacionais. Falarei mais sobre isso no futuro, isso é certo.

Ora, a fórmula de Kipling falhou. Daí posso eu concluir que todas as demais fórmulas são falhas?

Observo que há, entre as bilhões de recomendações, muitas delas que são contraditórias entre si. Há o guru que diz que devemos comer nosso alho, e há o guru que nos recomendará a total abstinência do alho, que é a causa maior de nossos fracassos, e isso, essas contradições, precisam ser resolvidas em um momento qualquer do futuro neste blog também, mas não agora. Agora, admitimos que há regras contraditórias, as quais suponho sejam pouco conhecidas e não devidamente estudadas, mas é só. Continuemos com a questão da falibilidade das regras.

Não seria o caso de eu ter aplicado a regra de Kipling de maneira errada? Há um portão secreto que se abre com a palavra mágica, um Abre-te Sésamo, ou Abracadabra, mas que precisa ser dita de maneira perfeita. Diga a palavra errada, ou a palavra certa da maneira errada, e ficará para o lado de fora para sempre. A culpa não é do portão secreto. A culpa é de quem fala a palavra mágica.

Esse aspecto é sério.

Há uma escada bem construída que nos leva ao alto de um muro, mas o muro é o muro errado. Se estamos perdidos em um labirinto, uma escada é útil, mas de nada vale se não a colocarmos no muro certo. Kipling conhecia o muro certo? Ele nos deu uma escada, certo?

Fórmulas não funcionam de fato, ou elas funcionam, mas são de difícil aplicação? 

Ou, elas não são difíceis de serem aplicadas; apenas eu em particular é que não aprendi direito como usá-las e aplicá-las corretamente?

Leio a regras, mas não as entendo, ou leio as regras, entendo, mas não sei como aplicá-las?

O problema está nas regras ou em mim?

O problema em mim é de aprendizado ou aplicação?

É um problema de contexto? 

A regra em si é insuficiente e precisa de mais outras regras para fazer-se eficaz?

Essas dúvidas não foram respondidas ainda. Na época em que formulei a pergunta original, eu tinha uma noção de que o problema poderia ser tanto a regra quanto o meu entendimento e aplicação da mesma.

Eu tive noção também de que há regras simples, e há regras complexas. Há, nas regras, algo como há na culinária, com suas receitas, que são também regras, que é uma continuidade que parte do simples e vai para o complexo, de maneira que há como se aprender do simples fritar de um ovo ao mais complexo jantar que se serve a reis e presidentes em conclaves, cujos banquetes não são rivalizados com muita frequência. Ora, um banquete de reis não é como um fritar de ovos. Disso eu sabia em 2001.

Mas era só. Não respondi essa pergunta imediatamente, a do porquê de as regras falharem. Primeiro, era preciso dar atenção à complexidade das regras.

Daí que resolvi deixar a pergunta sem resposta e partir para uma nova pergunta, mais urgente e premente.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Meu fracasso como escritor

Eu disse em minha postagem anterior que em 1996 eu tentei dar asas a um sonho pessoal, mas as coisas não deram certo. Este pequeno episódio requer alguma atenção, se quisermos dar prosseguimento à minha sexta pergunta, da série que fiz em determinado momento de minha vida.

Também na postagem anterior, eu disse que em 2001 eu vivia um conflito entre o desejo de seguir minha carreira de administrador, mas não podia largar meu emprego, porque precisava comer e beber, e pagar minhas contas. Eu questionava minha inércia, mas tenho que levar em conta que em 1996 eu já tentara uma aventura no mundo dos negócios.

Então, depois de me sentir estimulado pelo sucesso de Bill Gates, mas impedido de exercer minha profissão de administrador em virtude de ser um funcionário público, tentei uma solução conciliatória, algo em que eu pudesse aplicar meus conhecimentos e minha criatividade, e que não infringisse as normas de meu emprego público. Então fiz a seguinte pergunta, a sexta:

Por que não fundir a carreira de administrador e de escritor?

Quanto à carreira de administrador, já disse na postagem anterior que era um desejo muito forte, premente, mas, e quanto à suposta carreira de escritor? Que história é esta?

Em 1996 eu cursava meu último ano de faculdade. No final de 1995, eu deixei um emprego público no qual eu tinha estabilidade e uma carreira segura a seguir e passei a viver do dinheiro que juntei ao longo dos anos. Sem precisar trabalhar, e preso a um curso prestes a terminar, resolvi dedicar o ano de 1996 à aventura de ser um escritor.

Li bastante, inspirei-me e acabei escrevendo um pequeno romance. Depois, resolvi abrir uma pequena editora e publicá-lo. Era parte de meus planos ganhar algum dinheiro com a venda deste livro, e eu vivi um ano muito proveitoso, mas no final, algo deu errado, problemas familiares me forçaram a seguir outro rumo e abandonar meus planos de vender e viver de livros e terminei os últimos dias de faculdade em um novo emprego, como estagiário de uma ONG. Era o adeus a um sonho que eu acalentara, mas que morria sem frutificar.

Foi por meio de um livro de autoajuda que eu elaborei este sonho, e certamente falarei sobre esta experiência em uma postagem futura, mas no fim, nada do que fiz foi capaz de deter o meu fracasso, e dei como encerrada minha malfadada carreira de escritor.

Mas, em 2001, ao fazer a sexta pergunta, o sonho ainda estava lá, no fundo, clamando seu direito à vida.

Mas, pensei melhor e disse a mim mesmo que a resposta a essa sexta pergunta era um retumbante "porque não e ponto final".

Não. Eu não deveria fundir a carreira de administrador à carreira de escritor, porque já era um funcionário público, e em 2001 a vida era outra, e eu não mais podia me dar ao luxo de aventuras e sonhos, porque não tinha mais o dinheiro que permitira aquele extravagante ano de 1996. Escrever toma tempo, vender livros é um afazer que pode se transformar em um pesadelo, e eu tinha dentro de mim muita dor e mágoa pelo sofrimento que passei no fim daquela aventura. Eu estava traumatizado.

Mas quem é que não fica traumatizado diante de um fracasso logo na primeira tentativa? Eu sei, um empreendedor de verdade não deveria desistir na primeira barreira, mas, sabe, na verdade, eu não queria mais saber de ser escritor, nem queria mais saber de administrar empresas, e nem queria mais saber de ser um funcionário público pelo resto da vida. Eu estava deprimido, esta era a verdade, e decidi que não faria nada, não faria nada mais do que o mínimo para ir levando a vida. 

Eu tinha 31 anos e estava bem no fundo de um poço.

Desolado, parti então para sétima pergunta.

A sétima.

A fortuna ao meu alcance

A fortuna, entendida como riqueza material, como acúmulo de dinheiro, é algo que em determinado momento de minha vida desejei fortemente, não posso negar.

Mas desejar algo fortemente não é a mesma coisa que lutar para se conseguir este algo. Eu desejei fortemente, mas nada fiz para alcançar este objetivo. Eu simplesmente desejava, como um cão deseja o bife sobre a mesa de um restaurante no qual não pode entrar ou um garotinho deseja conhecer aquele herói de desenho animado que não existe na vida real.

Por que eu desejei a fortuna em determinado momento de minha vida?

Ora, é uma longa história.

Sei que desejei a fortuna porque deixei registrada em minhas anotações pessoais uma pergunta, a quinta de uma série, e que está diretamente relacionada a esse desejo.

Em minha quarta pergunta, cheguei à conclusão de que se eu quisesse ter algum sucesso em minha vida, eu teria que olhar primeiro para meu próprio umbigo e resolver meu problema principal, que deduzi ser a inércia como modo de vida.

Eu disse também que quando fiz essa série de perguntas embaraçosas, em 2001, eu já era formado a cinco anos em administração de empresas, e sentia uma forte frustração por não ter obtido até então nenhuma satisfação financeira ou psicológica decorrente de ter cursado o ensino superior.

Ora, se meu problema era a inércia, porque eu simplesmente não punha mãos à obra e me aventurava a seguir meus sonhos de ser empreendedor e ganhar dinheiro?

O problema é que eu já tentara isto, e ainda bem cedo, em 1996, quando cursava meu último ano de faculdade. Mas as coisas deram errado e em 2001 não havia a menor possibilidade de eu fazer uma segunda tentativa de ser empreendedor, porque então eu já estava atolado em um emprego que não só tolhia minha criatividade, minha vontade de viver e minhas esperanças futuras, como ainda bloqueava juridicamente a possibilidade de eu exercer a profissão que eu escolhera, de maneira que tentar o empreendedorismo em 2001 estava fora de cogitação.

Se por um lado eu sabia que minha vida estava estagnada em razão de minha inércia, por outro eu sabia que se eu tentasse romper a inércia e procurasse empreender alguma coisa, estaria impedido em função do emprego em que estava atolado. Era uma situação muito ruim de se viver, aquela na qual eu estava em 2001.

Então, eu poderia dar de ombros e deixar de lado meu espírito empreendedor, porque, afinal de contas, eu já estava com um emprego, fosse ele bem ou mal tolerado pelos meus gostos pessoais. Afinal, era um emprego seguro e garantido.

Mas, havia algo que me atormentava.

As pessoas em geral não estão acostumadas a pensar a longo prazo. Quase ninguém faz as coisas no dia-a-dia pensando nas consequências daqui a cinco, dez, vinte anos no futuro. Eu também não era acostumado a pensar assim, mas depois de ter estudado administração, essa forma de pensar, essa preocupação com o futuro passou a ser um hábito, ou um vício, em minha vida. Claro, não aprendi sobre como pensar no futuro apenas nos livros de administração. Aprendi também nos livros de autoajuda, mas deixarei para um outro momento esclarecer sobre como e onde obtive esse aprendizado. Por enquanto, é suficiente saber que passei a pensar no futuro como um horizonte mais amplo, e esta maneira de pensar me trouxe também algumas angústias que eu não tinha como evitar naquele momento de minha vida.

Qual deveria ser a minha sensação, ao me imaginar naquele mesmo emprego por mais vinte anos sem nenhuma mudança séria na rotina de trabalho? O que eu estava obtendo eu continuaria a obter, e essa perspectiva não era boa. Pelo contrário. Era angustiante.

É verdade que passados tantos anos depois de ter anotado minhas preocupações em 2001 a vida deu um novo rumo às minhas previsões e as coisas que eu temia não foram todas concretizadas, e oportunidades imprevistas surgiram para atuar em meu benefício, mas até então, minha limitada capacidade de antever o andar das coisas não me poupou de sentir as angústias que senti. Hoje, eu não teria tantos temores quanto ao futuro, mas naquela época, sim. Afinal, não havia ninguém para me ensinar, e o aprendizado solitário é sempre um caminho difícil e lento. Eu fui aprendendo com meus erros, eu acho, e hoje erro menos em minhas previsões. A vida é assim mesmo.

Eu deveria estar satisfeito em ter um emprego seguro, mas algo em minha mente indicava que eu não estava satisfeito. Por que eu não estava satisfeito?

Eu não estava satisfeito porque, embora eu tivesse um emprego seguro, eu sabia que era jovem e poderia obter mais da vida, muito além do que eu poderia obter somente com aquele emprego.

E eu sabia que poderia obter mais porque outras pessoas estavam obtendo mais da vida do que simplesmente um salário limitado no final de um mês sofrido. Mas, afinal, quem eu conhecia pessoalmente que estava obtendo mais do que eu próprio, que justificasse essa minha esperança em ter uma eventual fortuna ao meu alcance?

Pessoalmente eu não conhecia ninguém, mas eu era um administrador de empresas, e como administrador de empresas, eu tinha os empreendedores como modelos. E quem era o grande modelo em 2001, que despertava a inveja, a ira, o ciúme e ao mesmo tempo a admiração, a simpatia e o orgulho de grande parte do mundo civilizado?

Era Bill Gates, o homem mais rico do mundo, bilionário com pouco mais de trinta anos, uma pessoa de outro país, de um outro ramo de negócios, enfim, uma figura quase ficcional, mas nem por isso irreal e impossível de ser entendido, compreendido, e por que não, imitado.

Bill Gates é uma figura pública diretamente ligada ao mundo da tecnologia dos computadores. Eu só havia ouvido falar dele em 1994, quando comprei meu primeiro computador pessoal. Desde então, eu tenho acompanhado a evolução de sua empresa, seus produtos, suas ideias e sua vida em geral. Evidentemente que o admiro, mas não como um ídolo. Em 2001, eu o via apenas como um caso extremo de sucesso rápido, porque não conhecia outros mais surpreendentes. Ao longo dos anos, depois de 2001, tivemos a oportunidade de ver pessoas ficando ricas de maneira ainda mais rápida e impressionante, deixando claro para mim que eu não estava errado ao ter Bill Gates como um exemplo de empreendedor a ser seguido. Eu sabia e sei de minhas limitações, mas Bill Gates e todos os milionários do mundo também possuem limitações. Por que eu não poderia me tornar uma pessoa rica um dia? Ora, a fortuna estava ao alcance de qualquer um que se atrevesse a buscá-la. Por que eu não poderia me atrever ao mesmo? O que havia de errado comigo?

Então, fiz a minha quinta pergunta em minha agenda de anotações:

Por que Bill Gates não deixa minha consciência dormir em paz?

Esta foi uma pergunta sincera, verdadeira e direta. Eu poderia estar dormindo em paz todas as noites, seguro em meu emprego público não satisfatório, limitado e duro, mas já garantido, seguindo aquele velho ditado popular, segundo o qual mais vale um pássaro nas mãos do que dois voando, mas não dormia feliz.

Eu não poderia dormir em paz porque eu sabia que a longo prazo, mesmo com um salário garantido e uma aposentadoria certa, eu jamais teria o prazer de estar fazendo aquilo que eu gostaria de fazer, eu jamais iria ser dono de meu próprio nariz e eu jamais seria dono de meu próprio tempo e destino. O conforto momentâneo em que eu estava profissionalmente era apenas um engodo, uma ilusão, e quando eu me aposentasse, seria tarde demais para qualquer retomada de sonhos a muito esquecidos, e eu não queria abrir mão deles, de maneira nenhuma.

Bill Gates seria sempre uma figura a brilhar ao longe, a dizer-me que eu era um acomodado, um inerte, um fracassado, alguém que tentou, mas ficou pelo caminho, incapaz de se desenredar da rotina do dia-a-dia de um emprego sem sentido e frustrante, apenas porque se deixou seduzir pela segurança e pelo canto da sereia da estabilidade do serviço público.

Eu não queria viver o resto de minha vida trabalhando naquele serviço público. Não sabia como me livrar dele, mas tinha esperança de que a fortuna poderia estar ao meu alcance, e Bill Gates era a prova viva de que a fortuna era possível.

Inconformado, pensei em alternativas.

E, em desespero, continuei a fazer perguntas.

sábado, 20 de julho de 2013

Flertando com o fracasso

Em minha postagem anterior, eu fiz a pergunta: por que preocupar-se com autoajuda?

Eu poderia simplesmente seguir minha vida sem dar maior importância ao assunto e evitar o trabalhoso e demorado esforço de me empenhar dia após dia, ano após ano, na busca de algo que livros me diziam para fazer sem ter garantia alguma de que eu obteria algum resultado real. Na verdade, eu estava flertando com o fracasso, estava pensando seriamente em abrir mão de métodos de livros de autoajuda e ir tocando a minha vida sem eles. 

Eu poderia ir seguindo a corrente da vida, e tirando proveito das oportunidades do dia-a-dia, e tentando me safar dos problemas que teria de enfrentar de um jeito ou de outro, porque ninguém, nem o mais rico e afortunado dos homens está livre de ter de enfrentá-los, e assim, viveria sem maiores tarefas e obrigações.

Eu estava sendo pressionado pela preguiça e pela desconfiança.

Mas, eu poderia me dar ao luxo de tocar a vida sem planos e sem método? Se sim, por que eu me interessei por livros de autoajuda?

Eu resolvi ler Dale Carnegie e seu "Como evitar preocupações e começar a viver" para dar um combate à depressão. E eu li Og Mandino e seu "A universidade do sucesso" porque eu queria tentar ter um pouco mais de sucesso na vida, ainda que somente do ponto de vista meramente financeiro.

Enfim, eu queria paz mental e dinheiro.

Mas, como poderia confiar em mim mesmo e dispensar o apoio de livros de autoajuda? Sem eles, e antes deles, eu tive paz de espírito, mas acabei caindo em depressão. E sem eles, e antes deles, nunca ganhei mais do que o suficiente para ir vivendo a vida, economizando trocados e sem perspectiva alguma de melhoria a curto e médio prazos. Se eu me achava tão bom assim que pudesse ir vivendo sem ajuda, por que já não era bem sucedido financeiramente e não vivia livre da depressão?

Na verdade, eu não era tão bom assim. Eu não tinha o pleno domínio de meu estado mental, e não tinha a capacidade de ganhar dinheiro de maneira sistemática em escala adequada. Sem ajuda, eu teria mais do mesmo, teria mais daquilo que eu já vinha obtendo: instabilidade emocional e grana curta mês após mês.

Mas não era só isso. Eu já tinha lido os livros acima, e a mente humana tem uma característica interessante, que é a de ser incapaz de apagar aquilo que ela já sabe que sabe. Tendo lido algo que para mim era claro e com o qual eu concordava, não havia meio de fingir que não sabia daquilo que havia lido e fingir que não era verdade, ou que aquilo que eu havia lido não tinha sido mesmo lido. Eu não podia fingir que não sabia que havia lido o que tinha de fato lido.

E o que foi que eu li que me fez pensar seriamente em não abrir mão do apoio dos livros de autoajuda?

Só como um exemplo, eloquente, na verdade, de uma advertência que nos faz Carnegie sobre o risco de não tomarmos cuidado com nossa saúde mental, transcrevo uma parte das palavras que aparecem logo na contracapa de seu citado livro:

"A preocupação esgota nossa energia, deturpa nossos pensamentos e enfraquece nossa ambição."

Em outras palavras: deixar que nossa saúde mental se deteriore implica em viver uma vida sem energia, ter nossos pensamentos deturpados e nos tornarmos pessoas sem ambição. Fraqueza, deturpação mental e letargia.

Quem quer viver uma vida assim? Por que viver uma vida assim?

Eu sei o que significa viver uma vida assim. Senti na pele, várias vezes, os efeitos de instabilidade emocional, falta de orientação psicológica, porque minha história de vida me levou a isso, a diferentes crises nervosas, a uma personalidade problemática, a um pessimismo doentio e a uma imaturidade de raciocínio que só me trazia prejuízos de diferentes ordens. Eu sabia que não era mais possível continuar vivendo sob o risco de cair novamente sob as garras da instabilidade psicológica e da depressão. Eu não podia mais permitir isto em minha vida. Eu era jovem demais para entregar os pontos e desistir de viver plenamente. E eu já tinha tentado todos os caminhos mais conhecidos disponíveis ao público em geral, coisas como psicólogos, psiquiatras, remédios e tudo o mais, catarses destrutivas, violência, ódio e pensamentos extremamente perigosos para mim e para a sociedade. Era preciso tentar a autoajuda. Era uma questão de vida ou morte. E eu não poderia fracassar.

E quanto ao sucesso, eu não poderia fazer vista grossa às palavras de Mandino, tais como as que transcrevo abaixo, somente como um exemplo, e que me faziam pensar sobre os riscos de se levar uma vida ao acaso. Sim, diz Mandino, nós em geral sobrevivemos sem planos, mas:

"Que você tenha conseguido sobreviver é sem dúvida um tributo à sua fé e coragem."

E eu concordava, e ainda concordo com ele. Que eu tivesse conseguido sobreviver até meus 30 anos sem a ajuda de quase ninguém para me orientar no mundo complexo e difícil em que vivemos foi sem dúvida um tributo à minha fé e à minha coragem, porque eu vivi todos esses anos por minha própria conta, e muito pouco havia sido ensinado a mim que pudesse ter ajudado em meus passos rumo a uma vida melhor e mais bem sucedida. Mas a fé e a coragem têm seus altos e baixos, e eu já não podia contar somente com esses dois recursos psicológicos para continuar tocando o resto de minha vida. Sozinho, e sem planos, eu não tinha chances. 

Claro, antes de me impor esta pergunta, eu havia estudado duramente quatro anos em uma faculdade de Administração de Empresas, mas naquela fase de minha vida tudo aquilo que eu havia aprendido me parecia quase inútil sob o ponto de vista do apoio que eu espera obter de um estudo de nível superior que era, para mim, ingenuamente, uma aposta de melhoria de vida e de sucesso financeiro. 

Então, diante da pergunta "por que se preocupar com autoajuda?" eu tinha como resposta o fato de que deixar de me preocupar com autoajuda significava uma vida sem perspectivas de paz de espírito e um sucesso deixado ao acaso.

Eu precisava me preocupar com autoajuda se quisesse ter paz de espírito e sucesso financeiro. Eu não podia mais confiar nas alternativas tradicionais. Eu não podia contar mais com a medicina tradicional, que falhara comigo, e nem com o conhecimento de um curso de administração, que não apontava caminhos para a minha vida profissional e financeira.

Eu precisava urgentemente de novos caminhos.

Essa urgência por alternativas de futuro era imperiosa. Eu não podia mais flertar com o fracasso.

Ainda assim, eu continuei fazendo perguntas, até que elas chegaram a um total de quarenta e sete.

Essa era a resposta da primeira.

Agora, era preciso enfrentar a segunda, e ir em frente.

domingo, 7 de julho de 2013

Desfrutando o que se tem

Tenho pensado bastante sobre a frase abaixo:

“Existem dois objetivos na vida: primeiro, conseguir o que se quer; e depois, desfrutar o que obteve. Apenas os mais sábios realizam o segundo”

Logan Pearsall Smith

Evidentemente, não é a primeira vez que a comento aqui, neste blog. E a razão é que ela lança um desafio a todo aquele que a lê. Ela desafia-nos a nos provarmos sábios simplesmente desfrutando daquilo que já é nosso.

Por que o simples desfrutar daquilo que é nosso implica em alguma espécie de sabedoria?

Porque desfrutar é um ato que demanda disciplina, antes de tudo. Disciplina primeiramente para nos lembrarmos de que devemos desfrutar aquilo que temos, e disciplina em um segundo momento para tomarmos consciência daquilo que realmente temos, daquilo pelo qual viemos a lutar um dia, e que tanto esforço nos exigiu. E por fim, disciplina para continuar o ato de desfrutar daquilo que é nosso por esforço e merecimento não uma, nem duas, mas vezes e vezes sem conta, até que o ato de desfrutar não signifique mais um desfrute, mas uma obrigação, um peso, um dever, que não mais nos proporciona nada de bom, útil ou prazeroso, e que torna aquilo que é nosso não mais tão desejável quando antes, e assim, possamos seguir em frente, com novos objetivos e novos desfrutes, e assim por diante, num processo de desejo, busca, desfrute e abandono que seja ao mesmo tempo saudável e não alienante, não meramente consumista, e que não se resuma a ciclos fúteis de consumo e descarte glutômano e doentio.

Mas estamos muito longe de sermos sábios. 

Olhe à sua volta, veja quantas coisas possui, somente sob o aspecto material, e verá que a maioria do seu esforço na vida se resumiu a trabalhar para ganhar dinheiro para comprar coisas que você quase nunca usa, e portanto, significa que todo esse tempo passado trabalhando foi quase que todo convertido em nada, porque você não é capaz de desfrutar do que obteve.

Você não é assim? Não? Desculpe...

Eu sou.

Estou trabalhando desde meus 12 anos. Nem tenho ideia do quando de dinheiro ganhei e gastei. Nunca trabalhei de graça para ninguém, nem nunca fiquei sem trabalhar. Logo, acumulei coisas, que possuo, sim, mas não desfruto.

Tenho mesmo que desfrutar? Mas se não, por que tenho o desejo de ter coisas das quais não desfrutarei? Não sinto prazer em simplesmente consumir dinheiro pelo mero prazer de consumir dinheiro. Quando compro algo, penso que aquilo tem algum valor para mim, ao menos naquele momento.

Se é assim, por que então não desfruto daquilo que já tenho em mãos?

Por que sou volátil? Será que aquilo que me agradava ontem não me agrada mais hoje?

Pode ser. Poderia ser, mas não é verdade. Pego, como contraprova desta hipótese, o fato comum de que vez por outra eu decido usufruir de coisas que obtive a muito tempo atrás, e essas coisas ainda são prazerosas, interessantes e úteis. Então, qual é o problema?

Eu poderia passar dias pensando no assunto.

Eu, ao contrário do que faço hoje, já fiz alguma espécie de controle financeiro. Eu já me importei em fazer o que todos os livros de finanças pessoais consideram essencial para se ter algum controle sob nossas finanças: eu iniciei um registro de todos os meus ganhos e gastos, por um certo período de tempo.

Eu ainda tenho esse registro.

Eu olho para ele e penso: no dia x, gastei tantos Reais para comprar algo que foi consumido definitivamente, tal como uma refeição ou um aluguel, mas no dia y eu comprei algo que ainda está aqui, comigo, em minha casa, depois de mais de uma década de comprado. E o que eu fiz com esse algo que foi comprado para ser desfrutado?

Eu estou desfrutando deste algo?

Mas essa forma de pensar não é uma espécie de paranoia?

Não, não é, porque eu passo no mínimo 8 horas por dia trabalhando, deixando de viver a minha vida para ter dinheiro para justamente comprar esse algo que agora desprezo.

Eu não deveria ter comprado o que agora não me interessa?

Mas então, o que me levou a comprá-lo?

Eu simplesmente não aceito que estejamos vivendo a décadas como escravos de nossos trabalhos simplesmente para entulhar nossas casas de bobagens sem sentido. Não é aceitável que sejamos tão péssimos em nossas estratégias de vida.

Não deveríamos ter comprado, nem lutado por isto, mas já que lutamos, e compramos, agora temos o dever moral de desfrutar. Não é mais apenas uma questão de sermos sábios, mas uma questão de não sermos burros.

Odeio ser tapeado por algo que nem sem quem ou o que me tapeia.

Tenho o dever de conhecer meus inimigos.

Sun Tzu!

domingo, 26 de maio de 2013

Jogos de sorte e azar

Acabei de ler sobre o sorteio 1497 da Mega-Sena. O prêmio está acumulado e poderia render mais de 29 milhões de Reais. Mas ele acumulou, e agora poderá render 34 milhões. Esta quantia de dinheiro é uma daquelas quantias que poderiam mudar minha vida de uma maneira bastante interessante, possibilitando independência, tal qual eu comentei aqui. 

Eu fiz cinco jogos aleatórios, com números escolhidos por um computador, as famosas Surprezinhas, e não acertei nenhum número. Gastei R$ 10,00, e dei-me por satisfeito.

Acontece que eu já disse aqui, a algum tempo atrás, que tinha interesse em estudar mais a fundo a ciência da probabilidade. Acontece que eu anotei esse meu interesse em probabilidade em minha Agenda 99 faz já 12 anos. Foi em 2001 que tive a ideia de anotar este meu interesse.

O que fiz a respeito do assunto ao longo destes anos todos?

Eu estudei o assunto?

Sim, mas muito pouco.

Eu poderia dar-me ao luxo de perder tempo estudando um assunto que muito provavelmente não me traria resultado real algum, quando a vida me cobrava outras tarefas, outros deveres, outras obrigações?

Mas, o que eu tinha de tão importante para fazer que não me permitia dedicar tempo a ganhar alguns milhões na loteria?

Afinal, o que fiz do meu tempo ao longo da vida?

Como eu disse aqui, coisas fáceis são difíceis. Ficar rico ganhando na loteria é algo que parece fácil, mas não é.

Então, refaço a pergunta: o que eu poderia fazer que me permitisse ganhar dinheiro de maneira mais provável do que ganhando na loteria?

Trabalhar.

Não creio que haja coisa mais óbvia do que o trabalho para se conseguir dinheiro. E trabalhar não é tão fácil quanto ficar rico ganhando na loteria, mas é mais provável que eu ganhe dinheiro trabalhando do que acertando na loteria. Logo, sempre trabalhei.

Trabalhar não requer sorte. Nem azar.

Entender o valor do trabalho é uma das coisas mais difíceis que aprendi na vida.

É uma lição tão difícil que acho que muita gente morre sem saber qual seja este valor.

Entender o valor do trabalho não impede, no entanto, que eu continue jogando, vez por outra, na Mega-Sena. Vai que a sorte brilhe para mim. Então, se brilhar, adeus, trabalho atual.

Não, não deixarei de trabalhar.

Apenas farei um trabalho mais agradável.

Não precisamos da sorte para poder trabalhar. Precisamos apenas de coragem.

sábado, 25 de maio de 2013

Desejando o dinheiro

Acredito que haja pouca coisa mais atraente para o ser humano moderno do que a possibilidade de ganhar algum dinheiro.

Eu gosto muito de dinheiro também, mas não sou tão ganancioso a ponto de arriscar uma série de coisas apenas para ganhar dinheiro.

Como disse aqui, nascemos pobres, mas com esforço, deixamos a pobreza para trás e passamos a viver uma vida mais confortável ao longo do tempo, se soubermos algumas regras básicas.

Eu passei a desejar de fato o dinheiro quando ainda era um adolescente, e sonhava com minha independência familiar. Acho que, no meu caso, o desejo de independência veio como causa do desejo de dinheiro.

Assim, para mim, a independência é um valor mais importante que o dinheiro em si. Dinheiro foi, para mim, apenas um meio para eu conseguir a independência.

O que é ser independente? O que eu entendia por independência quando desejei dinheiro de verdade?

Ser independente significava para mim sair de casa, morar em um lugar diferente de onde vivia, estudar, fazer uma faculdade, poder comprar minhas roupas, minhas coisas, e não ter de precisar pedir nada a ninguém.

E hoje? Eu ainda desejo dinheiro?

Claro. Continuo achando que dinheiro é um meio para um fim, e o fim maior continua sendo a independência. Mas, eu já não saí de casa? O que quero dizer com independência hoje?

Acho que hoje ser independente é ser dono de meu próprio tempo. Acho que eu seria livre, e realmente independente, no caso de eu ter uma quantia de dinheiro suficiente para não ter mais de trabalhar para uma empresa ou instituição pela necessidade de pagar minhas contas mensais, mas ter a opção de continuar trabalhando para mim mesmo apenas para me realizar como ser humano, sem a necessidade de me preocupar em como pagar as contas do dia-a-dia com este trabalho opcional.

Daí que uma das coisas mais interessantes que descobri foi que este tipo de sonho é possível, graças àquilo que Albert Einstein classificou como a coisa mais incrível do Universo: o juro composto!

Acho que Einstein estava certo: o juro composto é a mais pura liberdade em nosso mundo moderno.

Juros compostos!

Bitcoin?

Tenho uma versão deste blog em inglês. 

É uma mera tentativa de aprender esta língua onipresente, e o blog em inglês anda às moscas, porque eu acabei chegando à conclusão de que ainda tenho muito o que aprender antes de sair traduzindo minhas postagens do português para o inglês sem a ajuda do Google Tradutor. Se for para usar o Google Tradutor, então, qual o aprendizado?

Acontece que, independentemente de eu estar ou não atualizando o blog em inglês, ele, vez por outra, recebe alguma visita. Mas quem visitaria um blog em inglês defasado, escrito por um brasileiro, mal escrito, na verdade, e se interessaria por alguma coisa?

É. Na verdade, o blog é visitado por robots da internet. De uma maneira que ainda não sei direito, sites registram visitas nos nossos blogs como se fossem gente real, e o Google registra o endereço do visitante. Então, curiosos como são os blogueiros, nós clicamos no link do visitante, para saber quem andou nos visitando. E então, a surpresa.

O último link que visitei dá em uma vistosa página que nos sugere alguma coisa relacionada com o dinheiro virtual, o Bitcoin.

Que são esses Bitcoins? São moedas virtuais, dinheiro digital, sem lastro, sem suporte legal, enfim, é uma miragem com um forte cheiro de tramoia ou falcatrua. Não pensei seriamente no assunto, mas não sou tão leigo assim no assunto para perceber, de imediato, que a coisa não é boa, e, no mínimo, não tem valor legal.

Duvida? Pegue uma nota de um valor qualquer. Olhe-a. Procure nela e verá assinaturas de ministros, autoridades monetárias e coisas do tipo. Não são as pessoas que assinam que dão credibilidade ao dinheiro, à nota que tem em mãos. É o Estado.

Agora: quem dá credibilidade ao Bitcoin?

O desenvolvedor do software?

Quem é ele? Que empresa é esta? Se um bitcoin lhe for roubado, você reclamará a quem?

Quer um conselho?

Fique longe...


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A inutilidade da Filosofia

Eu disse aqui que antes de ter este blog, eu cheguei a criar um no site IG e que se chamava Filosofia Inútil.

Por que ele tinha este nome? Por que ele não foi em frente?

Ele tinha este nome em virtude de uma famosa e polêmica frase de Karl Marx. Talvez esta frase seja a mais famosa de sua lavra. Qualquer principiante que leia qualquer livro elementar de introdução à Filosofia deverá conhecer esta frase. Mas, se não a conhecer, tudo bem: sentirá os efeitos desta frase da mesma maneira.

Marx disse:

"Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo."

Não sei dizer quando e onde isto foi dito, e nem importa agora. O que importa é entender o espírito da frase.

Se o que importa é modificar o mundo, então toda interpretação é inútil. Se tudo o que os filósofos fazem é interpretar o mundo, então, todos os filósofos são inúteis. Ora, Karl Marx é um filósofo. Logo, Karl Marx ou não é filósofo, ou é inútil.

Calma...

Não leve a sério esta interpretação de Karl Marx.

O que quero dizer é que em geral, filosofar é inútil se não ajudar a mudar o mundo. Como eu nunca pensei em mudar o mundo, mas queria pensar em filosofia, só poderia pensar em uma filosofia que fosse necessariamente inútil. 

Mas, como disse, este blog, que mantém o espírito digital de Filosofia Inútil, não tem fim lucrativos, nem milita a favor ou contra nada, e assim, não pretende mudar minha vida, nem a vida de ninguém. Então, eu pensaria por prazer, lazer, hobby.

Karl Marx que fosse para o inferno...

Explicado o nome do blog que não foi em frente, resta explicar seu fracasso.

Existe mesmo filosofia inútil?

Mas, quanto anjos cabem na ponta de um alfinete?

De qualquer forma, eu não queria falar sobre anjos em pontas de alfinetes. Como não sou de perder tempo, porque a vida é curta, e tenho minhas contas para pagar, resolvi não me dedicar muito à Filosofia.

Eu, em minha ignorância filosófica, tinha algo mais importante a fazer: ganhar dinheiro.

Ganhei? 

Não.

Na busca do dinheiro, nem o consegui, nem ganhei a sabedoria que, julgo, poderia ter ganho me dedicando à Filosofia. 

Bingo: talvez fosse a Filosofia a porta que abriria o cofre da vida.

Marx quis mudar o mundo com a Filosofia. Não conseguiu. Fui mais modesto: dar-me-ia por contente se, filosofando, pudesse simplesmente mudar o saldo de minha conta bancária para um valor maior. 

O que eu fiz?

Não fiz nada.

Não alimentei o blog, abandonei a Filosofia, não ganhei dinheiro e o tempo se escoou entre meus dedos como as areias que escorrendo, lenta, mas inexoravelmente, desbastam e encobrem as esfinges. 

Mas isto foi a oito anos atrás, e eu era uma outra pessoa, um ingênuo.

Mas, tudo bem, perdoo-me. 

Mesmo Marx foi ingênuo!

Agora, a pergunta crucial: a Filosofia é mesmo inútil?

Leia meu texto "Abalando Impérios", publicado aqui, neste mesmo blog, que trata mais detalhadamente da questão do poder das ideias, e você poderá de fato tirar suas próprias conclusões. Não quero influenciar ninguém. Analise você mesmo.

Caso queira ler mais um artigo sobre um assunto bastante interessante, leia isto.

domingo, 21 de agosto de 2011

Anotando tudo e aprendendo

Eu disse que gosto de escrever.

Já escrevi em cadernos com canetas comuns, escrevi à máquina, depois passei aos computadores e ao Word, e depois aos blogs. O próximo passo é escrever em um tablet ou em um celular. Mas teve uma época em que os tablets e celulares não eram tão poderosos ou estavam em estágio embrionário. Nesta época, eu vi a possibilidade de usar os handhelds, os dispositivos manuais, como os Palms e similares.

Depois de pesquisar bastante, acabei comprando pela Internet um dispositivo interessante. Era um tipo de handheld chamado Da Vinci. Era um aparelhinho com tela sensível ao toque, armazenava pequenos blocos de texto e tinha um tecladinho que podia ser adaptado com um cabo. Depois, vinha com um outro cabo, que o conectava ao micro. Tinha um CD com um software e eu podia transferir os textos criados nele para o micro. Não era cheio de muitos recursos, como tela colorida, câmeras ou aplicativos variados, não tinha conexão wi-fi nem celular, mas servia para um propósito que eu achava importante: eu poderia andar com ele o tempo todo e ir anotando coisas nele.

Eu poderia anotar pequenos blocos de texto, depois transferir para o micro.

Mas o que eu pretendia anotar de tão importante?

Nesta época, eu era disciplinado com minhas finanças. Eu anotava tudo que gastava, e mantinha um controle no computador com o Microsoft Money. Então, sempre que gastava algum dinheiro com alguma coisa, eu anotava em algum bloquinho de papel ou mesmo guardava na memória. Então, o aparelhinho era ideal para esse tipo de controle.

Depois, eu queria escrever um livro sobre alguma coisa catastrófica. Mas eu não queria escrever somente em casa, num determinado arquivo de computador. Eu queria escrever sempre que tivesse tempo livre, e esse tempo livre nem sempre era em casa, em frente ao micro. Muitas vezes eu tinha tempo, mas longe de casa, e sem um micro para escrever. Se fosse sempre em frente a um micro, eu poderia usar um disquete (porque naquela época não havia pen drives, e os CDs regraváveis eram caros, e não havia gravadores em todas as máquinas disponíveis). Mas nem sempre havia locais com computadores à mão.

Eu poderia escrever em um caderninho, mas depois eu teria que perder um tempo precioso digitando tudo no Word. Então, com o aparelhinho, era só escrever, depois passar para o micro e formatar no Word, sem o trabalho de digitar tudo do zero. Enfim, a ideia era boa. Achei que o tecladinho seria minha nova caneta, e o aparelhinho, meu novo papel.

Tentei habituar-me ao novo dispositivo. Cheguei a anotar algumas coisas. Algumas despesas, alguns parágrafos de um livro. Sempre que penso no meu Da Vinci, me vejo em um ponto de ônibus em frente ao Parque Pecuário de Goiânia, sentado ao sol, com o aparelhinho na mão, procurando as letras no visorzinho preto e branco.

Depois, copiei tudo para o micro. Deve ter dado algumas dezenas de bites. Havia um recurso no software de sincronização que fazia um backup dos dados do Da Vinci no HD do computador. Perfeito. Fiz o backup, para não perder nada. Depois lancei as despesas no Money.

Depois desisti de escrever no Da Vinci.

Hoje ele está guardado num saco plástico em alguma parte de uma estante de livros e bugigangas, num quarto de casa que uso como biblioteca.

Paguei caro pelo Da Vinci: R$ 295,40. Fiquei excitado esperando ele chegar pelo correio. Comprei-o pelo site Submarino. Isso foi no dia 19/08/2003. Curioso: hoje faz quase exatamente oito longos anos que o comprei. Sei disso porque anotei tudo no Money. Na época, foi um investimento bastante bem pensado. Achei que seria uma grande ferramenta para um cara que gosta de escrever como eu.

Está tudo guardado, sem uso.

Falo dele porque fui fazer um backup de dados e tenho muita informação guardada. Os dados do Da Vinci foram gravados em um micro anterior a este que uso hoje. Era um Pentium 266 com 98 megas de RAM, e um HD de 3 gigas. Depois instalei outro de 60 gigas, que foi para o espaço quando mudei-me de Goiânia para Ribeirão Preto. Mas não perdi nada, porque tinha o bendito backup.

Vejam, não sou paranóico com falhas de HD e dados perdidos. Isso ocorre de tempos em tempos, podem ter certeza disso.

Então, no meu micro novo, o que uso ainda hoje, tem uma pasta com o backup do micro velho. Fui dar uma olhada no que havia de importante por ali e sai abrindo pastas na ordem em que foram aparecendo. E lá estava ele, o arquivo do Da Vinci, logo na primeira pasta.

Oh, o que havia de importante nele?

Primeiro, alguns parágrafos de um livro que comecei a escrever. O que esses parágrafos diziam?

Depois falo deles.

E o que mais havia?

Havia as anotações das despesas. O que elas significam hoje?

Não sei, mas quase nada, a não ser que me fazem lembrar de coisas que jamais me lembraria sem a ajuda delas. E por vezes penso que se não são coisas que me lembro normalmente sem a ajuda de anotações, então não deve ser nada de importante ou útil.

De qualquer forma, foi com pesar que me lembrei do meu Da Vinci.

Quanta expectativa! Quanto desinteresse quase que imediato!

Ele era um brinquedo inútil? Não, não era.

Eu é que perdi o interesse nas coisas.

O livro está inacabado.

Não registro nem controlo mais minhas finanças.

O que houve comigo?

Onde foram parar meus planos?

O que se passou nesses oito anos que fizeram com que eu mal me reconheça em minhas lembranças e registros?

Será que mudei tanto assim?

Não sei. Sim, mudei. Mas não perdi a mania de anotar tudo.

Também não adquiri o hábito de usufruir das coisas que desejo e conquisto.

Eu ainda tenho muito que aprender.

Ah! A tela do Da Vinci ficou velha e o cristal não mostra mais quase nada.

Eu não posso mais usá-lo.

Ele está morto.

E eu só o usei uma vez!

Eu ainda tenho muito que aprender nessa vida...

sábado, 4 de dezembro de 2010

A Firma

Eu sou uma pessoa que gosta de dinheiro. Deixe-me explicar.

Não é que eu não goste de ter o dinheiro em si, aquele que temos na carteira e na nossa conta corrente, e que ganhamos com muito suor. Eu gosto deste tipo de dinheiro também, e muito.

Mas quando falo que gosto de dinheiro, é no sentido de gostar de estudar como a riqueza em geral é criada, armazenada, acumulada, transferida, perdida e destruída. Gosto de dinheiro do ponto de vista econômico. Afinal, embora não seja exatamente um economista, sou formado em Administração de Empresas, e as duas áreas estão intimamente ligadas. Na verdade, eu bem que poderia ter feito Economia, mas o destino não permitiu que as coisas corressem em sua normalidade. Quis ser economista, mas acabei mudando de ideia e fui estudar Administração.

Mas a Economia é uma ciência mais teórica que prática, e administrar empresas é uma forma de fazer a teoria econômica entrar em ação.

Quando entendi que dinheiro tem a ver com economia e empresas, foi como se eu tivesse descoberto a roda. Curiosamente, não foi uma coisa rápida nem precoce. Eu já estava vivendo uma vida de jovem adulto, trabalhando e me sustentando, embora que sem um rumo certo em mãos para tocar o resto de minha vida.

Então, desde que escolhi ser administrador de empresas, elas, as empresas, têm me fascinado.

Mas, estudar empresas é uma coisa. Administrá-las de fato é outra, bem mais complexa.

Eu arrisquei abrir "A Firma". Como muitos milhões de pessoas fazem no mundo inteiro o tempo todo, eu arrisquei juntar meus conhecimentos e a sorte e tentei ganhar dinheiro, muito dinheiro. Nada mais louvável nesse nosso mundo capitalista e competitivo.

Mas não deu certo. Faltou sorte, faltou conhecimento, faltou maturidade e sobraram problemas, de todos os tipos.

O resultado foi não um fracasso, mas um aborto.

Vejam: um aborto é um tipo de fracasso, mas neste caso, sequer podemos falar em uma "Firma" em seu sentido real. Nunca houve firma alguma. Simplesmente existiu um nome e um registro público, uma formalidade. É como se uma criança tivesse sua certidão de nascimento registrada antes de nascer, mas ainda em útero. Simplesmente nada ocorreu no mundo real. Somente no mundo jurídico, dos papéis e dos documentos.

Mudei de ideia, mudei de planos, abandonei a firma de papel e segui com minha vida por outros caminhos. Mas, a firma de papel continuava lá, registrada, como um esqueleto, uma radiografia de um esqueleto, uma mera imagem daquilo que poderia ter sido uma firma. Assim como uma radiografia não cresce, não evolui nem enriquece ninguém, ela também não morre. A firma continuou por anos na sua situação formal de "inativa". Todos os anos de hibernação radiográfica foram marcados por declarações negativas de imposto de renda de pessoas jurídicas, uma espécie de ritual macabro em que atestamos que algo está morto, mas que não conseguimos ainda nos desfazer de seu esqueleto.

Então, um dia eu resolvi lembrar-me de que era preciso um tipo de exorcismo. Para um administrador, ou ao menos para mim, que sou administrador, um firma fracassada era como um atestado de incompetência.

Claro, hoje penso diferente com relação a empresas que não dão certo, mas por muitos anos eu tentei esquecer essa empresa e toda a dor que a envolveu, de sonhos abandonados e problemas crônicos não resolvidos. Tê-la criado no papel e nunca ter conseguido seguir adiante e ter tentado fazer alguns de meus sonhos virarem realidade foi para mim motivo de grande tristeza e frustração. E eu não sou acostumado a desistir, fracassar e baixar a cabeça, vencido ou derrotado.

Talvez por isso, eu só me lembrava dela quando chegava o mês das declarações ao imposto de renda. Nesta época, um amigo contador me ligava e dizia que eu precisava fazer a maldita declaração negativa.

Um dia, eu anotei no meu arquivo do Microsoft Outlook, numa pasta de tarefas, um lembrete: baixar firma.

Essa era a minha tarefa mais importante, mas que permaneceu ignorada propositalmente por mais muitos anos ainda, porque, admito, era doloroso pôr um fim definitivo nela, baixando-a definitivamente no registro de empresas.

Ainda que hibernando, sempre existia a possibilidade de reativá-la e reiniciar algum projeto grandioso por meio dela e seus papéis.

De repente, a vida deu uma nova guinada e mudei de planos. Nada de negócios, nada de empresas, jamais.

Então, mesmo os papéis hibernando eram um problema, porque com o novo rumo dado, eu não poderia legalmente ter nenhuma empresa, e neste caso mesmo um simples registro era um problema em potencial.

Tomei coragem e resolvi enfrentar a gigantesca burocracia que era baixar uma firma no Brasil.

Na verdade, alguns anos antes eu até tentara enfrentar o problema, mas desisti. Era muita papelada, muito dinheiro, muito trabalho. Desisti.

Desta vez, eu iria em frente.

Mas me surpreendi, porque as leis tinham mudado, e a coisa foi simples, rápida, barata e indolor.

Hoje, sou um administrador que teve uma firma, que nunca entrou em atividade, e que está formalmente baixada, em perfeita conformidade com a lei.

Sinto-me menos frustrado agora do que sentia a alguns anos atrás. Esta firma existiu por doze, treze anos.

Neste tempo todo, deixei a dor para trás e aquilo que era um trauma parece ter desaparecido com o tempo, como todo trauma.

Não sei se arriscaria a me envolver em negócios hoje em dia, mas não vejo também porque não poderia me envolver. Afinal, ainda sou um administrador de empresas, atuando intelectualmente na área, ainda que não diretamente.

Se um dia arriscar a me meter com negócios, abriria uma nova firma?

Não sei, mas esta, para todos os efeitos, jamais voltará a existir.

A "Firma" está definitivamente baixada.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A deterioração das coisas

Como disse, tenho milhares de e-mails arquivados. O mais antigo deles foi uma mensagem de retorno, de 1999, enviada pelo ListBot, depois que eu me filiei a um newsletter sobre conspirações.

Hoje, o ListBot não existe mais, o site com o newsletter não é atualizado a quase uma década e o dono dele agora está envolvido em um projeto totalmente diferente.

Tenho também um monte de e-mails da mesma época em que eu aplicava na Bolsa de Valores, via homebroker, na antiga Nettrade. Tentei acompanhar os links antigos dos e-mails, mas não há mais Nettrade, nem Patagon.com, nem nada. Pode-se pesquisar o surgimento da Nettrade e da Patagon no Google, via revistas de negócios da época, como Você S/A e outras, mas é só. O site é apenas uma página vazia.

Todos os projetos daquela época desapareceram.

Também o Listbot foi comprado pela Microsoft, e a corretora on-line daquela época hoje deve pertencer a algum grande banco.

Essa é a prova de que há uma espécie de deterioração, uma corrosão que vai aos poucos destruindo sites e projetos do mundo virtual da mesma maneira que vemos as coisas físicas à nossa volta se deteriorarem.

Ontem eu passei alguns minutos muito desagradáveis consertando a saída de água do tanquinho da área de serviço, que estava vazando e ficou inoperante por longos meses, à espera de minha ação definitiva.

Eu havia comprado os encaixes novos, mas a coisa, o prédio, a colocação do tanquinho junto demais da parede, foi tudo tão mal feito que eu não pude usar os encaixes da maneira como deveriam ser usados. Tive de serrar, cortar, abrir, enfim, tive de fazer um malabarismo tal que no final a tubulação encaixou-se, mas continuou o mesmo maldito vazamento que me levou a tirar a tubulação antiga, deixando tudo exatamente como estava no início.

É, as coisas apodrecem e fedem. Mexer com canos de esgoto não é uma coisa muito legal.

Mas, não podemos deixar as coisas se desmancharem à nossa volta. Nem mesmo os sites, blogs, e-mails e pastas com documentos antigos.

De fato, passei umas duas horas separando documentos que venho juntando ao longo dos anos. Foi uma separação superficial, que ainda precisará de mais umas duas ou três peneiradas para ficar perfeita, mas foi um bom trabalho.

Também coloquei o scanner no micro novo. Agora, posso escanear as coisas e jogar os papéis fora. Também é um bom começo.

Por fim, vasculhei o site do IG em busca de uma conta de e-mail que nem lembrava que tinha por lá. Conferi e tinha mesmo a conta, com 36 e-mails acumulados desde a metade de 2007. Eu nem lembrava mais dele. Usei-o uma vez para tentar criar meu primeiro blog, mas não deu certo. Do blog, nem sinal. Não faço a menor ideia do que andei escrevendo no meu único post.

Para fechar o dia, achei um site que eu precisava muito conhecer: o Alexa.

Mas deixemos o Alexa para depois. O fato é que as coisas se deterioram, sejam essas coisas materiais ou virtuais.

Cabe a nós mantê-las. Ou não.


sexta-feira, 4 de abril de 2008

Um dia produtivo

Pela primeira vez em bastante tempo eu dormi cedo e acordei cedo em casa. Claro que acordo cedo e durmo mais ou menos cedo no serviço, mas em casa é outra coisa.

Dei uma conferida no meu correio eletrônico. Tenho arquivados cerca de 8.500 e-mails desde 1999. Deste total, só li uns 5.000. Parei de lê-los no começo de 2007. Faltam só 3.500 para ler.

Não bastasse isso, dei uma conferida em meu controle financeiro. Andei anotando e controlando minhas finanças do começo de 2002 até o final de 2004. Mas tenho tudo anotado em papel desde então. Agora, faltam três anos e meio de anotações financeiras para serem arrumadas. Por quê? Não me pergunte.

Também tinha a mania de controlar meu peso em uma planilha no Excel. Venho anotando meu peso diariamente desde a metade de 2002. Estava com os dados em papel. Então passei para a planilha os dados acumulados desde o começo de 2007.

Se anotar o peso resolve alguma coisa? Não sei, mas anoto mesmo assim.

Por que esse atraso todo?

Por causa do tempo.

Uma pessoa que trabalha todos os dias da semana de manhã até à tarde não pode se dar ao luxo de controlar nada. Se tentar manter qualquer controle financeiro, de saúde ou mesmo ler e-mails e ir à academia de ginástica com alguma regularidade, vai deixar de fazer alguma coisa importante em casa, como brincar com os filhos e ajuda-los nas lições de casa. Também não terá tempo para navegar na Internet, nem tempo para conversar com a esposa.

Nem poderá dormir cedo.

E, como diz um especialista em stress muito famoso: “não há café suficiente no mundo”.

No outro dia, não há mesmo café que chegue.

Por falar nisso, ainda fui para a academia e li alguma coisa enquanto pedalava por quarenta minutos. De quebra, na volta para casa ainda comprei e carreguei um galão de 20 litros de água mineral, porque a de casa acabou.

Não é uma vida fácil.

Andei dando uma olhada nas comunidades sobre segurança pessoal, mas não achei nada de interessante. Eu queria divulgar meu blog nelas, mas como não vi nada com o perfil adequado, resolvi eu mesmo criar uma comunidade sobre o tema. Ela se chama “Vivendo com Segurança”. Espero que as pessoas participem.

Essa é a imagem da comunidade:


quinta-feira, 3 de abril de 2008

O Dia do Leão

Não teve jeito. Passei o dia todo enrolado com a leitura de notícias atrasadas, com o pagamento de contas, e por fim, bati de frente com ele, o Leão do Imposto de Renda.

Desta vez, ainda não tive que desembolsar nada, mas terei uma restituição minguada.

Não é nada fácil de se manter firme hoje em dia.

De qualquer forma, continuo relativamente animado. Só por teimosia, vou abrir mais uma dúzia de blogs sobre todo e qualquer tipo de assunto de que eu goste bastante, porque meu negócio é esse.

Por falar nisso, já abri um sobre segurança: é o Defenda-se!

Na verdade, quero apenas colocar links e dicas de segurança para que eu mesmo não esqueça de que devo me cuidar, mas de qualquer forma, não custa nada compartilhar com os outros esse tipo de informação.

Pensei também em fazer um outro blog sobre dicas de saúde, mas pensei melhor e desisti da idéia, porque neste caso, eu não sou da área da saúde e falar sobre o que não se sabe muito bem é arriscado e pode prejudicar as pessoas sem querer.

Por isso, devo mesmo me fixar em assuntos de que gosto, como informática, internet, negócios, discos voadores e fantasmas.

Por falar em informática, consegui um feito memorável: dei um jeito no meu Outlook 2000.

É curioso como um simples programa de computador que todo mundo tem e usa pode atrapalhar nossas vidas.

A história é assim...

Comprei um micro novo com Windows Vista. Mas instalei nele o Office 2000. Então, sempre que ia fazer qualquer coisa no Outlook 2000, como criar uma nova tarefa, eu recebia uma mensagem de erro idiota falando sobre a falta do wab.dll.

Tentei dar um jeito, mas como sempre faço, fui ao Google à cata de problemas iguais ou parecidos.

Digitei “wab Outlook 2000 erro”.

Não é à toa que o Google está engolindo o mundo. Ele pesquisou em português, como mandei, mas parece ter entendido o problema, de maneira que mostrou também a resposta com um ou dois links em inglês.

Moral da história: não achei nada que solucionasse o erro em sites em português. Mas fui num fórum em inglês e um cara, Rollin, deu as dicas certas. Foi fácil e rápido. Copiei dois arquivos de uma pasta para outra, copiei e colei dois comandos de registro na linha de comando do menu Iniciar e pronto. O Outlook ficou redondo.

Agora, duas coisas interessantes.

Primeiro, que um cursinho de inglês que freqüentei por quase dois anos agora está fazendo a diferença. Não que eu destrinche tudo em inglês, mas o que aprendi está quebrando um galho danado hoje em dia.

E segundo, que a molecada americana pode ter seus problemas, e tudo o mais, mas parece que aqui no Brasil não tem ninguém realmente que conheça de computação de maneira aprofundada como manda a necessidade do mercado. A molecada nossa pode ser boa em games e em hackear contadores de visitas de sites famosos, mas para resolver coisas importantes, não vejo avanço algum.

Mas não importa.

O que conta é que o Leão este ano está morto.

Ou não?


terça-feira, 18 de março de 2008

Eu sei que você matará todos esses leões, mas...

Um passo de cada vez, como se a vida nunca fosse acabar. É assim que as coisas devem ser feitas.

Você controla suas finanças?

Se não controla, deveria controlar. E se controla, perde um tempo enorme, que você sabe que poderia ser usado para ver uns filmes legais na televisão, ou para ouvir um som gostoso na sala, ou para dar aquela caminhada que você está prometendo pra você mesmo a muito tempo.

O que vem primeiro: as finanças ou a saúde?

Não importa: você não terá tempo para nenhuma das duas coisas.

Se fizer um esforço monstruoso, terá dinheiro e saúde, mas não tempo para gastar o dinheiro e para usar do seu corpo sadio para mais nada, a não ser trabalhar.

E as músicas? E os filmes?

Faça um esforço e ponha um CD com aquelas baladas gostosas enquanto manda e-mails, recebe contas, faz uma caminhada.


E seus sonhos e planos infalíveis?

Estão na gaveta de projetos, eu sei. Ou estão naquela agenda, anotadinhos, porque você sabe que é uma pessoa esforçada e que um dia colocará em prática todos os seus planos.

Um dia, você fará tudo, irá a todos os lugares e conseguirá estabelecer ordem em tudo. Tudo terá uma etiqueta, tudo estará no seu devido canto, e a vida fluirá como um relógio.

Mas tudo tem seu momento, e no final, você ainda escreverá sua biografia, para seus bisnetos saberem que o mundo bom que eles vivem foi construído com muito esforço e suor pelos antepassados, e que eles devem parar de serem preguiçosos e maconheiros.

É, eu sei que você dará conta do recado.

Boa sorte, mas não esqueça das baladas daquele velho CD no monte de tralhas perto da televisão.

Pense no amanhã sem esquecer o hoje.

Cante um pouco.