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terça-feira, 28 de julho de 2015

Um governo mundial

Há na internet uma série de sites discutindo política. Dentre muitos, há aqueles que lutam contra uma suposta tirania, seja em escala local, nacional ou mesmo global. De certo modo, o pior dos temores, seja qual for o posicionamento que as pessoas tenham em relação ao espectro político, sejam de esquerda, direita ou centro, é de que o mundo seja de alguma forma dominado por um único governo, oposto aos seus desejos pessoais.

O grande medo do mundo, e ao mesmo tempo o grande anseio do mundo, é o do governo global.

Tenho pensado nisso.

Não acho improvável um governo global. Nem mesmo acho indesejável um governo global. O que questiono é: qual seria o tipo deste governo global?

Não desejaria um governo global tirânico, uma ditadura sanguinária comandada por alguns poucos poderosos estrangeiros. Nem uma monarquia hereditária, cuja condição para o poder fosse pela consanguinidade.

Mas não veria tanto mal assim em um governo global benevolente, democrático, limitado em seus poderes de polícia e força coercitiva, capaz de equalizar as grandes diferenças da espécie humana, prestar socorro em escala global, manter a paz e aparar as arestas culturais capazes de levar as pessoas à violência e à guerra.

Pergunto: o que temos a temer em um eventual governo global?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A segunda crise dos mísseis

Lendo sobre a tentativa de reaproximação dos Estados Unidos com Cuba, muito do que se lê na imprensa nacional se relaciona à bobagem de que isso significa a vitória de Castro, da esquerda latina ou coisa parecida. Mas acho que as interpretações nacionais estão eivadas de provincianismo e carecem de fundamentos geopolíticos. Afinal, brasileiros são míopes quanto ao que faz o mundo girar, e nossa imprensa, pobre de maneira geral, não está apta a tecer considerações além daquelas para as quais são regiamente pagas pelo sistema de apoio financeiro governamental. Quer dizer, esqueçam as opiniões locais. Elas são mera propaganda governamental, e nada mais.

Mas, curiosamente, li duas notícias lado a lado, e algo me pareceu óbvio, embora pudesse não parecer se as notícias estivessem separadas fisicamente no site onde as li.

De um lado, a notícia da tentativa de aproximação. De outro, a notícia de que Obama assinou mais uma medida de punição econômica contra a Rússia. Aparentemente, fatos desconectados.

Acontece que é sabido que o choque entre Rússia e União Europeia e Estados Unidos é uma briga de gigantes, onde todos os peões do terceiro mundo acabam sendo envolvidos, queiram ou não. Ora, a Rússia, na época da guerra fria, quase iniciou uma terceira guerra mundial exatamente por tentar colocar armas nucleares em uma Cuba recém-chegada ao comunismo. Os Estados Unidos evidentemente nunca pensaram em ter esse tipo de ameaça tão próximo. Logo, deu no que deu.

Agora, a poucos meses atrás, mas já sob sanção ocidental devido à anexação da Crimeia, a Rússia iniciou gestões no sentido de ter bases militares na América Latina, e mais especificamente em Cuba.

Ora, não é óbvio que para os Estados Unidos uma contramedida simples e barata seria simplesmente levantar o embargo e esperar a ruína dos Castro antes de que uma eventual base russa seja negociada e instalada?

Cuba e seu regime podem optar por ver a ilha inundada por um mar de capitalismo e se vincular aos Estados Unidos de tal modo que aceitar uma base russa em seu território seja inviável. Se aceitar a base russa, teremos uma segunda crise dos mísseis. E é exatamente esse cenário que os americanos desejam evitar, e a Rússia alcançar. Se alcançar, a Rússia só sairá de Cuba se a OTAN não entrar na Ucrânia. Simples assim.

Dado que a Rússia não tem uma economia forte a ponto de disputar com os americanos para ver quem paga mais por Cuba, resta aos americanos ver por quanto os Castro venderão sua ilha ao capitalismo. Se é isso mesmo, e os Castro perceberem a importância de suas decisões, eles pedirão um preço alto, muito alto.

Uma coisa é certa: quem pagar mais, leva. Nesse caso, acho que os americanos podem mais, mas nunca se sabe o quão altas as apostas podem chegar.

Lamento pelo jornalismo pago, mas não, Obama não quer o bem dos cubanos, ainda que possa ser intimamente um autêntico comunista. Como todo estadista em uma verdadeira democracia, ele não governa sozinho, não tem poderes para tomar decisões unilaterais sem aval de um congresso que é oposição, e ele pensa e continuará pensando somente nos americanos, seus compatriotas, e qualquer leitura diferente desta é mera retórica tendenciosa.

Veremos ao longo dos anos se é isso mesmo ou se essa minha leitura é fruto do mero acaso de duas notícias ocasionalmente alinhadas.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O Museu do 11 de Setembro de 2001

Eu disse nesta postagem de 8 de junho de 2004 e nesta postagem de 17 de novembro de 2012 que achava surpreendente que ainda não houvesse um parque temático explorando a tragédia de 11 de Setembro de 2001. Um visitante do blog comentou que um parque temático não, mas já um museu seria bastante provável.

Hoje, leio a notícia de que, sim, de fato os americanos irão ter seu museu do 11 de setembro de 2001.

Evidentemente, há razões a favor e contra esse tipo de exposição, e não vou entrar no mérito da questão, mas de qualquer forma, fica aqui o registro de que às vezes podemos ter insights bastante interessantes em nossos sonhos e pensamentos, mas como o mundo é vasto e repleto de gente pensando todo tipo de coisa, não importa o que você sonhe ou pense, provavelmente mais alguém, em algum lugar qualquer do planeta, terá a mesma ideia ou o mesmo sonho que você, e acabará ficando rico ou famoso com essa ideia ou sonho, e você, nós, ficaremos com aquela sensação de que perdemos mais uma rara oportunidade na vida.

Eu sei muito bem que uma simples postagem em um blog não poderia de forma alguma influenciar na criação de um museu sobre a tragédia de 11 de Setembro de 2001 do outro lado do mundo. Alguém na América teve a ideia de maneira independente da minha, e foi mera coincidência eu ter relatado esse meu sonho no blog e depois ver os fatos confirmando o sonho.

Mas, essas  coincidências não deixam de ser curiosas. Um memorial era obviamente previsível. Um museu, nem tanto. Sim, essas coincidências ou previsões acertadas me deixam muito curioso. É o fenômeno da serendipidade, e falarei mais sobre isso no momento adequado.

Por fim, relembro que o capitalismo tem esse interessante poder de fazer as pessoas ficarem pensando, pensando, pensando, procurando soluções para problemas que às vezes sequer sabemos que temos, ou nem temos de fato.

Agora, para concluir: vi algumas fotos do museu e, apesar dos comentários acima, ele não deixa de ser impressionante.

Como foi possível que um evento como o 11 de Setembro pudesse acontecer?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O mundo em crise

Não sei, mas parece que, mais do que nunca, o mundo vive uma crise aguda e dolorosa, e, parece-me, sem possibilidade de saída.

É deprimente ver, por exemplo, um país ameaçar outro abertamente com a possibilidade de um ataque nuclear. Parece coisa de filmes B dos anos 60, de um século que parecia morto e enterrado.

Parece que estamos andando na contra-mão do racional e sensato. Nada vai bem. Não há perspectivas positivas à vista, e a pior coisa é ver a sociedade, não somente a brasileira, mas a global, afundando como um Titanic atingida por um iceberg chamado Internet.

Nem sei para quem escrevo isto. Nem sei por que continuo com este blog.

Olho para ele todos os dias. Nada me inspira a escrever algo que valha a pena ser escrito.

Acho que, no fundo, a luta terminou em derrota, e todos perdemos esta guerra sem vencedores.

Não acredito em guerras nucleares. Elas não ocorrerão. Nem é preciso. O mundo murcha como um gigantesco zepelim, e cai sem maiores esforços.

Tudo foi em vão.

O caos vence.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Há definitivamente algo de errado com o povo brasileiro

Sei que não fui o primeiro, nem o único, a perceber que algo de muito errado está acontecendo com o povo brasileiro. Quer dizer, algo de muito errado está acontecendo com as pessoas que vivem atualmente neste país esfacelado.

Vou logo ao assunto: ontem, dois eventos, de uma raridade extrema, ocorreram ao mesmo tempo, com intervalo de apenas algumas horas. O primeiro deles foi um meteorito que explodiu sobre algumas cidades no centro da Rússia com a força de 200 bombas de Hiroshima e deixou mais de 1.200 feridos, algumas dezenas deles com gravidade. O segundo deles foi um asteróide que passou a poucos milhares de quilômetros da Terra, representando um risco real, bem mais ameaçador que o meteorito que caiu mais cedo na Rússia.

O que mais chama a atenção é que a probabilidade de dois eventos deste tipo ocorrerem no mesmo dia é de 1 em 100 milhões. Provavelmente a humanidade estará extinta quando isto tornar a ocorrer, daqui a 270.000 anos, segundo o cálculo das probabilidades. Assim, algo muito raro e perigoso ocorreu ontem, para o conhecimento de todos. Um evento assim deveria servir de alerta, deveria chamar a atenção e deveria estimular debates infinitos no planeta todo, no mínimo.

Mas aqui, no Brasil, ao longo de todo o dia quase nada foi dito sobre o assunto. Aqui, as matérias jornalísticas mais procuradas pelos internautas eram sobre Neymar, sobre quem agrediu quem na novela Salve Jorge, enfim, o povo brasileiro está mais interessado mesmo é em celebridades, violência e sacanagem.

Não bastasse isto, e vemos o Facebook se encher de mêmes e piadinhas as mais ridículas e maldosas sobre a desgraça alheia, na Rússia. Uns brincando de heróis japoneses, outros desejando que um meteoro caísse sobre Brasília, outros ainda usando o assunto para a promoção de si mesmos e de seus blogs ocos e suas comunidades vazias.

Há, sim, algo definitivamente errado com o povo brasileiro, pelo menos. Essa insensibilidade com a desgraça alheia, essa preocupação com o banal, em lugar de uma verdadeira demonstração de solidariedade pela dor distante dos russos, a ignorância do tamanho do evento, a total incapacidade de perceber implicações, o desprezo por aquilo que ignoram, enfim, a total indiferença diante da vida, do mundo e do cosmos, a absoluta atenção apenas para consigo mesmos e para com as frivolidades que abarrotam a televisão e a internet como um todo, é o sinal claro de que somos um povo doente, muito doente. Um povo que, sem saber, tem dentro de si um câncer social terminal. 

Um povo covarde, que não tem coragem de passar a mão em uma bandeira, ou quem sabe, em um fuzil, e fazer com as próprias mãos o que deseja que um asteroide faça com meia dúzia de políticos que acham que  podem tudo. 

Não, um asteroide não destruirá Brasília. Não, ele não destruirá o Brasil. Mas nem por isso o Brasil não será destruído. Ele o será, e o será pelo próprio povo que não é capaz de nada. Um país feito de covardes não precisa de nada que o destrua. Um povo covarde destrói-se a si mesmo. Ele destrói-se a si mesmo dia após dia, nas estradas, nas casas noturnas, nas enchentes, nos assaltos e nos sequestros relâmpagos. Ele destrói-se a si mesmo com baforadas em cigarros de maconha e cachimbos de crack, em bofetadas dadas a torto e a direito em cada cara que se mostre descontente com alguma coisa. Ele, o povo covarde, é autofágico: come-se a si mesmo, de preguiça ou medo de fazer alguma coisa digna de ser feita.

O Brasil não vai se acabar com um asteroide. Ele vai acabar em barranco, para que todos se escorem e descansem, até a morte os tragar.

Outros povos virão, é certo. Este imenso e desprezado continente será ocupado por gente mais preparada. Sempre foi assim: os fortes vencem os fracos. Os despreparados cedem o lugar para os mais aptos. Não tenho dúvidas que não seremos poupados de nossa indolência como povo. Seremos lembrados no futuro como os mongóis de Gengis Kan, um povo bárbaro que veio, destruiu tudo que foi capaz pelo puro prazer de destruir e depois desapareceu se deixar vestígios, sem deixar legados, sem deixar rastros. 

Esta é a realidade do Brasil, que tantos querem ver destruído por um impotente asteroide.

Há, sim, algo definitivamente errado com o Brasil.