quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A burocracia inerte, o velho e o cadáver

Fecho meu expediente hoje com uma enxurrada de textos sobre desburocratização. Bem que eu gostaria de tornar a vida mais simples, mas não dá. Há uma inércia que é da própria vida: nada muda de uma hora para outra. Leva-se anos e mais anos para as mudanças serem notadas, e somos mais parecidos com árvores que com ratos. Somos lentos e pouco adaptativos, mas ainda assim, com toda essa lerdeza, somos tão abundantes quanto os ratos! Mas quem disse que as lentas árvores também não são abundantes? Lerdeza não implica em escassez.

De manhã, tenho ouvido Bach e seus concertos para violino. Dão uma paz incrível, e fico pensando o que tinha ele na cabeça quando compunha suas obras no anonimato. Vi um velho sendo apoiado por uma moça jovem para uma caminhada matinal. Pensei no dia em que isso me ocorrerá: viverei o suficiente para poder ser apoiado? Não sei, mas mesmo um corpo frágil ainda merece um pouco de sol numa manhã fria.


Fiquei matutando durante o dia se no nosso mundo darwiniano, devemos premiar os vitoriosos ou puni-los, ajudando os perdedores. O Estado deve buscar a igualdade dos cidadãos, mas será uma missão factível?

Então, dei a mim mesmo a resposta: se eu fosse um fraco, acharia ruim ser ajudado pelo mais forte por meio do Estado? A resposta é óbvia: eu já fui ajudado...

Então, por fim, um corpo enterrado por engano no interior de São Paulo acaba como um monte de ossos dentro de um buraco escuro. Tratado como a ossada de um indigente, o corpo foi misturado a um mundo de outros ossos, e a família jamais poderá dar à ossada um lugar digno e definitivo.

A lição é clara: mesmo morto, pode-se meter-se em encrencas!


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