quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ah! Entendi!

A vigésima quinta pergunta da série que fiz em 2001 também já foi respondida pelas postagens anteriores, em parte aqui, e em parte aqui.

A vigésima quinta pergunta é a seguinte:

"Quantos níveis são razoavelmente necessários para responder o que gostaríamos de saber inicialmente?"

Neste caso, nível aqui quer dizer quantidade de perguntas do tipo "por quê?" aplicadas a uma cadeia de afirmações do tipo: afirma-se A, pergunta-se por quê A, responde-se A porque B, pergunta-se por quê B, responde-se B porque C, e assim sucessivamente, até que uma dada afirmação X satisfaça aquele que pergunta.

A resposta é que os níveis necessários vão depender do quanto o assunto é complexo e do quanto quem pergunta sabe sobre o assunto.

Assim, quanto mais se sabe sobre um determinado assunto, menos se pergunta, e quanto mais complexo um assunto, mais níveis de conhecimento agregado há nele, de maneira que seu domínio envolve um conjunto maior de perguntas a serem respondidas.

Por fim, depreende-se que não há como dominar um assunto complexo sem ter de fazer incontáveis perguntas do tipo "por quê?", até que toda a cadeia de afirmações que sustentam as afirmações finais sejam evidentes para aquele que estuda o assunto.

Por quê? Mas... por quê?

A vigésima quarta pergunta da série que fiz em 2001 foi praticamente respondida na pergunta anterior.

A vigésima quarta pergunta é a seguinte:

"Quantos níveis de 'por quê?' devemos e podemos fazer para uma afirmação?"

Faço apenas a ressalva de que, tal qual a pergunta anterior, esta pergunta, e consequentemente a resposta, não refere-se apenas a uma única afirmação, mas a uma cadeia de afirmações logicamente encadeadas ou interconectadas, de modo que uma afirmação é justificada por outra até que se tenha uma afirmação evidente para aquele que questiona.

A resposta é simples. Podemos fazer tantas perguntas "por quê?" quantas quisermos para uma sequência de afirmações, mas na prática, paramos com as perguntas quando aceitamos uma afirmação como evidentemente verdadeira e convincente. Quantas perguntas devo fazer? Depende do quão complexa for a primeira afirmação, ou quão pouco eu saiba sobre um determinado ramo de conhecimento, uma vez que o que é uma afirmação óbvia e convincente para quem conhece o assunto pode ser uma afirmação que não faz nenhum sentido para quem pergunta sem conhecer o tema.


Em geral, quando se estuda algum ramo do conhecimento científico tal como a Matemática, ou a Biologia ou a Astronomia, um leigo precisa elaborar um número muito grande de perguntas para que obtenha uma afirmação que seja simples e óbvia para o seu nível de conhecimento. Já um especialista no assunto precisa fazer no máximo meia dúzia de perguntas para dar-se por satisfeito.

Já quando há assuntos menos complexos, e talvez a psicologia aplicada por meio da autoajuda seja um desses, então mesmo um leigo pode sentir-se satisfeito com uma resposta que demande meia dúzia de perguntas do tipo "por quê?".

Evidentemente, este tipo de pergunta não é o único que uma pessoa pode fazer a respeito de uma afirmação, mas este é um problema para outra postagem.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aprendendo a perguntar

A vigésima terceira pergunta que fiz dentre uma série delas feitas em 2001, as quais venho tentando responder neste blog, é a primeira do tipo filosófico ou lógico. Até então, minhas perguntas eram de caráter psicológico, ou existencial, mas não filosóficas.

A pergunta que fiz foi:

"Quantos 'por quê?' podem ser feitos para uma mesma afirmação?"

Esta pergunta reflete a minha tentativa de buscar uma maneira coerente de questionar o mundo e as afirmações que a literatura nos oferece, e é uma demonstração clara de meu despreparo à época para empreender um modo de pensar sistemático e eficaz para analisar as alegações dos diversos autores de autoajuda, dentre outros, que eu andava lento, mas que não era capaz de confirmar ou contestar de maneira formal e completa.

Eu nunca havia lido nada sobre Filosofia antes. Em 2001, minha maior excursão dentro deste vasto território desconhecido limitava-se à compra de um livro sobre a história da Filosofia. Fora um livro não didático, não sistemático, mais um catálogo de temas, épocas, escolas de pensamento e nomes de filósofos que não faziam o menor sentido para mim, que nunca tinha visto o tema antes. Eu estava apenas tateando o terreno, e, sem uma maior orientação, acabei comprando um livro inadequado que mais atrapalhou do que ajudou, porque acabou criando uma imagem que confirmava o estereótipo de que Filosofia era um tema etéreo e difícil. Foi o primeiro, embora não tenha sido o único livro de Filosofia que eu tenha tentado estudar, que não foi uma escolha feliz em termos de didatismo e aprendizado. Evidentemente que não desisti nem do tema nem das dificuldades dos livros e nem de enfrentar outras abordagens didáticas, de maneira que mais tarde aprendi alguma coisa sobre o assunto, mas na época da pergunta, em 2001, eu era completamente cru em relação a ele. Cheio de pré-concepções leigas e estereotipadas, eu fugira do tema por longos anos, como quem foge de algo desnecessário, tal como a extração de um dente ciso que está lá, no fundo de nossas arcadas dentárias, mas que mais cedo ou mais tarde teremos que extrair por um motivo ou outro. Enquanto não for preciso, deixamos o dente quieto, fugindo do trabalho necessário, mas por vezes inevitável. Filosofia, só ouvira falar, e achava melhor deixar de lado. Coisa de gente doida.

Falarei mais sobre o que eu pensava que fosse a Filosofia antes desta questão, mas não agora. Deixarei para um momento posterior porque pretendo fixar-me nas 47 questões de minha Agenda Ecológica de um maneira cronológica e definitiva. Em determinado momento, adentrar-me-ei neste assunto fascinante e polêmico.

O fato é que pela primeira vez em minha vida eu sentia a necessidade de dominar um conjunto de conhecimentos que me seriam úteis no direcionamento e condução de minha vida de uma forma muito íntima e séria. Eu não estava estudando Filosofia. Originalmente eu estava estudando Psicologia aplicada, ou autoajuda, para ser mais simples e direto. Mas, de forma alguma eu imaginava que teria que duvidar das lições com as quais eu me deparava nas minhas leituras naquele momento. 

Mas, não se pode brincar com o destino de nossas vidas. Eu não poderia seguir cegamente uma determinada orientação sem algum questionamento. E eu não sabia questionar. Algo parecia me dizer que uma determinada afirmação não me parecia correta, mas eu não era capaz de verbalizar, nem diretamente, nem por escrito, aquilo que eu sentia intuitivamente ser um argumento contrário àquela afirmação. Faltava-me um ferramental teórico que me permitisse discordar de, ou concordar com ideias de diferentes tipos, para minha própria segurança na condução de minha vida.

Dando uma olhada na pergunta, percebemos que ela foca na contestação de uma afirmação com base no questionamento de suas causas.

Alguém afirma A, e antes de eu concordar ou contestar A, eu pergunto, igual a uma criança, o porquê de A. Este alguém me responde justificando o porquê de A usando uma afirmação B. Eu torno a questionar o porquê de B, e assim sucessivamente. No final, quantos "por quê?" eu posso fazer para uma mesma afirmação? 

Ora, olhando calmamente a pergunta agora, neste momento, com a calma que uma resposta correta demanda, eu responderia que no final, só posso fazer uma única pergunta do tipo "por quê?" a uma dada afirmação, porque no momento seguinte, quando uma razão para esta afirmação me é dada, ela o é em forma de uma segunda afirmação, e neste caso, quando faço o meu segundo "por quê?", já o faço para a afirmação B e não mais para a afirmação A, que já foi respondida na forma de B. E assim sucessivamente.

Mas não foi este o sentido de minha pergunta. Se me permito reformular a pergunta corretamente, o faço para que a mesma fique da seguinte forma:

"Quantos 'por quê?' podem ser feitos para uma cadeia de afirmações sucessivas e interconectadas?"

Desta maneira, consigo fazer a pergunta refletir aquilo que eu buscava perguntar naquele momento, quando formulei a pergunta original.

Ora, teoricamente, posso fazer quantas perguntas "por quê?" eu quiser. Na prática, cada pergunta busca uma resposta que objetiva suprir uma dúvida pessoal, e não é meramente um questionamento movido pela teimosia, birra ou tentativa de irritar aquela que afirma A, depois B e depois C. Não sou uma criança que pergunta abusadamente tirando proveito da boa vontade e paciência de meu professor. Não se trata disto.

O que eu percebo na prática é que há determinadas afirmações que são consideradas básicas, elementares demais para serem questionadas. Era isso que eu queria saber na época, e que só vim a saber quando estudei Lógica. Eu parecia saber intuitivamente que há premissas dadas como evidentes, tais como as premissas da Geometria de Euclides, onde partimos de um ponto, depois seguimos para uma reta, para um plano, e assim por diante, sem ter que questionar o que é um ponto, tido por todos como evidente demais para ser questionado.

A resposta mais adequada à pergunta reformulada, que trata agora de cadeias de afirmações e não mais de uma única afirmação, é de que posso, ou melhor, devo fazer tantas perguntas "por quê?" quantas forem necessárias para que eu chegue a uma afirmação X tal que seja para mim óbvia, evidente e clara, e que acabe por me convencer de que A decorre desta afirmação X, e que em função de X, que eu concordo, eu acabe por concordar, pelo menos parcialmente, com A, já que A decorre indiretamente de X.

Ah! A lógica! Como ela me fazia falta!

Minhas dúvidas de Lógica persistiram.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Pontos de vista

A vigésima segunda questão, dentre as muitas que fiz em uma série, em 2001, em muitos aspectos relaciona-se às perguntas anteriores, uma vez que questiona nossa capacidade de dar respostas às perguntas existenciais que surgem em nossas vidas.

A pergunta é a seguinte:

"Outras pessoas podem ter outros tipos de respostas para as mesmas questões?"

O que posso dizer a respeito da pergunta acima é que, mais do que uma possibilidade, é quase uma certeza que uma pessoa terá respostas diferentes de outra pessoa para quase tudo na vida. As pessoas podem concordar em muitos pontos, mas esta concordância não é absoluta, e ela muda com o tempo. Pessoas que em um momento no tempo pensam diferentemente sobre um determinado assunto podem vir a convergir sobre o tema depois de anos, e pode-se dar também o contrário.

Essa questão é importante porque ela relaciona-se bastante com livros de autoajuda, conselhos e gurus, mentores e apoiadores, pais e professores, e todo os tipos mais de tentativas de um ser humano educar ou influenciar outro ser humano.

Quando fiz a pergunta, tinha em mente os livros de autoajuda. Em geral, os autores de livros de autoajuda dão centenas de dicas, sugestões, orientações, regras e conselhos para que cuidemos de nossas vidas. Sendo uma pessoa disciplinada e bem motivada a realizar mudanças significativas e positivas em minha vida, posso tentar seguir um grande número dessas orientações, e acabar obtendo um resultado não esperado, nem desejado. É que um autor de um livro de aconselhamento, por mais bem intencionado e sábio que seja, não pode escrever um livro que seja adequado para toda a gama de seus diferentes tipos de leitores. Livros deste tipo costumam ser lidos por milhares, milhões de pessoas mundo afora. Essa massa de seres humanos não levam vidas homogêneas, nem visam o mesmo objetivo, nem possuem as mesmas histórias. Daí que a disciplina precisa ser relativizada quando o assunto é autoaprimoramento.

Devemos ser disciplinados no sentido de que devemos seguir adiante com o projeto de mudança e aperfeiçoamento de nossas vidas, e os livros de autoajuda são excelentes instrumentos de orientação neste projeto. Mas não podemos seguir as orientações de seus autores sem um questionamento sério. Precisamos pensar seriamente a respeito de cada aspecto daquilo que nos é sugerido que façamos, porque nem tudo convém a todo mundo. As histórias de vida das pessoas não são idênticas. Nem todo mundo vem de uma vida de sofrimento e fracasso. Nem todo mundo busca uma vida de sucesso e riqueza. Nem todo mundo procura desesperadamente a paz espiritual. Nem todo mundo quer enriquecer rapidamente.

Não faz sentido seguir uma orientação que não se enquadre em seus planos. Por fim, divergir de um autor, um conselheiro, não significa ser indisciplinado. Dados, por exemplo, dois conselhos sobre determinado assunto, um deles pode ser seguido com precisão e disciplina, mas o outro pode ser inadequado tal como está, e pode ser deixado de lado após meditada análise. Ao longo do tempo, pode-se aferir a eficácia de se seguir ou não cada um deles, e ver se eles devem ainda ser seguidos ou não.

Seguir ou não conselhos, dar ou não respostas às questões da vida são decisões particulares, pessoais e personalizadas. 

Não se compare. Não se submeta. Não tema questionar. Siga seus planos se eles lhe parecerem o melhor a ser feito. Ele, afinal, é o seu plano, e não o plano de um guru bem intencionado que não o conhece e nem a seus dilemas e dúvidas.

E, não se constranja. Se um dia um guru viesse a conhecer melhor suas ideias e sonhos, ele certamente aprovaria suas decisões, desde que tivessem sido tomadas com a devida reflexão. Afinal, a melhor posição a ser tomada depende apenas de diferentes pontos de vista sob os quais se observa esta posição. Se de seu ponto de vista você vê as coisas como você acha que devem estar, este é o melhor ponto de vista.

A única coisa que não se admite é o conformismo resignado e silencioso.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Definitivo e imutável

A vigésima primeira pergunta da série que fiz em 2001 decorre da pergunta anterior. Estamos falando em questionamentos sobre aprimoramentos que pretendemos que ocorram em nossas vidas, e em respostas a esses questionamentos.

Se na pergunta anterior eu afirmo que devo buscar respostas para minhas dúvidas, muitas delas existenciais e difíceis de serem respondidas, a pergunta que faço agora é:

"São respostas definitivas e imutáveis?"

O que tenho de dizer a respeito desta questão é que dificilmente há respostas definitivas e imutáveis para as questões que surgem a respeito da maneira como devemos conduzir a nossa vida.

Evidentemente, há áreas onde há maior grau de estabilidade e certeza, e há áreas onde o terreno é mais instável e no qual constantemente nos vemos mudando de opinião ou postura em relação a um determinado tema controverso.

Por exemplo: em determinado momento fiz a pergunta a respeito do fato de estarmos nós mesmos definitivamente dispostos ou não a implementar algum tipo de mudança em nossa vida. Qualquer que tenha sido a resposta que eu tenha dado em um determinado momento, esta resposta não servirá como resposta à mesma pergunta formulada, digamos, daqui a um ano depois, quando então o contexto de nossa vida pode ter mudado, sem o nosso consentimento, sem a nossa participação ativa, e então somos forçados a dar uma resposta diferente à questão da que demos um ano antes.

Alguns temas envolvendo valores profundos, como, por exemplo, fé, respeito à vida, honestidade, dentre outros, costumam ser temas onde as pessoas têm opiniões mais estáveis. O mundo pode girar em diferentes rumos, mas as pessoas costumam ter certas convicções firmemente estabelecidas sobre esses temas e, embora precisem mudar ao longo do tempo, não abrem mão desses valores, e não os sujeitam a nenhum tipo de mudança mais profunda ou séria. Podem ceder aqui e ali em pequenos pontos secundários, mas não mudam o que é a essência daquilo que pensam sobre o tema.

Assim, cuidado com respostas definitivas e regras de vida imutáveis. Em geral não são assim tão definitivas e imutáveis, e insistir em querer mantê-las em nossas vidas de maneira forçada e não natural pode acabar fazendo com que vivamos vidas limitadas, engessadas e infrutíferas.

É preciso certa flexibilidade para se viver. Não se pode, e não se deve, mudar os rumos de uma vida ao sabor do vento, mas não se pode viver uma vida com regras lavradas em pedra.