sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Mais sobre livros e conexões

Eu disse na postagem anterior que uma coisa puxa outra. Disse que tinha problemas e que fiz um plano de leitura.

Tenho na minha intranet um texto que escrevi a algum tempo, que esclarece melhor como um livro puxa outro, ou um problema puxa outro.

As coisas em nossas vidas estão interligadas.

Quer ver?

Então continue lendo a postagem seguinte...

Uma coisa puxa outra

Eu disse na postagem anterior que foi através de Og Mandino que vim a conhecer as obras de Dale Carnegie. O livro de Mandino, "A universidade do sucesso", é uma coletânea de trechos de diversos outros autores. Como Carnegie era já um autor consagrado, era certo que Mandino o incluiria na sua lista de autores preferidos.

Eu disse que comprei dois livros de Carnegie: "Como fazer amigos e influenciar pessoas" e "Como evitar preocupações e começar a viver". Comprei-os porque eram livros muito populares, acessíveis em qualquer sebo de qualquer lugar. Na verdade, eu gostei mais do primeiro, sobre relações pessoais. Mas não dei tanta atenção ao segundo, sobre preocupações.

Cabe aqui duas observações.

Primeiro: não ligamos muito para soluções de problemas que não possuímos. Por que se preocupar com um novo remédio para gripe se você não está resfriado? Por que se preocupar com um livro que ensinava como sair de situações ruins se eu não estava numa situação ruim?

Segundo: se eu não estava numa situação ruim, por que então o comprei, se sabia do que se tratava?

A resposta a essa segunda observação explica o porquê de o livro de preocupações estar em primeiro lugar em minha lista de leituras. Eu comprei o livro porque eu já havia passado por situações ruins tais como as que o livro relatava. E no momento em que eu fiz minha lista de livros para leitura, eu estava de fato numa situação muito ruim. Ler o livro de Carnegie sobre preocupações era, para mim, naquele momento, uma prioridade.

Todo mundo passa por situações ruins na vida. Não há o que esconder aqui. E todo mundo tem o direito, senão o dever, de lutar com todos os meios possíveis para tentar se sentir melhor.

No momento em que escrevi minha lista, eu sabia que a solução para meus problemas naquele momento de minha vida poderia estar no livro de Carnegie, que eu nunca tinha dado a devida atenção, mas que sabia que poderia ser útil.

Assim, uma coisa puxa outra.

Por que confiar tanto em livros?

Por que minha experiência de vida tinha mostrado que livros funcionam.

Que experiências foram essas que me deram tanta segurança de que poderia confiar na ajuda dos livros?

O cigarro.

Mais uma vez, o cigarro.

Não disse que uma coisa puxa outra?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Og Mandino - Primeira leitura

A primeira leitura do livro de Mandino provocou uma sensação de poder ilimitado, esperança e euforia. Tudo parecia possível.

Mas foi algo passageiro.

Na verdade, o livro não foi estudado; ele foi apenas lido, da mesma maneira que lemos um romance, linearmente e de uma única levada. Na época, eu não sabia que somente uma leitura linear não seria o suficiente para coisa nenhuma, e lê-lo assim não seria mais do que um simples passatempo. É surpreendente que tenha gerado empolgação por três ou quatro meses. Poucos livros realmente provocam impactos assim, ainda mais quando é lido por pessoas que já são acostumadas a ler autores diferentes, temas diferentes, estilos diferentes.

É que o tema na verdade era uma novidade. Jamais me passara pela cabeça antes que poderia existir algum livro que nos ensinasse a ter sucesso na vida, a resolver nossos problemas pessoais, a nos motivar a realizar coisas, vencer barreiras, ganhar dinheiro. Para mim foi uma grandessíssima surpresa. Foi como descobrir vida inteligente na Lua: tão perto e tão óbvio que jamais poderia suspeitar que pudesse existir. Logo um livro, algo que eu tinha tanta paixão, poderia ter a solução para um monte de problemas que só eu sabia que possuía: minhas deficiências, minhas fragilidades, minha história familiar problemática, minha origem humilde, minhas frustrações, meus fracassos, meus erros. Tudo estava lá. Uma maneira de pensar sensata, dita por um bando de senhores e senhoras sábios, que eu não fazia idéia de quem poderiam ser, mas que mereciam todo o respeito, porque o que diziam com seus textos selecionados por Mandino eram coisas sensatas, corretas, e eu me espantava de que alguém pudesse ter pensado tais coisas de modo tão racional e lógico, e mais ainda que esse alguém pudesse ter clareza de espírito para ter colocado tais pensamentos em ordem no papel de forma tão empolgante e bela. Mas estava lá, estava tudo lá.

O livro era como uma chave secreta, que tinha caído em minhas mãos por acaso, mas que imediatamente eu a reconheci como sendo a chave para um tesouro. Quanto a isso, não restava dúvida. O livro fora escrito para mim, para a minha pessoa, para os meus problemas. Disso eu estava certo. Dali em diante, não era mais questão de não saber a origem das coisas. Era só questão de querer e conseguir. E, tendo-o lido uma vez, não haveria porque ter pressa. Eu tinha a chave da fortuna para todo o sempre, pelo tempo futuro no momento em que precisasse, porque quem me ensinava não era um senhor idoso cheio de segredos e experiências valiosos, mas que poderia morrer alguns anos além, sem que eu tivesse chance de revê-lo e aprender de verdade aquilo que me fora dito em grande fluxo em tão pouco tempo, de forma que não pudesse assimilar. Não. Era um livro, e o que eu não pude assimilar numa única leitura era, sim, coisa demais para ser aprendida de uma única vez, mas já era mais que suficiente para eu me manter aceso por longo tempo. Era como um combustível que me manteria funcionando corretamente por longo tempo, sentia eu, instintivamente, mas, no momento em que esse combustível acabasse, e eu não tivesse mais como recorrer à minha memória falha e aos meus parcos recursos, restaria o livro, e ele estaria lá, pronto a me ensinar tudo de novo, e quantas vezes fosse preciso. Sim, ele não desapareceria. O perigo seria eu me esquecer do próprio livro em si, e não só de suas lições fugidias. Esse perigo era real, e de fato eu me esqueci dele e de tantos outros livros em momentos em que eles me seriam muito úteis, mas então o problema não eram os livros e suas lições, mas a minha própria memória. Não sei dizer porque abri mão de me lembrar de pedir ajuda aos meus livros tão úteis, mas o fato é que na maioria da vezes em que me meti em encrencas, me esqueci deles. Arrogância? Talvez...

De qualquer forma, li Mandino a primeira vez em 1990 e só tornei a lê-lo em 2001, depois em 2002, e de lá para cá, leio quase que semanalmente, mas não é uma leitura linear. São pequenos trechos, uma frase, algum capítulo, ou então simplesmente o índice, ou o nome dos autores, ou então folheio-o em busca de alguma ordem de temas, enfim, estudo-o como um livro de alguma matéria científica, um tratado a qual sempre voltamos em busca de consultar algo que faz parte de nosso trabalho. Então, levando-se em conta que a terceira vez que o li já o foi de maneira a estudá-lo sistematicamente, posso afirmar que o li apenas duas vezes, em 1990, e depois, por volta de 2001.

Fazendo um retrospecto, posso afirmar que da primeira leitura, retive na memória pouca coisa real, além do sabor geral do livro. Sem dúvida, o texto mais marcante foi "Uma Mensagem para Garcia". Depois, algo sobre anotar idéias e organizar-se, recomendações feitas em dois ou três capítulos diferentes, e que pareceu sensato adotá-las, além do texto de Dale Carnegie, de "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas".

A mensagem a Garcia marcou-me porque era uma mensagem em estilo militar. Era algo que fazia sentido para mim. Não era nada novo no meu modo de pensar, mas era algo claro como água, um ideal de comportamento militar que deveria ser adotado por todos e principalmente por mim, que sabia que deveria adotar. Somente refletia de maneira exata e precisa aquilo que eu pensava de maneira imprecisa e vaga, e eu pensava daquela maneira devido aos longos anos de estudo do mundo militar, e eu era um militar, e enfim, foi mais um caso de identificação que propriamente de descoberta de algo novo.

As sugestões de se adotar o hábito de escrever e se manter organizado pareciam simples, eficientes e atraentes de se adotar. Ordem e limpeza dão um senso de dever cumprido muito forte. Meu pai era assim em algumas ocasiões, e nunca vou esquecer sua maneira de manter suas ferramentas de pedreiro em ordem em sua caixa de madeira, limpas depois de usadas, e da maneira ordenada como as usava, quando fazia cercas e portões, e quando concertava pequenos defeitos em cadeiras e bancos. Eu gostava daquilo, porque parecia funcionar. Era o senso de ordem que fazia com que meu pai fosse capaz de medir, depois serrar um pedaço de madeira e depois abrir um buraco quadrado em outro pedaço e fazer os dois se encaixarem com perfeição. Esse senso de ordem gerava precisão, gerava resultados bem feitos e eu gostava daquilo. Não me pareceu muito difícil ser organizado. Quanto a escrever usando agendas, foi também um senso de ordem, observado em meu pai, com suas cadernetas de endereços e telefones, que me serviu de motivação e inspiração.

Quando a Dale Carnegie, a palavra "influenciar" pareceu-me muito poderosa e importante. Algo como deter o poder sobre pobres mortais, algo maquiavélico e sinistro, ao mesmo tempo que secreto e possível de ser conseguido, quase um truque mágico.

Por volta de um ano depois, em 1992, acabei encontrando o livro de Carnegie em um sebo em Anápolis, e o comprei. Foi minha segunda aquisição na área da auto-ajuda. Depois outro de Carnegie, depois, livros de administração, e livros e mais livros, até perder a conta.

Assim, a minha primeira leitura de Mandino foi marcante e merece destaque porque foi o meu primeiro contato com um livro com um tema adulto, escrito por pessoas sábias com o intuito de ajudar seus semelhantes em seus problemas. Um livro sério muito útil quando corretamente usado.

Embora que passados tantos anos eu perceba agora que eu não tinha na época maturidade suficiente para saber usá-lo corretamente, percebo também que lê-lo foi inegavelmente um marco importante em termos de crescimento pessoal. As sementes lançadas por seus textos vieram a dar frutos muitos anos depois de lançadas. Quase uma década depois ainda repercutiam em minha mente. Talvez ainda estejam germinando, e venham a dar frutos em algum futuro, próximo ou longínquo. Quem sabe?

*

Texto originalmente criado em 01/10/2009

Vamos em frente

Claro, um blog é apenas um blog e não pode resolver os problemas nossos de cada dia. Por isso, enfrentemos nossos problemas na vida real e sigamos em frente com nosso humilde blog, que não pode fazer nada além do que faz todos os blogs: registrar coisas que escrevemos neles.

Eu disse aqui que fiz um plano de leituras de livros na minha Agenda Ecológica 99. Antes, porém, de falar do primeiro livro da minha lista, que é de Dale Carnegie, "Como evitar preocupações e começar a viver", é preciso que eu continue falando do livro que o precedeu cronologicamente: Og Mandino, "A universidade do sucesso".

Eu já disse aqui também sobre como vim a conhecer o livro de Og Mandino, mas não disse sobre como foi essa leitura. Pois bem, na próxima postagem colocarei um texto que escrevi na minha intranet, da qual já falei aqui, e que ajuda a entender de onde surgiu a minha lista de leitura de livros.

Então, vamos em frente.

sábado, 10 de setembro de 2011

Um blog é apenas um blog

E por ser apenas um blog, ele tem um espaço reduzido em minha vida. Ele tem a atenção que merece apenas quando tenho tempo, disposição ou saco para isso. Quando as coisas não vão bem em minha vida (e elas definitivamente não vão bem!), esse blog é a última coisa em que penso. Se chego a pensar nele, é em deletá-lo, excluí-lo, porque ele diz mais do que deve, porque ele promete mais do que pode cumprir, porque ele registra mais do que deveria meus fracassos e frustrações na vida.

Não sou de ficar contando vantagem nesse blog. Ele mais lamenta que comemora. Só eu o leio com afinco. Só eu presto atenção nas coisas que escrevo. Só eu me arrependo das coisas que escrevo nesse blog. Por isso, esse blog me causa mais tristeza que alegria, e trás mais problemas que soluções.

Registrar nossas vidas é uma grande bobagem.

Que pena.

Escrever é tão bom...

Pobre blog.

Pobre Rosenvaldo...